Brasília (DF)
23 de setembro de 2026
Perfis no X repercutiram o vídeo em que Julian Lemos, ex-coordenador da campanha de Jair Bolsonaro no Nordeste em 2018, declara apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e descreve a ruptura com o bolsonarismo. A peça voltou a circular a 11 dias do primeiro turno.
O primeiro turno das eleições gerais de 2026 está marcado para 4 de outubro, conforme o TSE. Eventual segundo turno ocorre em 25 de outubro.
Na madrugada de terça-feira (22/set), o candidato a deputado federal pela Paraíba publicou o vídeo “A Travessia” na conta @JulianLemosopb1. No texto que acompanha a peça, pergunta se o leitor já perdeu amizade por causa de política e admite ter vivido essa lógica.
“Houve um tempo em que eu também estava mergulhado nessa lógica. Eu era deputado federal, tinha mandato, espaço, voz. Mas, por dentro, comecei a me sentir um peixe fora d’água”, escreveu.
Segundo o post, o debate teria dado lugar à agressividade. “Chegou um momento em que permanecer ali significaria deixar de ser quem eu era. Foi quando começou a minha travessia.”
A mensagem fecha com o alinhamento atual: “Hoje, caminho ao lado da democracia e do presidente Lula. Não porque apaguei o meu passado, mas porque aprendi com ele.” Lemos afirma não ter vergonha de ter mudado. “Vergonha seria perceber que estava no caminho errado e continuar nele apenas por orgulho.”
O perfil carol (@carololivac) republicou o vídeo na tarde de terça-feira (22/set) e escreveu: “Eu simplesmente amo ver pessoas que erraram muito, reconhecem o erro, recalculam a rota e escolhem o caminho da verdade. Por essas e outras eu acredito muito na vitória do presidente Lula no primeiro turno. Bora Lula! E seja bem-vindo, @JulianLemosopb1.”
Dante Raimundo (@RaimundoDante) comentou o mesmo material: “Como toda seita, sempre tem umas ovelhas que se salvam antes do suicídio coletivo. Ex-gay a gente sabe que não existe, mas ex-bolsonaristas não só existem como estarão conosco comemorando a vitória do Lula!”
Em resposta ao post de carol, o usuário Clesifrance Morais escreveu que não pensava votar em Lemos por causa da coordenação da campanha de Bolsonaro no Nordeste, mas que agora o considera “um dos principais aliados de Lula na Paraíba”. Outro comentário, de Cyntials, registrou reserva: “Querendo acreditar mas falta ainda mostrar que vale a confiança.”
O QUE DISSERAM VEÍCULOS SOBRE O VÍDEO
A peça é um chamado a apoiadores de Bolsonaro para “mudarem de rota”. O site reproduziu trechos em que Lemos fala em “travessia”, custo pessoal da mudança e apoio “à democracia e ao presidente Lula”.
O vídeo, de cerca de 2 minutos e 20 segundos, funciona como retrospectiva. Segundo o site, Lemos aparece em imagens ao lado de Bolsonaro e afirma ter sido “o cara que organizava a agenda e a segurança dele, braço-direito mesmo”. A reportagem também registra que a peça o mostra ao lado de Lula.
QUEM É JULIAN LEMOS
Gulliem Charles Bezerra Lemos, conhecido como Julian Lemos, nasceu em 5 de janeiro de 1976, em Campina Grande (PB). Foi deputado federal pela Paraíba de 2019 a 2023.
Em 2018, elegeu-se pelo então PSL com 71.899 votos e coordenou a campanha presidencial de Bolsonaro no Nordeste, segundo a CartaCapital. A ruptura com o grupo ocorreu ainda durante o governo Bolsonaro. Em 2022, tentou a reeleição pelo União Brasil, obteve 36.530 votos e ficou como primeiro suplente.
Em 2026, filiado ao PP, disputa de novo a Câmara. O número de urna informado na bio da conta no X é 1177. A CartaCapital registrou que ele declarou apoio à reeleição de Lula e à candidatura de Lucas Ribeiro (PP) ao governo da Paraíba.
ANTECEDENTES DA MUDANÇA
A aproximação com Lula não começou no vídeo desta semana. Em 20 de fevereiro, a Fonte 83 e o Paraíba Já repercutiram entrevista à Rádio Arapuan FM em que Lemos disse: “Não estou apaixonado, estou louco por Lula.”
Em 18 de junho, a Fonte 83 publicou nota em que o ex-deputado reafirmou o apoio à reeleição. “Votei em Lula no passado para ajudar a derrotar Bolsonaro. Hoje, meu apoio é uma escolha de convicção”, escreveu.
Em 29 de maio, na mesma rádio, segundo a Fonte 83, Lemos rejeitou o rótulo de petista: “Eu estou no antibolsonarismo, não no campo antidireita.” Afirmou que o apoio a Lula se ligava à “estabilidade política” e descreveu o presidente como “um cara da democracia”.
Na sexta-feira (18/set), em ato do movimento Cristãos pela Democracia, em João Pessoa, o Polêmica Paraíba registrou a frase: “Eu estava lá, mas eu não era um deles.” No mesmo evento, Lemos comparou o bolsonarismo a “uma cicatriz de um câncer que eu consegui vencer.”
CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS
Lemos é candidato a deputado federal na mesma eleição em que Lula disputa a reeleição. O gesto do “L” e o vídeo entram na reta final da campanha, quando pesquisas nacionais apontam disputa apertada. A Quaest de 14 de setembro, repercutida pelo Urbs Magna, mostrou Lula à frente no primeiro turno e empate técnico no segundo contra Flávio Bolsonaro.
A análise indica que a repercussão no X trata o caso menos como biografia isolada e mais como símbolo de trânsito político. Os posts localizados celebram a mudança ou pedem prova de confiança. Não há, nas fontes checadas, dado que permita medir quantos eleitores bolsonaristas teriam acompanhado o mesmo percurso.
O calendário oficial segue o da legislação eleitoral: primeiro domingo de outubro para o primeiro turno. A expectativa de vitória “já no primeiro turno”, repetida nos comentários, é declaração de campanha, não resultado apurado.
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