Brasília (DF)
29 de setembro de 2026
O IBGE informou nesta terça-feira (29/set) que a taxa de desocupação do Brasil ficou em 5,3% no trimestre móvel encerrado em agosto, a menor para esse intervalo desde o início da série da PNAD Contínua, em 2012. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, novo recorde. O resultado chega cinco dias antes do primeiro turno e documenta a trajetória do emprego no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O QUE O IBGE DIVULGOU NESTA TERÇA-FEIRA (29/SET)?
A taxa recuou 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em maio (5,6%) e também 0,3 ponto na comparação com junho-agosto de 2025 (5,6%). O número de desocupados foi estimado em 5,8 milhões — 281 mil a menos que no trimestre até maio e 300 mil a menos que um ano antes. A pesquisa considera desocupada a pessoa de 14 anos ou mais que não tem trabalho e está à procura de vaga.
A população ocupada avançou 0,8% no trimestre, com 774 mil pessoas a mais, e 1% em 12 meses. O nível de ocupação ficou em 58,9%. A força de trabalho, que reúne ocupados e desocupados, chegou a 109,3 milhões, também o maior contingente da série, segundo o g1, o Valor Econômico e o quadro sintético da PNAD disponibilizado pelo próprio IBGE.
O rendimento médio habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.777. O instituto classificou a variação de 0,73 como estabilidade estatística. Em 12 meses, a renda real cresceu 3,7% na comparação com R$ 3.641 até agosto de 2025. A massa de rendimento habitual atingiu R$ 385,6 bilhões, o maior valor da série.
A CARTEIRA ASSINADA CAIU?
Não. O emprego formal privado com carteira — exclusive trabalho doméstico — foi estimado em 39,5 milhões, o maior número da série histórica. A variação de 149 mil postos ante o trimestre até maio ficou dentro da margem de estabilidade da pesquisa. Empregados sem carteira no setor privado somaram 13,7 milhões. Conta própria chegou a 26,1 milhões. Trabalho doméstico, a 5,5 milhões.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, ou 38,8 milhões de pessoas. O percentual subiu 0,2 ponto ante maio (37,3%) e recuou 0,5 ponto em 12 meses (38%). Parte da geração recente de vagas veio da informalidade — leitura que a Folha de S. Paulo colocou no centro da cobertura. Os números do IBGE, contudo, não registram destruição de postos com carteira: o estoque formal privado permanece no teto da série.
O analista da PNAD William Kratochwill atribuiu o avanço da ocupação, segundo o g1, à indústria e à construção. “A indústria passou por um período de redução no último ano, teve alguma estabilidade e, agora, volta a apresentar crescimento”, disse.
IMPORTANTE: A taxa de 5,3% não significa que apenas 5,3% da população adulta esteja sem renda. O indicador mede quem está na força de trabalho e procura ocupação. Quem deixou de buscar vaga não entra no numerador do desemprego. Também não se deve ler a alta pontual da informalidade como perda generalizada de direitos: o estoque de carteira no setor privado segue no recorde da PNAD.
POR QUE A COMPARAÇÃO COM 2022 IMPORTA?
Quando Lula reassumiu a Presidência, em janeiro de 2023, a desocupação ainda girava perto de 8% no encerramento do governo Jair Bolsonaro. Compilações posteriores de veículos como o Brasil 247 situam a taxa de saída do governo anterior em 7,9%. No trimestre até julho de 2022, a Folha registrou 9,1%. O 5,3% de agora, portanto, não é um recuo isolado diante de um único trimestre do próprio governo: é o ponto mais baixo para o intervalo até agosto em 14 anos de PNAD e um patamar inferior ao deixado pela gestão de direita que antecedeu 2023.
A série do atual mandato já havia marcado 5,1% no trimestre até dezembro de 2025, mínimo absoluto da pesquisa. O 5,3% de junho-agosto permanece, ainda assim, o menor resultado já medido para o período que antecede a primavera eleitoral. A análise aponta que essa trajetória coincide com a reconstrução de instrumentos de renda e de demanda interna: reajuste real do salário mínimo, manutenção e ampliação do Bolsa Família, retomada de investimentos públicos e da Petrobras em indústria e infraestrutura, além da geração formal acumulada no Caged desde 2023.
O QUE OS DADOS DIZEM SOBRE RENDA E SUBUTILIZAÇÃO?
A subutilização composta ficou em 13,1%, estável ante o trimestre anterior e um ponto abaixo de 2025. A população subutilizada foi estimada em 15 milhões. Os desalentados — quem gostaria de trabalhar, mas desistiu de procurar — somaram 2,4 milhões, com queda de 11,9% em 12 meses. A subocupação por insuficiência de horas recuou 6,2% no ano, para 4,3 milhões.
Esses recuos importam porque o debate eleitoral costuma tratar o desemprego aberto como único termômetro. A PNAD mostra, ao mesmo tempo, menos gente à margem da procura e massa salarial em máxima histórica. O portal já registrou etapas anteriores dessa curva, quando a desocupação chegou a 5,1% e quando o país operou com desemprego inferior ao de boa parte da Europa.
COMO O RESULTADO ENTRA NA DISPUTA DE 2026?
Esta é a última PNAD mensal antes do primeiro turno de domingo (4). O Correio Braziliense e o O Globo confirmaram os mesmos recortes de ocupação e renda. Analistas de mercado, citados pela Folha, falam em desaceleração gradual da atividade sob juros ainda elevados. Essa leitura não apaga o fato central: o país vota com 5,8 milhões de desocupados, não com os dois dígitos que marcaram a recessão de 2015-2016 nem com o tombo da pandemia.
Sob a ótica deste portal, atribuir o resultado apenas a “inércia demográfica” ou a um ciclo autônomo do setor privado reduz o papel das decisões de política econômica. O salário mínimo com ganho real amplia o piso do mercado formal. Transferências de renda sustentam consumo nas periferias. Obras e encomendas industriais — de fertilizantes a estaleiros — puxam construção e indústria, exatamente os grupamentos citados pelo técnico do IBGE. Os méritos do presidente estão nesses instrumentos, não em um slogan.
Os desafios permanecem visíveis e devem ser nomeados como tais: informalidade ainda elevada, trabalho por aplicativo, pejotização e o envelhecimento da força de trabalho, que alivia a taxa de desemprego ao mesmo tempo em que pressiona a Previdência. Reconhecer esses limites não autoriza tratar 5,3% e 103,5 milhões de ocupados como acaso estatístico.
FAQ Rápido
A taxa de 5,3% é a menor da história da PNAD?
É a menor para o trimestre encerrado em agosto. O piso absoluto da série foi 5,1% no trimestre até dezembro de 2025.
Houve destruição de emprego com carteira?
Não nos dados desta divulgação. O setor privado com carteira (sem domésticos) está em 39,5 milhões, recorde da pesquisa. A variação trimestral ficou na margem de estabilidade.
Quantas pessoas ainda procuram trabalho?
5,8 milhões no trimestre junho-agosto, 281 mil a menos que no trimestre até maio e 300 mil a menos que em 2025.
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