RESUMO
Brasília (DF)
09 de setembro de 2026
Monitoramentos da Bites e da Datrix mostram volumes próximos e tom negativo para Lula e Flávio Bolsonaro; o placar digital muda conforme o tema e a métrica usada.
O debate presidencial de 2026 nas plataformas digitais não tem um vencedor único. Levantamentos recentes da consultoria Bites, da Datrix e da Palver mostram Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro com volumes próximos em temas quentes e com saldo de sentimento negativo para os dois. Isso importa porque a conversa online já organiza a campanha, a judicialização e o contraste que o eleitor vê no celular.
O que os monitoramentos medem de fato?
Nenhuma consultoria publica um placar oficial de 0 a 100% que some, ao mesmo tempo, X, Instagram, TikTok, Facebook, YouTube, WhatsApp e noticiário. Cada empresa recorta período, plataforma e critério. Volume de menções não é o mesmo que interações. Interações não são o mesmo que sentimento. Sentimento não é o mesmo que número de seguidores.
A síntese possível, com base nas fontes públicas, é outra: quando um indicador favorece Lula, outro costuma favorecer Flávio Bolsonaro. O resultado se equilibra. Não há, nas fontes encontradas, um índice único que declare um campeão absoluto das redes.
Como a crise do STF atingiu os dois candidatos?
Entre 1º e 9 de setembro, a Bites mediu as postagens sobre a crise no STF e encontrou volumes semelhantes para os dois presidenciáveis. Flávio Bolsonaro apareceu em 13,5% das postagens do recorte. Lula apareceu em 12,3%.
O tom foi quase simétrico e predominantemente hostil:
- Lula: 61,5% de menções negativas e 9,2% positivas
- Flávio Bolsonaro: 62,3% negativas e 7,8% positivas
O monitoramento da Bites, obtido com exclusividade pelo Valor Econômico, identificou 9,62 milhões de menções e 318 milhões de interações envolvendo o STF no período. Os temas que puxaram a conversa incluem o contrato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
A Datrix, em recorte de 1º a 4 de setembro obtido pela Exame, descreveu movimento distinto no auge da crise: o saldo de sentimento de Lula piorou de forma contínua, enquanto Flávio ficou menos negativo no pico e voltou a piorar depois. No volume de posts associados ao núcleo do caso, Flávio apareceu mais (85.846 publicações, 15,2%) do que Lula (33.180, 5,9%). Em impressões, a distância encolheu: 2,74 bilhões para o senador e 2,24 bilhões para o presidente.
Quem lidera menções, seguidores e tração?
Na largada oficial da campanha, entre 15 e 16 de agosto, a Palver registrou vantagem de volume para Lula: 63% das menções a presidenciáveis em grupos públicos de WhatsApp, 57% no Instagram e 41% no X. Flávio Bolsonaro ficou entre 28% e 30% nas três arenas.
O mesmo levantamento separou volume de apoio. No X, entre mensagens que tomavam partido, Flávio teve 61% de apoio. Lula ficou dividido, com 47% positivas e 53% negativas. No WhatsApp, nenhum dos dois encerrou o recorte com mais apoio do que ataque; Flávio ficou perto do equilíbrio (49% positivas e 51% negativas).
Em base de audiência, Lula segue à frente. Relatório da Bites reproduzido pela CNN Brasil apontou o petista com 38,9 milhões de seguidores no fechamento do primeiro semestre, contra 21 milhões de Flávio. O senador, no mesmo período, liderou a tração em 21 das 26 semanas analisadas e cresceu mais em números absolutos (5,6 milhões de novos seguidores, alta de 36%, ante 1,8 milhão e 5% de Lula).
Dados mais antigos da própria Bites, de janeiro a fevereiro, já mostravam Flávio com cerca de 76% mais interações do que Lula no recorte do clã e do núcleo governista.
O placar muda quando o tema muda
O confronto Brasil–Estados Unidos, o Pix e a pauta de soberania funcionaram como motor de engajamento para os dois. Levantamento da BBC News Brasil com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados da Universidade Federal do Espírito Santo concluiu que Lula foi o maior beneficiário do discurso de defesa nacional nas redes analisadas. Flávio tratou o tema com alta frequência: quatro das dez publicações mais interativas de suas contas estavam ligadas ao assunto.
Na segurança pública, o quadro recente inverteu uma tendência. Relatório do Instituto Democracia em Xeque com o Instituto Sou da Paz, citado pelo blog de Miriam Leitão em O Globo, registrou 3,5 milhões de posts e 72 milhões de interações sobre o tema entre 30 de agosto e 7 de setembro. Pela primeira vez no monitoramento, Lula liderou o engajamento entre presidenciáveis, com 1.124.242 interações, contra 346.095 de Flávio. Parte do resultado veio de uma publicação sobre o desfile de 7 de setembro, com mais de 400 mil interações.
O caso Master / Vorcaro e o filme Dark Horse pesaram mais sobre Flávio ao longo de 2026. Reportagens da Exame, do Estadão e da Veja documentaram picos de menções negativas após os áudios. Em contrapartida, a base bolsonarista manteve capacidade de resposta e de tração mesmo sob desgaste.
Há um percentual final de 0 a 100%?
Não há, nas fontes públicas localizadas até a quinta-feira (10/set), um índice único, auditável e abrangente que atribua a Lula e a Flávio Bolsonaro fatias complementares de 0 a 100% em "todas as redes" e "todos os tópicos". Inventar esse número seria misturar métricas incompatíveis.
O que os dados permitem afirmar:
- No tema STF, o volume recente é quase empate e o tom é negativo para os dois.
- Em seguidores, Lula vence.
- Em tração semanal e, em vários recortes de interações, Flávio vence.
- Em segurança, o recorte mais recente favoreceu Lula.
- Em apoio explícito no X, a largada da campanha favoreceu Flávio.
- Em volume geral de menções na largada, Lula venceu.
O ambiente digital reproduz a polarização já vista nas pesquisas eleitorai reportadas pelo Urbs Magna: vantagem de um lado em um indicador, compensação do outro em indicador diferente. O complemento estatístico existe entre métricas, não dentro de uma urna virtual única.
As campanhas, segundo o R7 e a Folha, montaram centrais de monitoramento 24 horas e judicializaram o conteúdo rival. O TSE já determinou remoções simétricas de posts que associavam os dois nomes a facções. A disputa online, portanto, não é só de curtida. É também de regra, de alcance e de narrativa institucional.
O que acontece agora?
Faltam menos de quatro semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Novos fatos — operação da Polícia Federal, peças de horário eleitoral, atos de rua e decisões do STF — alteram o feed no mesmo dia. Qualquer placar de redes envelhece rápido. O dado mais estável, neste momento, não é a vitória de um nome. É a simetria do desgaste e a especialização de cada campanha em um tipo de métrica.
FAQ rápido
Quem está ganhando nas redes, Lula ou Flávio Bolsonaro?
Depende da métrica. Lula lidera seguidores e, em recortes recentes, volume de menções e engajamento sobre segurança. Flávio Bolsonaro lidera tração em várias semanas e, em alguns recortes, interações e apoio explícito no X.
O sentimento nas redes é positivo para algum dos dois?
Nos recortes da Bites sobre a crise do STF (1º a 9 de setembro), não. Os dois tiveram cerca de 62% de menções negativas e menos de 10% de positivas.
Dá para transformar isso em um placar de 100%?
Não com rigor. As consultorias medem coisas diferentes. Um índice único de 0 a 100% para "todas as redes" não foi publicado pelas fontes confiáveis localizadas.
O levantamento da Bites publicado pelo Valor nesta quinta-feira (10/set) não inclui a repercussão do mesmo dia sobre a operação da PF contra o deputado Mario Frias (PL-SP), ligada à produtora de Dark Horse.
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