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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Balneário Camboriú (SC)
    23 de setembro de 2026

    A Câmara de Balneário Camboriú recusou na terça-feira (22/set) o pedido de Jair Renan Bolsonaro (PL) para abonar falta e evitar desconto no salário. O vereador Marcelo Achutti (MDB) votou contra e disse que o colega recebeu R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral.

    O requerimento foi apresentado com base no Regimento Interno da Casa. O texto prevê que o subsídio seja dividido pelas reuniões ordinárias do mês e que o valor correspondente à ausência seja descontado, salvo motivo justificado aceito pela maioria do plenário. O pedido caiu por 10 votos a 5. O Estadão registrou ainda uma abstenção.

    O FILHO “04” E O PEDIDO DE ABONO

    Jair Renan, de 28 anos, é vereador em primeiro mandato e candidato a deputado federal por Santa Catarina. Foi eleito em 2024 com 3.033 votos, o mais votado da cidade, usando o nome de urna “Jair Bolsonaro”. O salário bruto do cargo é de R$ 18.218,84.

    No documento, ele alegou “motivo de ordem pessoal”. Reportagens do O Globo e do Brasil 247 apontam ausências nas sessões de 16 e 18 de setembro. O Estadão destacou a sessão de 16 de setembro e estimou desconto de R$ 2,2 mil.

    “CRIA VERGONHA NA CARA”

    Ao votar contra, Achutti disse defender bandeiras de direita, mas considerou o pedido injustificável em plena campanha. “Recebeu R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral e ainda quer que nós abonemos, vai criar vergonha na cara”, afirmou, segundo o Estadão.

    A fala completa, reproduzida pelo O Globo e pelo Metrópoles, inclui o trecho em que o emedebista cobra o mesmo procedimento adotado por outros candidatos: “Está em campanha eleitoral, faça igual aos demais. Eu, quando fui candidato, me licenciei e dei vaga ao suplente.”

    O valor de R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral do PL consta de dados do TSE citados pelo Metropóles na segunda-feira (21/set). A coluna de Igor Gadelha informou que Jair Renan já havia repassado R$ 25 mil desse montante a um aliado.

    A RESPOSTA DE JAIR RENAN

    Ao final da sessão, o vereador do PL pediu a palavra. Disse que falta quase toda quarta-feira para visitar o pai, Jair Bolsonaro, a quem chamou de “preso político”. “Não entendo o que tem a ver com o meu fundo eleitoral, vereador. Eu não pego o fundo eleitoral para fazer bagunça. Eu pego para fazer minha campanha e o que sobrar eu devolvo”, declarou, conforme O Globo.

    O Estadão procurou a defesa do ex-presidente, que não confirmou a visita na quarta-feira anterior.

    ANTECEDENTES DAS FALTAS

    Em julho, Jair Renan já havia sofrido desconto de R$ 4.554,71 por duas ausências sem justificativa formal, nos dias 14 e 15. Recebeu R$ 13.664,13 naquele mês, segundo o portal de transparência da Câmara, em reportagens da CNN Brasil e do O Globo.

    Até 26 de agosto, o vereador esteve presente em 51 das 70 sessões realizadas no ano e faltou a 19, das quais justificou cinco, de acordo com o mesmo levantamento. O vereador Eduardo Zanatta (PT) pediu que ele deixasse a Comissão de Segurança Pública: das 12 reuniões entre janeiro e junho, Jair Renan teria ido só às três primeiras.

    O Diarinho registrou que o clima no plenário subiu de tom. Achutti disse ter sido ameaçado e questionou a presença de seguranças que acompanham o colega. Jair Renan respondeu que os homens são voluntários e não estavam armados. A redação não localizou, nas fontes consultadas, registro oficial que comprove ameaça ou porte de arma no recinto.

    CONTEXTO ELEITORAL

    A discussão ocorre no primeiro mandato de Jair Renan e no meio da campanha de 2026. Reportagem anterior do Estadão descreveu atuação discreta na Câmara: quatro projetos aprovados em cerca de um ano e meio, nenhum implementado até aquela publicação, e uma proposição copiada de São Paulo sem crédito à autora original.

    O vídeo da sessão circulou nas redes na noite de terça-feira (22/set). O vereador de Belo Horizonte e candidato a deputado federal por Minas Gerais Pedro Rousseff (PT) republicou o trecho e classificou o episódio como “vexame”. A postagem é opinião política e não altera o resultado da votação.


    A análise aponta um choque entre regra municipal de assiduidade e calendário de campanha. O plenário aplicou o desconto. Não há, nas fontes verificadas, decisão judicial nova sobre o caso nem confirmação independente da visita a Brasília na data alegada.

    FAQ Rápido

    O que a Câmara decidiu sobre a falta de Jair Renan?
    Rejeitou o abono por 10 votos a 5, com uma abstenção segundo o Estadão. A ausência deixa de ser considerada justificada para efeito de salário.

    Por que Marcelo Achutti criticou o pedido?
    O vereador do MDB disse que Jair Renan está em campanha, recebeu R$ 3 milhões do Fundo Eleitoral e deveria licenciar-se, como ele próprio fez ao se candidatar.

    Qual justificativa Jair Renan apresentou?
    Alegou visita ao pai nas quartas-feiras. A defesa de Jair Bolsonaro não confirmou ao Estadão a presença do filho na quarta-feira anterior.

     



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