O senador Flávio Bolsonaro, o ex-governador do RJ, Cláudio Castro, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-governador do DF, Ibaneis Rocha, o senador Ciro Nogueira e a jornalista Míriam Leitão | Montagem / Imagens reprodução redes sociais
| Brasília (DF)
17 de maio de 2026, 03h20
A coluna de Míriam Leitão no jornal O Globo acendeu o sinal de alerta para o que se configura como a maior crise de credibilidade da direita brasileira desde a redemocratização.
Sob o título “Tempos difíceis para a direita”, a análise publicada neste domingo (17/mai) disseca como o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se entranhou nas estruturas do bolsonarismo, atingindo em cheio as pré-candidaturas e os principais quadros do campo conservador.
O estopim da crise foi a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro de Vorcaro.
Na conversa, o filho mais velho do ex-presidente utiliza termos que vão muito além de uma relação empresarial. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, afirma o parlamentar, que ainda reclama de “muita parcela para trás” e “muita conta para pagar”, conforme lembra Míriam.
A profundidade da relação levou a colunista a classificar a ligação como de “união estável” entre o político e o banqueiro.
A reação inicial de Flávio foi tentar negar a proximidade. Em coletiva, chamou as acusações de “mentira” e atacou a imprensa. Contudo, a rápida sucessão de fatos obrigou o pré-candidato a mudar de versão.
Em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira (14/mai), Flávio admitiu a possibilidade de existirem vídeos e outros registros dos encontros com Vorcaro.
“Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele”, declarou o filho do condenado e inelegível, tentando minimizar o alcance do escândalo ao afirmar que tudo se restringia à produção de um filme sobre a vida do pai, Dark Horse.
O efeito dominó no centrão e nos governos estaduais
O problema não se restringe à família Bolsonaro. As investigações da Polícia Federal (PF) mostram que Daniel Vorcaro operava uma verdadeira “máfia” financeira, com um rombo estimado em R$ 12 bilhões no Banco Estadual BRB e R$ 55 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), alimentado por recursos da Caixa e do Banco do Brasil, reforça a matéria.
Um dos nomes mais poderosos do Centrão, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, está no olho do furacão. Investigações da Operação Compliance Zero, conduzidas pelo ministro do STF André Mendonça, apontam que Nogueira recebia “mesadas” mensais que variavam de R$ 300 mil a R$ 500 mil pagas por Vorcaro.
A suspeita é de que o dinheiro fosse a contrapartida pela defesa, no Senado, de uma emenda que beneficiaria o Banco Master, aumentando a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
A PF afirma que o texto da emenda foi redigido pela equipe do banqueiro e entregue pronto ao parlamentar.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, considerado por analistas de mercado a “candidatura que não foi”, surge como um dos poucos nomes poupados até agora, mas assiste atônito ao desmanche do seu entorno político.
Já no Rio de Janeiro, o ex-governador Cláudio Castro (PL) vive uma crise paralela. Na sexta-feira (15/mai), ele foi alvo da Operação Sem Refino, da PF, que investiga um esquema de fraudes fiscais bilionárias envolvendo o empresário Ricardo Magro, dono da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), considerado foragido da Justiça.
A suspeita é que a máquina do Estado tenha sido usada para beneficiar o grupo, o maior devedor de impostos do país, em troca de vantagens.
A debandada do mercado e a fuga para a esquerda
O impacto imediato da crise foi sentido no bolso e nas pesquisas. O mercado financeiro, que via na direita uma âncora para a agenda liberal, reagiu com pânico.
No dia da divulgação do áudio, o dólar disparou mais de 2% e o Ibovespa despencou.
A insegurança jurídica e a percepção de que o principal nome da oposição está enredado em um esquema de corrupção de grandes proporções afugentaram investidores.
Flávio Bolsonaro tenta agora apagar o incêndio. O senador embarcou para São Paulo nesta semana para uma rodada de encontros com empresários da Faria Lima na tentativa de acalmar o mercado e sustentar sua candidatura.
A estratégia inclui defender uma “agenda liberal” para tentar descolar a imagem da crise, mas aliados admitem nos bastidores a preocupação com o estrago eleitoral.
Oa números comprovam o desastre. Pesquisas de intenção de voto (trackings) encomendadas por um grande banco e obtidas pela coluna de Lauro Jardim mostram que, antes do escândalo, Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareciam tecnicamente empatados.
Após a revelação da ligação com Vorcaro, Lula abriu uma vantagem de sete pontos percentuais sobre o bolsonarista,
A direita desnorteada
A conclusão da coluna de Míriam Leitão é sombria para o campo conservador. “A direita bolsonarista briga com os outros pré-candidatos da direita que criticaram Flávio. Eduardo Bolsonaro vê a onda que atingiu seu irmão se voltar também contra ele. O ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, finge de morto enquanto o BRB luta para sobreviver”, descreve a análise.
Sob a ótica do Urbs Magna, o episódio expõe a fragilidade de um projeto de poder construído sem lastro institucional e baseado na captura do Estado por interesses privados.
A crise, longe de ser apenas conjuntural, representa um divisor de águas para as Eleições 2026, mostrando que a pauta anticorrupção, que um dia foi a principal bandeira da direita, tornou-se seu calcanhar de Aquiles.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
FAQ Rápido
O que diz o áudio vazado de Flávio Bolsonaro?
O áudio, divulgado pelo The Intercept Brasil, captura o senador Flávio Bolsonaro cobrando dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro. Na conversa, ele utiliza termos como “irmão” e “união estável”, referindo-se a contas atrasadas e à necessidade de pagamento para um projeto de filme.
Como o escândalo Vorcaro afeta as eleições de 2026?
O escândalo derreteu a vantagem eleitoral da direita. Pesquisas internas mostram que o presidente Lula abriu sete pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro após o caso. A crise de credibilidade abala a confiança do mercado e do eleitorado moderado no principal nome da oposição.
Quem mais foi atingido pelas investigações do Banco Master?
Além de Flávio Bolsonaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é investigado por suspeita de receber “mesada” do banqueiro para aprovar emendas. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também é alvo de operação da PF por suspeitas de fraude fiscal com o grupo Refit.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:

Éssa gente toda da “DIREITA ATRASADA” aqui do Brasil está atolada até o tâlo no escândalo do MASTER ou do BolsoMaster… #AcordaBrasil‼️‼️‼️🇧🇷
Se as investigações forem feitas com seriedade todos os políticos de extrema direita serão presos, roubar dinheiro público, é o roby desses escomungados