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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    08 de outubro de 2026

    Um site lançado na terça-feira (6/out) passou a distribuir o token B22 a quem compartilhar mensagens e vídeos de apoio ao voto 22 de Flávio Bolsonaro. A peça de maior alcance mostra crianças de Uganda cantando pedido de voto, a 17 dias do segundo turno de 25 de outubro.

    O QUE A FOLHA REVELOU?

    A reportagem de Patrícia Campos Mello na Folha de S.Paulo descreve um site de criptomoedas que oferece tokens a usuários que publiquem a mensagem B22 e conteúdos com incentivo de voto no senador. O veículo registra que a empresa nega ligação oficial com o candidato e que a campanha, procurada, não havia comentado.

    A divulgação corre pelo perfil hyperskidsafrica, no Instagram, com 12,9 milhões de seguidores, apresentado como arrecadador de recursos para construir casas a crianças em Uganda. Num vídeo, crianças dançam com camisetas amarelas escritas “B22 token” e cantam “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”. Na contagem da Folha, a peça tinha 1,2 milhão de visualizações. Reproduções posteriores, como a do Mundo Negro e a do BNews, citaram marcas mais altas, de cerca de 2 milhões e de 3,1 milhões. O Urbs Magna registra a divergência e adota 1,2 milhão como o número da reportagem original.

    No mesmo vídeo, as crianças dizem: “Por favor, confiem em Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal”. E completam: “O propósito do novo token é ajudar o Brasil. Dê uma chance, vote diferente”. O site afirma que parte das vendas financiaria projetos para essas crianças. Também se descreve como “um movimento que une apoio ao voto 22” e sustenta que “o Brasil 22 Token defende o voto 22 por acreditar nessa proposta para um Brasil melhor”.

    COMO O TOKEN É DISTRIBUÍDO?

    O participante cria uma carteira digital, publica nas redes que integra a comunidade B22 e envia o link para validação. A contrapartida é um airdrop, distribuição gratuita de unidades do token, cuja valorização é apresentada como benefício. Segundo o Diário do Centro do Mundo, o ativo foi lançado na rede Solana, com oferta informada de 1 bilhão de unidades, parcelas destinadas ao grupo, ao marketing, à equipe e a recompensas.

    A Folha localizou o domínio com registro privado. Nos perfis de Kevim Flores, no X e no Instagram, há publicações do lançamento, de urnas com o 22 e de projeção de valorização até uma eventual vitória de Flávio no segundo turno. A reportagem da Folha registra que Flores não se identifica com clareza como dono do site. O DCM o trata como idealizador e divulgador. O BitNotícias relata projeção, em post de Flores, de alta superior a 3.000% até o segundo turno. Nenhuma dessas peças, por si, comprova titularidade do domínio.

    IMPORTANTE: A reportagem não estabelece que a campanha oficial de Flávio Bolsonaro opere o site, financie o token ou tenha contratado o vídeo. O próprio projeto nega vínculo com o candidato, com o PL e com a campanha, e afirma que a distribuição não depende da preferência eleitoral de quem participa. O que está documentado é o uso do número 22, do nome do senador e de crianças em peça de alcance massivo, com recompensa em cripto para quem republicar. Coordenação, doação oculta ou benefício eleitoral exigem apuração da Justiça Eleitoral. Não são conclusão automática da existência do site.

    O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS?

    O advogado eleitoral Hélio Silveira, que chefiou a equipe jurídica de Tabata Amaral na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2024, disse à Folha: “Trata-se da mesma lógica e estrutura do que Marçal fazia — oferece incentivos financeiros para as pessoas divulgarem a campanha e o candidato”. Silveira apontou, ainda, o risco de a estrutura ser lida como doação de pessoa jurídica, vedada, caso a plataforma use incentivo financeiro para fazer propaganda do voto 22.

    O precedente citado é o de Pablo Marçal. Reportagens que repercutiram a Folha, entre elas a do Imprensa Pública, registram que o TRE-SP manteve em 2025 a inelegibilidade de oito anos de Marçal por campeonatos de cortes com prêmio a quem divulgasse a candidatura. A comparação é dos especialistas e dos veículos. Não é uma decisão já tomada sobre o B22.

    GLEISI HOFFMANN E OUTRAS LIDERANÇAS REGEM

    Publicação de Gleisi Hoffmann em seu canal no WhatsApp afirma: “Criptomoedas, crianças de Uganda e propaganda eleitoral para Flávio Bolsonaro. É muito grave o que a imprensa está revelando! Uma plataforma oferece moedas digitais a quem divulga conteúdos de apoio ao candidato, inclusive vídeos com crianças africanas pedindo votos. São irregularidades eleitorais. O caso já foi levado à Procuradoria-Geral Eleitoral e precisa ser investigado com rigor. Não se pode transformar propaganda eleitoral em negócio, muito menos envolver crianças nesse tipo de operação!”

    No X, Marcelo Freixo escreveu, nesta quinta-feira (8/out), que a prática “é crime eleitoral” e a equiparou à que tornou Marçal inelegível.

    No X, Marcelo Freixo escreveu, nesta quinta-feira (8/out), que a prática “é crime eleitoral” e a equiparou à que tornou Marçal inelegível. Guilherme Boulos também trata o caso como compra de votos e cobra doTSE.

    Guilherme Boulos também trata o caso como compra de votos e cobra doTSE.

    POR QUE ISSO IMPORTA NO SEGUNDO TURNO?

    O segundo turno está marcado para 25 de outubro. A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro já havia chegado ao Tribunal Superior Eleitoral por peças de horário eleitoral. O caso do B22 desloca o problema para fora do horário gratuito: recompensa em ativo digital, alcance de um perfil estrangeiro de milhões de seguidores e participação de crianças numa mensagem de voto.

    A análise aponta que a eleição brasileira fica exposta quando a propaganda migra para um incentivo privado, opaco e transnacional. O eleitor não sabe quem controla o domínio, quanto do recurso chega a Kampala e se a campanha se beneficia de modo coordenado. Sem essa resposta, o princípio de que o voto não se compra e de que criança não é peça de campanha permanece só no papel.

    O QUE A CAMPANHA E O SITE RESPONDERAM?

    A Folha registrou que a campanha informaria uma posição e, até a publicação, não havia comentado. O Cafezinho manteve essa pendência ao repercutir o jornal. O Mundo Negro, citando a CBN, registrou a negativa de vínculo oficial e a tese do site de que a distribuição não configura doação eleitoral. Pablo Marçal comentou a publicação das crianças com o número 22 e com a frase “bora meus amigos”, segundo o Mundo Negro. Não há, nas fontes consultadas, nota do PL assumindo ou repudiando o token.

    O QUE FICA EM ABERTO?

    Quem é o titular do domínio. Se a campanha conhecia o vídeo antes da Folha. Se algum real, ou fração de token, chegou às casas em Kampala. Se a Procuradoria-Geral Eleitoral recebeu representação, como afirma o texto atribuído a Gleisi. E se o TSE tratará o airdrop como propaganda irregular, doação vedada ou abuso de poder econômico. Até esta edição, nenhuma dessas respostas estava publicada em fonte primária.

    FAQ Rápido

    O site B22 é da campanha de Flávio Bolsonaro?
    Não há comprovação disso. O site nega vínculo oficial. A campanha não havia se manifestado quando a Folha publicou a reportagem.

    Crianças de Uganda pedem voto no 22?
    Sim, no vídeo descrito pela Folha. Elas usam camiseta “B22 token”, cantam “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro” e citam Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro e Pablo Marçal.

    Isso já foi julgado pelo TSE?
    Não. Especialistas apontam semelhança com o modelo que levou à inelegibilidade de Pablo Marçal. Não há, nas fontes desta apuração, decisão do TSE sobre o B22.

    Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes confiáveis confirmarem nota da campanha, protocolo na Procuradoria-Geral Eleitoral ou decisão do TSE.



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