Brasília (DF)
17 de outubro de 2026
Na manhã deste sábado (17/out), milhares de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo o próprio estadista, publicaram, de forma sincronizada às 9h, fotos vestindo a camisa da Seleção Brasileira ou roupas verde e amarelo enquanto faziam o gesto do “L” (VEJA O FIO NO FINAL DA MATÉRIA).
A mobilização, coordenada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) por meio do canal de WhatsApp Exército do Lula, busca retomar as cores da bandeira nacional e o uniforme canarinho do uso associado ao bolsonarismo, em plena disputa do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro.
Lula aderiu e postou no X a imagem com a legenda “Bora, Brasil!”, creditada ao fotógrafo oficial Ricardo Stuckert. O gesto se insere na estratégia de ampliar o apoio além da base tradicional do PT, atraindo eleitores que defendem a democracia, mas não se identificam necessariamente com a esquerda.
O QUE ACONTECEU NA MOBILIZAÇÃO DE 9H?
Janones classificou a ação como a “missão mais difícil” do Exército do Lula até então. Em vídeo enviado aos quase 5 milhões de membros do canal, ele orientou: “Não faça 9h01, não faça 8h59. É 9h da manhã. Vai ser um ato histórico, vai ser um ato lindo e, se a gente fizer sincronizado, vai ser notícia no país inteiro”. Os participantes deveriam usar a camisa da Seleção, combinar peças verde e amarelo, enrolar-se na bandeira ou pintar o rosto, sempre com o gesto do L.
O deputado mineiro afirmou ainda: “Nós conquistamos as ruas de novo, conquistamos as redes sociais, agora nós vamos retomar os nossos símbolos” e “Nós vamos tirar deles a última coisa que você tira de alguém quando você vence uma guerra: o senso de identidade. Nós vamos tomar deles essa identidade. Na verdade, tomar não, porque nunca foi deles. Essa identidade é do povo brasileiro”. A hashtag sugerida foi “O verde e amarelo é nosso”.
QUEM PARTICIPOU DA AÇÃO?
Além de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) publicou foto ao lado da esposa Lu Alckmin. Entre os integrantes do governo e ex-ministros constam Alexandre Padilha (Saúde), Camilo Santana (Educação), Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento). A primeira-dama Rosângela da Silva (Janja) também aderiu. Parlamentares como Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Benedita da Silva (PT-RJ) e senadores como Humberto Costa e Randolfe Rodrigues publicaram conteúdos semelhantes.
Artistas e personalidades se somaram: o ex-jogador Raí, atores como Humberto Carrão, Cláudia Abreu, Paulo Betti, Marcos Palmeira, Marjorie Estiano e Débora Bloch, o diretor Kleber Mendonça Filho, músicos como Chico Buarque, Diogo Nogueira e o padre Júlio Lancelotti. A convocação de Janones estendeu-se a influenciadores e a pessoas que, mesmo não alinhadas à esquerda, se opõem à apropriação exclusiva dos símbolos nacionais por um único grupo político. Não há registro verificado, até o momento, de políticos de partidos da direita tradicional ou bolsonaristas aderindo à ação.
POR QUE AS CORES VERDE E AMARELO IMPORTAM NESTE MOMENTO?
Desde as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff e, sobretudo, durante o governo de Jair Bolsonaro, a camisa amarela da Seleção e as cores da bandeira passaram a ser fortemente associadas ao campo conservador e ao bolsonarismo. Em junho, durante a Copa do Mundo de 2026, Lula já havia defendido publicamente que a esquerda voltasse a usar o verde e amarelo “para não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”. A mobilização de outubro retoma essa linha no contexto eleitoral do segundo turno.
A Bandeira Brasileira e a camisa da Seleção Brasileira são símbolos nacionais de todos os cidadãos. O movimento busca, segundo seus organizadores, ampliar o uso dessas cores para além da identificação política que se consolidou nos últimos anos com o bolsonarismo, sem exclusividade a qualquer campo.
A estratégia se apoia na polarização do segundo turno e na necessidade de ampliar o eleitorado de Lula para além da base petista. Ao transformar um símbolo associado à direita em elemento de campanha de reeleição, a mobilização testa a capacidade de desvincular cores nacionais de uma corrente política específica. O resultado dependerá de se a ação gera identificação com eleitores moderados ou se é lida, pelo campo adversário, como apropriação oportunista em período eleitoral.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. O canal Exército do Lula, após decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do ministro Kassio Nunes Marques, voltou a operar e concentra orientações digitais. A ação de sábado se soma a outras mobilizações de rua e redes que a campanha de Lula organiza para tentar reverter a vantagem de 1,87 ponto obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno.
FAQ Rápido
O que é o Exército do Lula?
Canal de WhatsApp criado por André Janones após o primeiro turno de 2026, com milhões de membros, usado para mobilizações digitais em apoio à reeleição de Lula.
Por que vestir a camisa da Seleção?
Para retomar as cores verde e amarelo do uso predominantemente associado ao bolsonarismo e ampliar o alcance da campanha entre eleitores que valorizam símbolos nacionais.
Lula postou a foto?
Sim. Em 17 de outubro de 2026, o presidente publicou no X a imagem com a camisa amarela e a legenda “Bora, Brasil!”, creditada a Ricardo Stuckert.
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