Brasília (DF)
05 de outubro de 2026
Oteólogo Leonardo Boff escreveu nesta segunda-feira (5/out) que artistas, intelectuais e celebridades não dão voto e pediu que a televisão ouça trabalhadores sobre o que Lula significou na vida deles. O recado chega no primeiro dia útil da campanha de segundo turno, com Flávio Bolsonaro à frente nas urnas.
O QUE BOFF ESCREVEU?
O religioso afirma que artistas e celebridades não têm credibilidade, sendo vistos como parte do sistema, e sugere que a mídia deve dar voz a pessoas comuns que enfrentam dificuldades, pois suas histórias podem impactar e convencer outros em situações semelhantes sobre a importância de LULA.
O professor Ivan (@ivan) concorda com Boff.
O primeiro turno foi no domingo (4/out). Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro (PL) tinha 47,03% dos votos válidos e 56,1 milhões de votos; Lula (PT), 45,16% e 53,9 milhões.
A diferença ficou abaixo de dois pontos percentuais, a menor de um primeiro turno presidencial desde a redemocratização, no registro do jornal.
Lula classificou o resultado como inesperado e disse que, a partir desta segunda-feira, começa uma nova campanha, na qual pretende mostrar a diferença de propostas. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Na noite desta segunda, Lula mandou um recado ao Brasil, citando a Rede Globo: “Se preparem porque nós venceremos as eleições no outro turno, conforme registrou o Urbs Magna.
Nesse intervalo de três semanas, o post desloca o debate da adesão de nomes conhecidos para o tipo de voz que, na leitura de Boff, falaria a um eleitorado que ele descreve como distante de celebridades.
ARTISTAS JÁ TINHAM ENTRADO NA CAMPANHA
Um vídeo do coletivo 342 Artes, organizado por Paula Lavigne, mostra Caetano Veloso, Gilberto Gil, Xamã, Paulinho da Viola, Sophie Charlotte e Malu Mader, repetindo “bora, Lula”.
Maria Bethânia declarou voto em show no Coala Festival, em São Paulo, no dia 12 de setembro.
Na sexta-feira (2/out), um novo clipe reuniu 27 nomes, entre eles Chico Buarque, Alcione e Daniela Mercury.
Leonardo Boff, nome literário de Genézio Darci Boff, nasceu em 14 de dezembro de 1938, em Concórdia (SC), e é um dos formuladores da Teologia da Libertação, segundo biografia pública e o currículo do próprio autor. Foi professor de teologia em Petrópolis (RJ) e deixou o sacerdócio franciscano em 1992.
A ideia de que o voto se decide na experiência de quem saiu da pobreza não é nova na fala dele. Em ato com artistas e intelectuais no Rio de Janeiro, em 15 de setembro de 2014, disse que, com Lula e Dilma, “não houve alternância de poder, houve alternância de classe social”, conforme registro do Plantão Brasil, a partir do Pragmatismo Político.
Em entrevista de 2019 à TV 247, reproduzida pelo Brasil 247, atribuiu a Lula a frase de que queria devolver dignidade a quem vinha da fome.
Nesta eleição, Boff já havia ligado a identificação dos pobres ao próprio candidato. Em 1º de outubro, escreveu que a entrevista de Lula no Flow mostrava alguém que passou fome, moradia precária e enchente, e que os pobres se reconheceriam nisso. O post desta segunda-feira (5/out) desloca essa identificação: não basta o candidato contar a própria história; outros “lascados da vida” deveriam contá-la na TV.
O QUE A DISPUTA DEIXA EM ABERTO
A abstenção do primeiro turno chegou a 21,07% do eleitorado. Parte relevante do segundo turno será disputada entre quem não votou, votou em branco ou nulo e quem escolheu nomes eliminados, como Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado. Boff não apresenta plano de mídia nem lista de entrevistados. Aponta um público — trabalhadores que relatam luta e conquista — e uma tese: esse relato convenceria “semelhantes que são milhões”.
O post de Boff funciona como correção de rota interna ao campo de Lula. Celebridades amplificam; eleitores de baixa renda decidem volume, segundo o autor da ideia. As duas coisas podem coexistir, e o texto do teólogo não demonstra que uma anule a outra. O que ele faz é recolocar, no dia em que a campanha recomeça, a pergunta sobre quem ocupa o microfone até 25 de outubro.
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