
O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, durante entrevista ao GPS em 28.6.2023| Imagem reprodução / GPS TV Brasília/YouTube | O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e a vice-governadora Celina Leão (PP) / Foto: Renato Alves / Correio Braziliense
Brasília (DF), 03 de maio de 2026
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) , Paulo Henrique Costa (PHC), preso na Operação Compliance Zero, formalizou a intenção de confessar crimes em troca de redução de pena.
A proposta de delação anexada aos autos no Supremo Tribunal Federal (STF) inclui não só o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), mas também a atual governadora Celina Leão (PP) e um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) , prometendo reconfigurar o mapa político da capital às vésperas das eleições.
O avanço das investigações revela uma sofisticada engenharia financeira para desviar dinheiro público por meio de operações fraudulentas de crédito.
O cerne da questão não é apenas a sobrevivência do BRB, mas a materialidade dos crimes de responsabilidade fiscal e de improbidade administrativa que assolam o Distrito Federal.
O cardápio de delatores e os nomes de peso
A estratégia de defesa de Paulo Henrique Costa é liderada pelo renomado criminalista Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça.
A sinalização ao STF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) inclui um “cardápio” com cerca de 20 situações de negócios heterodoxos.
Além de Ibaneis Rocha, cujo nome já circulava nos bastidores, a novidade é a citação direta a Celina Leão.
A atual mandatária do Palácio do Buriti aparece como uma das “novidades da lista”. As informações obtidas pela coluna de Lauro Jardim no O Globo indicam que Paulo Henrique Costa afirma possuir provas robustas contra todos os citados.
A delação atinge ainda um dirigente partidário do Centrão, funcionários de carreira do Banco Central (BC) e deputados distritais, embora parlamentares federais fiquem de fora do acordo inicial.
As mensagens e o roteiro do silêncio
O pedido de transferência de Paulo Henrique Costa do complexo penitenciário da Papuda para a superintendência da Polícia Federal (PF) escancara o temor da defesa.
Administrada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a Papuda é vista como um ambiente inseguro para negociar a delação, dado que o alvo principal é justamente o antigo chefe do executivo local.
As investigações da Operação Compliance Zero já haviam flagrado diálogos explícitos entre Paulo Henrique Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master).
Em uma das conversas, Costa afirma ao banqueiro: “Fiz as contas para chegar no valor que combinamos”.
A propina, segundo a PF, era paga na forma de imóveis de luxo, totalizando R$ 146,5 milhões, sendo R$ 74 milhões efetivamente entregues.
Em outro trecho crucial, Costa avisa Vorcaro sobre a pressão política: “O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”.
A frase joga luz sobre o suposto alinhamento entre o ex-governador Ibaneis Rocha e as manobras para adquirir as carteiras podres do Master, negócio que resultou em um rombo bilionário de R$ 12,2 bilhões.
Reações e o jogo de distanciamento
Enquanto a delação não é homologada, os bastidores políticos fervem.
Celina Leão, que tenta se descolar da gestão anterior, afirmou publicamente que “não tinha informações sobre absolutamente nada” e classificou a gestão de Paulo Henrique Costa como “muito ligada a patrocínio de corrida em Dubai, patrocínio de lancha em Miami”.
A governadora, no entanto, enfrenta um dilema cruel. Para salvar o BRB da quebra, sua gestão busca um socorro de R$ 6,6 bilhões.
A ironia é que, para conseguir o aval do Tesouro Nacional, Celina precisa de uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu adversário político declarado, já que ela é aliada da família Bolsonaro e pré-candidata à reeleição.
Ibaneis Rocha, por sua vez, nega qualquer ingerência. Sua defesa sustenta que o ex-governador “não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência” nas operações.
Contudo, as mensagens apreendidas sugerem o contrário, mostrando que Ibaneis cobrava Paulo Henrique Costa para que a compra do Master fosse concluída, alegando que não “suportaria aquele desgaste”.
A expectativa agora é se a PGR aceitará os termos de Paulo Henrique Costa. Se homologada, a delação será um marco na transparência pública e na justiça brasileira, comprovando como negócios escusos entre bancos públicos e privados colocaram em risco a saúde financeira de um ente da federação.
FAQ Rápido
1. Quem é Paulo Henrique Costa?
Paulo Henrique Costa foi o presidente do Banco de Brasília (BRB) entre 2019 e 2025, nomeado por Ibaneis Rocha. Ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por supostamente receber R$ 146,5 milhões em imóveis de luxo para facilitar negócios fraudulentos com o Banco Master.
2. O que é a Operação Compliance Zero?
É uma investigação da Polícia Federal que apura um esquema bilionário de compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master pelo BRB. As transações suspeitas somam R$ 16,7 bilhões e teriam sido usadas para desviar recursos públicos e burlar a fiscalização do Banco Central.
3. Por que Celina Leão está na mira?
Segundo a coluna de Lauro Jardim (O Globo), o termo de delação de Paulo Henrique Costa inclui a atual governadora do DF. Ela era vice na gestão de Ibaneis e responde política e administrativamente pelos atos do governo, sendo apontada como beneficiária ou conivente com o esquema de corrupção no BRB.
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