O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master / Foto: SAP-SP/EFE
Berlim (DE) · 01 de abril de 2026
Investigadores à frente das negociações da delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, avaliam que os capítulos do acordo precisam chegar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República em até duas semanas.
O prazo, visto como razoável pelas autoridades, visa preservar a credibilidade do entendimento e impedir que as apurações pareçam estagnadas, conforme reportou O Globo.
O banqueiro permanece na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, local que facilita o contato com a defesa.
O termo de confidencialidade com a PF e a PGR tornou-se público em 19 de março, após o Supremo Tribunal Federal formar maioria para mantê-lo preso.
A homologação do eventual acordo caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.
A Polícia Federal já deixou claro a Vorcaro que qualquer colaboração não poderá ser parcial ou seletiva.
Investigadores cobraram informações completas, inclusive sobre negócios envolvendo ministros do STF, e exigem provas e documentos que vão além do material já colhido nos nove celulares apreendidos, que somam cerca de oito mil arquivos.
A troca de defesa também marcou o avanço das tratativas: o advogado José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, assumiu o caso.
Ele já atuou em acordos de colaboração de grande repercussão. No estágio atual, espera-se que Vorcaro apresente um relato preliminar dos fatos, nomes e elementos que pretende entregar, etapa considerada decisiva para o prosseguimento das conversas.
A delação premiada deve produzir resultados concretos, com identificação de coautores, divisão de tarefas e rastreamento de recursos desviados.
A lei exige que as informações sejam corroboradas por provas; a palavra isolada do colaborador não sustenta acusações.
Caso omita dados relevantes, Vorcaro pode perder todos os benefícios.
O caso envolve suspeita de organização criminosa e fraudes financeiras que teriam causado desvios bilionários.
A celeridade agora exigida reforça o compromisso das instituições com a transparência e a efetividade das investigações, pilares que sustentam a confiança da sociedade no Estado de Direito.
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