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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    11 de setembro de 2026

    O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, figura formalmente como investigado no inquérito da Polícia Federal que apura o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A confirmação tornou-se pública nesta sexta-feira (11/set), depois que o relator André Mendonça, do STF, atendeu pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, e levantou parte do sigilo.

    O fato importa porque o presidenciável passa a responder, ainda em fase de apuração, a suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ligadas a repasses do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

    O que o Supremo tornou público?

    Segundo o G1 e o O Globo, a inclusão de Flávio Bolsonaro no rol de investigados ocorreu em 22 de julho, a pedido da própria PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O despacho de Mendonça, reproduzido pelo Metrópoles, registra:

    “A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial.”

    O procedimento examina as circunstâncias dos repasses, a origem do dinheiro, o montante exato e o destino final dos recursos. Uma das linhas da PF verifica se parte dos valores deixou de ser aplicada na produção e chegou a um fundo nos Estados Unidos ligado ao advogado Paulo Calixto, próximo de Eduardo Bolsonaro.

    Como o caso chegou ao STF?

    A trama pública começou em 13 de maio, quando o The Intercept Brasil divulgou mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro parcelas do financiamento. O acerto discutido chegou a US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à cotação da época. Documentos e planilhas posteriores apontam que ao menos US$ 10,6 milhões — cerca de R$ 61 milhões — teriam sido enviados entre fevereiro e maio de 2025, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, ao fundo Havengate Development Fund LP, no Texas.

    Flávio Bolsonaro reconheceu o pedido de patrocínio depois da revelação e passou a afirmar que se trata de dinheiro privado. Em entrevista citada pelo Metrópoles, disse que “não tem absolutamente nada de irregular” na captação. Ao O Globo, reiterou: “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso.” A defesa não respondeu, até a publicação das matérias desta sexta-feira (11/set), aos novos questionamentos sobre a inclusão formal no inquérito.

    Em junho, o presidente do STF, Edson Fachin, fixou a relatoria de André Mendonça por prevenção, por conexão com as apurações do Banco Master. Em 23 de julho, o ministro autorizou a abertura do inquérito específico sobre os repasses. A confirmação de que o senador consta como investigado só veio com o levantamento parcial do sigilo, na noite de quinta-feira (10/set).

    Há mais de uma frente de investigação?

    Sim. O financiamento de Dark Horse corre em dois eixos no STF.

    A primeira frente, com Mendonça, mira os recursos de Vorcaro e o caminho até o fundo americano. A segunda, com Flávio Dino, examina emendas parlamentares e contratos ligados à produtora Go Up Entertainment e ao Instituto Conhecer Brasil, ambos associados à empresária Karina Ferreira da Gama. Nessa linha, a PF cumpriu, na quinta-feira (10/set), 49 mandados da Operação Make Up em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, com autorização de Dino. Entre os alvos está o deputado Mário Frias (PL-SP), produtor executivo do filme.

    Conforme mostrou o Urbs Magna, a decisão anterior de Dino já havia autorizado o compartilhamento de provas da Polícia Civil paulista. O contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil permanece sob suspeita de desvio parcial, sem que as fontes oficiais tenham encerrado a apuração.

    A produtora apresentou laudo particular segundo o qual a obra teria custado cerca de US$ 13,4 milhões (cerca de R$ 75 milhões), a maior parte gasta nos Estados Unidos. O documento não detalha, de forma pública, cada financiador nem o destino de cada parcela enviada ao Havengate.

    O que isso muda na disputa de 2026?

    A análise do Urbs Magna aponta que a confirmação formal do inquérito recoloca o tema da transparência no centro da campanha presidencial. O senador prometeu, em maio, prestação de contas em 30 dias e depois tratou o episódio como “página virada”, sem publicar o contrato e o fluxo completo do fundo americano. A cobrança pública persiste porque o filme foi gravado em parte no Brasil e os recursos atravessaram fronteira.

    O paralelo institucional é direto: um candidato que disputa o comando do Executivo responde a investigação sobre origem, trânsito internacional e destinação de dezenas de milhões de reais. Isso não decide voto por si. Decide o grau de escrutínio a que a democracia brasileira submete quem pede o voto.

    Há desdobramentos em aberto. A PGR pediu que a PF mapeie projetos legislativos de Flávio Bolsonaro e de Mário Frias de interesse do Banco Master e de empresas ligadas a Vorcaro, segundo o Valor Econômico. Parte dos autos do caso Master permanece sob sigilo. A investigação relatada por Dino sobre emendas não foi abrangida, segundo o Metrópoles, pelo levantamento determinado por Fachin.

    FAQ rápido

    Flávio Bolsonaro já foi denunciado no caso Dark Horse?
    Não. As fontes desta sexta-feira (11/set) descrevem inquérito autorizado em julho e agora parcialmente descoberto. Inquérito antecede eventual denúncia.

    Qual valor a PF examina?
    O acerto divulgado pelo Intercept chegou a cerca de R$ 134 milhões. Os pagamentos efetivos mais citados giram em torno de R$ 134 milhões. Os pagamentos efetivos mais citados giram em torno de R$ 61 milhões, com registros posteriores que elevam remessas identificadas a cerca de US$ 12,3 milhões. A polícia ainda confere o total e o destino.

    O filme usou dinheiro público?
    Flávio Bolsonaro afirma que não. A frente relatada por Flávio Dino apura exatamente se emendas e contratos públicos alimentaram a produtora e entidades ligadas à obra. Essa pergunta permanece sob investigação.

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