Logotipo do Departamento de Estado dos EUA sobre o continente americano / Imagens reprodução
Brasília (DF) · 22 de abril de 2026
Segundo um relatório produzido em 2025 pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, o papel do Brasil no tráfico internacional de narcóticos é central e estratégico, com o Primeiro Comando da Capital (PCC) sendo apontado como a principal ameaça à segurança nacional do país sul-americano.
O documento traça um panorama detalhado da atuação da facção criminosa, do consumo interno e das rotas do tráfico, além de destacar os esforços de cooperação internacional e os desafios regulatórios enfrentados.
A publicação, que cita o Brasil a partir da página 148 do documento em pdf, define o PCC como a “principal ameaça à segurança nacional do Brasil“.
A organização criminosa opera em “22 dos 27 estados brasileiros e possui presença ativa em pelo menos 16 países ao redor do mundo“, diz o texto, incluindo os Estados Unidos.
De acordo com a peça, na Bolívia, o PCC, em conjunto com cartéis mexicanos e colombianos, aumentou significativamente sua atividade, chegando a controlar áreas em regiões como o Chapare, Beni e Santa Cruz.
E informa que, para combater essa expansão, a polícia brasileira agora mantém um adido permanente em Santa Cruz de la Sierra.
O relatório do Departamento de Estado diz que o Brasil é “o segundo maior consumidor mundial de cocaína, atrás apenas dos Estados Unidos“.
Devido às suas fronteiras com os três maiores produtores de cocaína (Colômbia, Peru e Bolívia), o país serve como um hub estratégico para o trânsito de drogas destinadas à África, Europa e América do Norte.
O relatório observa um aumento substancial no uso de compartimentos externos dos navios (sea chests) para ocultar drogas, especialmente no Porto de Santos, onde essa técnica passou de “2,4% das apreensões em 2019 para mais de 30% nos primeiros nove meses de 2024“.
Além disso, o Brasil é identificado como o “maior produtor de substâncias químicas da América Latina” e uma fonte importante de precursores desviados para a produção de cocaína na Bolívia.
Nos primeiros nove meses de 2024, a Polícia Federal apreendeu “50,9 toneladas métricas de cocaína e 361,6 toneladas de maconha“, diz o relatório. Em coordenação com a polícia paraguaia, foram erradicados “1.177 hectares“ de plantações de maconha.
O Brasil mantém uma cooperação estreita com as agências de aplicação da lei dos EUA, resultando em apreensões recordes, como as “2,2 toneladas de cocaína” interceptadas no Amazonas em maio de 2024.
O país comprometeu-se a reforçar a resposta global às ameaças de drogas sintéticas e está expandindo seu Sistema de Alerta Precoce (EWS) para detectar o surgimento de Novas Substâncias Psicoativas (NPS).
Por fim, o relatório encerra a informação dizendo que o Brasil possui um “framework” regulatório robusto, como a Lei de Produtos Químicos Controlados, e utiliza o sistema nacional computadorizado da Polícia Federal para monitorar a movimentação de “146 produtos químicos“ no país.
E que o país também utiliza o sistema PEN Online da JIFE (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes) para alertar sobre exportações de precursores.
Sobre o relatório geral dos EUA
O Relatório de 2025, com suas 365 páginas que listam 59 países, destaca uma mudança drástica e preocupante nos mercados globais, caracterizada pelo “aumento alarmante na fabricação e consumo de drogas sintéticas“, como o fentanil e novas substâncias psicoativas (NPS), que são “mais fáceis de produzir e esconder do que as drogas de origem vegetal“.
Ao mesmo tempo, a produção de drogas tradicionais atingiu níveis recordes, especialmente a cocaína na região andina (Colômbia e Peru), enquanto o cenário do ópio sofreu uma redistribuição geográfica significativa: após uma proibição rigorosa no Afeganistão que reduziu o cultivo em 95%, a Birmânia (Myanmar) tornou-se a maior produtora mundial da substância.
As rotas de tráfico expandiram-se para partes da Ásia, África e Austrália, com a Europa superando os Estados Unidos na demanda por cocaína.
Um desafio central comum aos países pesquisados é a atuação de organizações criminosas transnacionais cada vez mais sofisticadas, como os cartéis mexicanos (Sinaloa e CJNG) e o PCC brasileiro, que exploram “fronteiras porosas e a corrupção sistêmica” para operar com impunidade em diversos continentes.
Embora o relatório aponte progressos na cooperação internacional por meio de iniciativas como a Coalizão Global para Enfrentar Ameaças de Drogas Sintéticas, muitos governos enfrentam barreiras críticas, incluindo a “falta de recursos técnicos, sistemas judiciais lentos e dificuldades no controle de precursores químicos“.
Esse cenário levou à determinação presidencial de que países como Bolívia, Venezuela e Birmânia “falharam demonstravelmente em cumprir suas obrigações internacionais de controle de narcóticos.”
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