ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
```html ```
Avançar para o conteúdo
RESUMO
URBS MAGNA


Brasília (DF)
05 de novembro de 2026

O The New York Times publicou entrevista de 75 minutos com o senador Flávio Bolsonaro, realizada em Miami, na qual o político relatou a própria fuga do Brasil após a derrota eleitoral, rejeitou o resultado sem apresentar provas e afirmou que decidiu deixar o país para não enfrentar o mesmo destino do pai. O veículo permitiu que ele falasse livremente e, em seguida, contrapôs cada afirmação com os fatos documentados sobre a tentativa de golpe, a prisão de Jair Bolsonaro e a ausência de evidências de fraude.

Flávio Bolsonaro contou que estava saindo do condomínio onde o pai cumpre prisão domiciliar quando as autoridades o informaram que tinha 24 horas para entregar os passaportes. Segundo o relato ao jornal, o pai, com os olhos marejados, teria dito: “Você já sabe onde isso vai dar, não sabe?” Ele respondeu que sabia e estava preparado. Horas depois publicou vídeo prometendo entregar os documentos e liderar a oposição. Em seguida desapareceu e reapareceu em Miami cerca de 42 horas mais tarde.

O senador declarou que realizou a viagem de aproximadamente 8 mil quilômetros inteiramente por conta própria. “Fui eu que fiz tudo”, afirmou. “Não tive ajuda absolutamente de ninguém, de nenhum governo.” E acrescentou: “Como cheguei aqui, vou levar comigo para o túmulo.” Autoridades americanas, segundo o The New York Times, indicaram que um funcionário da Casa Branca providenciou o jatinho e que a entrada nos Estados Unidos foi autorizada pelo presidente Trump.

POR QUE A ENTREVISTA IMPORTA?

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é alvo de investigações relacionadas a lavagem de dinheiro e corrupção, mas ainda não foi formalmente acusado. Quando o mandato de senador terminar no início de 2027, perderá a imunidade parlamentar. O pai enfrenta pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado após a derrota de 2022 para Luiz Inácio Lula da Silva. O irmão Eduardo Bolsonaro também deixou o Brasil e foi condenado por defender interferência do governo Trump no julgamento do pai.

O próprio partido de Flávio aceitou o resultado eleitoral. Ele, porém, insistiu que a derrota para Lula seria “matematicamente impossível” e que “perdi para o sistema”. Repetiu teorias já desmentidas sobre as urnas eletrônicas, sistema considerado por especialistas internacionais um dos mais seguros do mundo. Questionado sobre as alegações, disse: “Tenho minhas suspeitas. Ninguém pode dizer com 100% de certeza que estou certo, nem com 100% de certeza que estou errado.”

O QUE O JORNAL CONTRAPÔS?

O The New York Times registrou que Lula venceu por margem ampla de 4,4 milhões de votos. A extensão do horário de votação, reclamada por Flávio, foi pedida por ambos os candidatos por causa de chuvas e atrasos de ônibus e afetou apenas 34 mil votos. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou as acusações. Observadores internacionais atestaram a integridade do processo e dezenas de países reconheceram o resultado. Lideranças do próprio partido de Bolsonaro afirmaram não haver evidências de fraude. Poucos brasileiros foram às ruas.

Quatro anos antes, as alegações do pai geraram acampamentos e a invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Agora o cenário é diferente. Flávio planeja contestar a vitória judicialmente, embora reconheça chances pequenas, e apoiar aliados que defendem redução da maioridade penal e anistia para o pai e os envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

IMPORTANTE: As alegações de fraude eleitoral feitas por Flávio Bolsonaro não foram acompanhadas de provas na entrevista. O The New York Times registrou que o TSE, observadores internacionais e o próprio partido do senador não identificaram irregularidades capazes de alterar o resultado. A diferença de votos foi de 4,4 milhões.

COMO TRUMP APARECE NO RELATO?

Flávio não criticou Trump por não ter reconhecido a vitória de Lula e por ter dito apenas que as eleições pareciam “estranhas”. Afirmou que o presidente americano “não tomou partido, o que é a atitude correta” e agradeceu por permitir a permanência nos Estados Unidos. A equipe mantém esperança de encontro na Conferência de Ação Política Conservadora em Mar-a-Lago, apesar de Trump ter declarado que não tinha planos de se reunir com ele.

O senador evitou responder se pretende pressionar o governo americano por novas medidas contra o Brasil. No ano passado Trump usou tarifas e sanções para tentar influenciar o processo contra o pai. Neste ano o Departamento de Estado classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Flávio, a esposa e as duas filhas poderão permanecer nos Estados Unidos por pelo menos um ano sob modalidade migratória geralmente concedida por razões humanitárias. O irmão Eduardo mora no Texas e já recebeu green card. Após a vitória de um democrata no governo do Texas, Paulo Figueiredo sugeriu a Flórida como base natural para a família. Flávio disse que a família está se adaptando e que espera que a situação seja temporária: “Precisarei seguir com minha vida a partir dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto.” Não descartou voltar à política: “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”

A análise aponta que o The New York Times realizou o que veículos brasileiros não fizeram: deu espaço integral ao senador e, imediatamente depois de cada declaração, inseriu o contexto factual sobre a ausência de provas, a condenação do pai por tentativa de golpe e a aceitação do resultado pelo próprio partido. O enquadramento também situou a entrevista no contexto da postura de Trump em relação ao Brasil.

A cientista política e analista internacional Larissa (@laridiniz) afirmou, em publicação no X, que o The New York Times teve a coragem de fazer o que nenhum veículo local fez: convidou Flávio Bolsonaro para uma entrevista sem censuras, deixou-o falar e, na reportagem completa, apontou todos os absurdos logo depois de cada citação, além de pintá-lo de fujão e a família de conspiracionista. Segundo ela, o jornal ainda expôs todas as acusações que ele, o irmão e o pai enfrentam, lembrou aos leitores que Jair Bolsonaro está preso por tentar dar um golpe de Estado após perder as eleições para Lula e que alimentou teorias da conspiração sobre o sistema eleitoral. Larissa destacou ainda que a reportagem foi conduzida com um plano de fundo de crítica a Trump e à forma como ele lida com a situação, quase como um lembrete de que “esse é o tipo de coisa que o presidente permite que aconteça com a ajuda do governo dos EUA”, e concluiu que “deram corda pro cara se enforcar e ele caiu igual um pato”.

FAQ Rápido

Flávio Bolsonaro foi acusado formalmente?
Não. Ainda não há acusação formal, mas ele perde a imunidade parlamentar no início de 2027.

O partido dele contestou o resultado?
Não. O partido aceitou o resultado eleitoral. Flávio é quem rejeita a vitória de Lula sem apresentar provas.

Quantos votos separaram Lula de Flávio?
Lula venceu por 4,4 milhões de votos, segundo o relato do The New York Times.


SIGA NAS REDES SOCIAIS




Compartilhe via botões abaixo:

2 comentários em “Flávio Bolsonaro “cai igual um pato” em armadilha do The New Tork Times, que aponta absurdos após cada fala”

  1. A mesma conversa do pai, que as urnas, o sistema, o judiciário, abuso econômico do presidente. Pior que o mentiroso não teve ajuda e agiu sozinho. Até agente do Mosad veio para sua fuga .

Comente com moderação

文