| Brasília (DF)
25 de agosto de 2026
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a acessar os dados de investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora Go Up Entertainment e o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico na segunda-feira (17/ago).
O despacho atende a um pedido da PF para compartilhar informações de um inquérito que apura irregularidades em contratações e emendas parlamentares ligadas à produção do longa-metragem.
A investigação paulista, conduzida pelo Delegado-Geral da Polícia Civil de São Paulo, já havia identificado indícios de superfaturamento e suposto uso de recursos públicos para financiar o filme.
De acordo com informações da Rede TVT, a Polícia Civil de São Paulo investiga a produtora Go Up Entertainment e o Instituto Conhecer Brasil por suspeitas de desvios de recursos provenientes de emendas parlamentares e contratos com o Sistema S.
A estimativa é que cerca de R$ 4,8 milhões em emendas parlamentares estejam sob suspeita.
A decisão de Flávio Dino representa um avanço significativo na investigação, pois permite à PF ter acesso a elementos que podem aprofundar as apurações sobre o financiamento do filme e sua relação com possíveis crimes financeiros.
O compartilhamento de informações entre as polícias estadual e federal poderá revelar novas conexões e atores envolvidos no esquema.
Essa autorização reforça a tese de que o caso “Dark Horse” transcende o âmbito estadual e pode envolver uma rede mais ampla de desvio de recursos públicos, o que justifica a atuação da Polícia Federal.
O acesso a esses dados pode ser crucial para esclarecer se houve ou não a utilização de emendas parlamentares para financiar a produção do filme de forma irregular.
O que está em jogo
O filme “Dark Horse” , que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, está no centro de uma série de investigações sobre o uso de recursos públicos.
A produção, que teve orçamento estimado em R$ 134 milhões, já foi alvo de reportagens que apontam para o envolvimento do senador Flávio Bolsonaro na captação de recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso na investigação do Banco Master.
Além disso, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou indícios de superfaturamento de R$ 2,4 milhões em contratos do Instituto Conhecer Brasil com o Sesi.
O instituto é presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go Up Entertainment.
A autorização de Flávio Dino para a PF acessar as investigações paulistas pode, portanto, ajudar a conectar esses diferentes pontos da teia investigativa, ampliando o alcance das apurações sobre o financiamento da cinebiografia do ex-presidente.
A Polícia Federal ainda não divulgou se já iniciou o acesso aos dados da investigação paulista.
O ministro Flávio Dino não se manifestou publicamente sobre a decisão.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
