Brasília (DF)
20 de outubro de 2026
O requerimento de criação de uma CPMI para investigar o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o advogado Willer Tomaz já reúne 100 assinaturas, segundo o líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC). O número, anunciado nesta terça-feira (20/out), representa mais da metade das 198 necessárias para protocolar o pedido e pressiona a oposição a adotar a mesma postura de transparência que a base governista assumiu em relação a outra comissão.
O QUE ACONTECEU NESTA TERÇA-FEIRA?
Pedro Uczai afirmou à imprensa que o requerimento, de autoria conjunta com o líder do PT no Senado, senador Camilo Santana (PT-CE), contabiliza 85 deputados e 15 senadores. Nenhum signatário é da oposição. Os partidos que apoiam o pedido incluem PT, PCdoB, PSol, PSD, MDB, PDB e Podemos. Para protocolar uma CPMI são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores. Atingido o quórum, cabe ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), ler o requerimento em sessão conjunta para autorizar a instalação.
Uczai cobrou reciprocidade da oposição. Segundo o Correio Braziliense, ele declarou: “Em nome da democracia, transparência e isonomia, queremos que a direita e o time de Flávio tenham a mesma postura que nós. (…) Porque não assinariam? Tem alguma coisa a esconder e investigar?” O parlamentar afirmou ainda que pretende procurar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para priorizar a leitura dos dois requerimentos de CPMI quando o número mínimo for atingido.
POR QUE A CPMI MIRA FLÁVIO E WILLER TOMAZ?
A comissão proposta pretende apurar os vínculos de Flávio Bolsonaro com o caso do Banco Master e com o escândalo de descontos indevidos em benefícios do INSS. Flávio é alvo de dois inquéritos no STF. Um deles, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o pedido de recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O outro, distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e o advogado Willer Tomaz.
A Polícia Federal aponta indícios de que Flávio esteve cadastrado como “usuário master” em conta de uma offshore de Tomaz em Portugal (Alcazar Holdings). Empresas ligadas ao advogado teriam custeado viagens de jatinho do parlamentar e de familiares. Willer Tomaz também é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS. Ambos negam irregularidades e classificam a relação como amizade entre famílias.
IMPORTANTE: A coleta de 100 assinaturas não instala a CPMI automaticamente. O requerimento ainda precisa atingir 198 apoios (171 deputados e 27 senadores) e ser lido em sessão conjunta pelo presidente do Congresso. Mesmo depois disso, a instalação depende de despacho da Mesa.
A RECIPROCIDADE COM A CPMI DA OPOSIÇÃO
A base do governo orientou seus parlamentares a apoiar também o requerimento da oposição para investigar a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha). Segundo Uczai, ele próprio, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e Camilo Santana assinaram o pedido da oposição. O argumento do PT é de que não há receio de apurações e que a transparência deve valer para todos os lados.
Em post publicado no X nesta terça-feira, Uczai destacou que, até o início da manhã, a oposição não havia assinado o requerimento sobre Flávio. Ele questionou publicamente a ausência de adesões do campo opositor e desafiou seus líderes a demonstrarem a mesma disposição de investigação.
ANTECEDENTES E DESDOBRAMENTOS
As investigações da PF sobre Willer Tomaz ganharam projeção pública nas últimas semanas, após reportagens do UOL e de outros veículos revelarem e-mails e documentos que indicam proximidade operacional entre o advogado e Flávio. O caso se soma a apurações anteriores sobre o financiamento de Dark Horse e a conexões apontadas em relatórios da CPMI do INSS.
A análise aponta que a mobilização por uma CPMI mista, a poucos dias do segundo turno, coloca sob o mesmo holofote institucional tanto os vínculos do candidato do PL quanto a disposição da base governista de aceitar escrutínio recíproco.
A criação da comissão, se ocorrer, dependerá da capacidade de articulação para completar as assinaturas e da priorização na fila de requerimentos pendentes. O desdobramento imediato é a pressão política sobre a oposição para responder ao chamado de isonomia.
FAQ Rápido
Quantas assinaturas faltam para protocolar a CPMI de Flávio e Willer Tomaz?
Faltam 98 assinaturas para atingir o mínimo de 198 (171 deputados e 27 senadores). Até o momento são 85 deputados e 15 senadores.
O que a CPMI pretende investigar exatamente?
Vínculos de Flávio Bolsonaro com o caso do Banco Master (financiamento do filme Dark Horse) e com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas ligadas a fraudes no INSS e movimentações em bets.
A oposição já assinou o requerimento?
Segundo Pedro Uczai, nenhum parlamentar da oposição assinou até o anúncio desta terça-feira. O PT cobrou publicamente a adesão.
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