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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Rio de Janeiro (RJ)
    22 de setembro de 2026

    Anielle Franco afirmou na segunda-feira (21/set) que dinheiro público chegou a presos envolvidos na morte de Marielle Franco e cobrou respostas de quem pretende governar o país. A postagem reage a reportagens sobre uma emenda de Flávio Bolsonaro.

    A irmã de Marielle, candidata a deputada federal pelo PT, expressou sua indignação pelo uso de dinheiro público por presos envolvidos na morte de sua irmã, exigindo respostas e afirmando que a memória de Marielle não será apagada. Ela questionou por que Flávio destinou recursos públicos a esses presos.


    A postagem expressa a reação da familiar da vereadora. O fato documentado pelas reportagens e pela Polícia Federal é o envio, em 2023, de emenda a uma ONG após interlocução com Robson Calixto Fonseca, o Peixe, depois condenado por organização criminosa no mesmo processo.

    O QUE AS REPORTAGENS TROUXERAM NESTA SEGUNDA

    A piauí e o Estadão publicaram nesta segunda-feira (21/set) mensagens extraídas do celular de Peixe. Nelas, o então assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio trata Flávio como “nosso senador” e pede apoio orçamentário ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, com sede na Taquara, Zona Oeste do Rio.

    Segundo a piauí, em 24 de outubro de 2023 Peixe escreveu à assessora Maria de Fátima Bezerra Castro: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.” A interlocutora, salva no aparelho como “Fafá Flávio Bolsonaro”, pediu o envio da solicitação. Dois dias depois, ela o convidou para cerimônia do gabinete e orientou: “Vc vai tbm e já reforça o pedido com senador.” Também perguntou se ele ainda estava com o então deputado Chiquinho Brazão e sugeriu que o levasse.

    Em 6 de novembro de 2023, Peixe voltou a cobrar: “não esquece do Ifop não, vê se o Senador consegue nos agraciar, para não terminar o nosso projeto.” A assessora respondeu: “Pode deixar.” Em 29 de novembro de 2023, o Ifop recebeu R$ 199.999,79. O valor sai da Emenda Parlamentar nº 92190012−2023, de autoria de Flávio Bolsonaro, no total de R$ 199.999,79. A parcela do instituto passou pelo Ministério do Esporte e originou o Termo de Fomento nº 941246/2023, para o projeto Jogadores do Futuro.

    A CBN confirmou o núcleo das mensagens. O Valor Econômico registrou outra cobrança, em 22 de março de 2024, dois dias antes de Peixe ser alvo de busca na Operação Murder Inc.: “consultamos as destinações parlamentares e não tinha nada do nosso senador, porém estamos no aguardo.”

    QUAL É A POSIÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO

    A campanha do senador, candidato do PL à Presidência, confirmou a emenda e afirmou que o repasse ocorreu “dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte”. Disse ainda que a entidade apresentou notas fiscais, devolveu valores não utilizados e que “a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar”. Eventuais irregularidades, segundo a nota reproduzida pela CBN e pelo Estadão, “devem ser apuradas pelos órgãos de controle”.

    O Ifop, de acordo com a piauí, afirmou que nunca fez contato direto com Flávio e que sua assessoria apresentou projetos a gabinetes. A entidade negou vínculo com Peixe e com os irmãos Brazão em manifestações anteriores, quando a emenda veio a público.

    O QUE A PF JÁ APURAVA DESDE MAIO

    Em 20 de maio de 2026, o O Globo revelou que a Polícia Federal investigava a mesma emenda de R$ 199 mil. Segundo a reportagem, Peixe intermediava pedidos parlamentares para entidades ligadas ao grupo político dos irmãos Braza~o. Investigadores apontaram que essa rede de organizações recebeu cerca de R$ 268 milhões em emendas entre 2020 e 2024.

    A apuração foi aprofundada na Operação Emendatio, deflagrada em julho de 2026. Reportagens posteriores incorporaram auditoria do Tribunal de Contas da União com apontamentos sobre a execução no Ifop, entre eles contrato com escritório de advocacia dos próprios responsáveis pela entidade e falhas de concorrência. Esses pontos permanecem sob investigação. Não há, nas fontes localizadas, sentença que já declare desvio consumado da emenda específica de Flávio.

    ANTECEDENTES DO CASO MARIELLE

    Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, no Estácio, zona central do Rio. Em outubro de 2024, o Tribunal do Júri condenou os executores Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz. Em 25 de fevereiro de 2026, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Domingos Brazão e Chiquinho Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão cada um, como mandantes. Robson Calixto recebeu 9 anos por organização criminosa armada. Rivaldo Barbosa foi condenado por obstrução da Justiça e corrupção passiva. O trânsito em julgado das condenações foi declarado em 2 de julho de 2026.

    Peixe era policial militar da reserva e assessor de Domingos no TCE-RJ. Foi preso no ciclo da Operação Murder Inc., em 2024, depois da interlocução que resultou na emenda de 2023. A sequência temporal importa: o pedido e o pagamento ocorreram quando os irmãos Brazão ainda não haviam sido presos pela PF como mandantes.

    A família Franco transformou a busca por justiça em agenda pública. Anielle fundou o Instituto Marielle Franco, ocupou o Ministério da Igualdade Racial entre 2023 e 2026 e disputa neste ano uma cadeira na Câmara pelo Rio, com o número 1330.

    CONSEQUÊNCIAS POLÍTICAS

    Flávio Bolsonaro é o candidato do PL à Presidência. A revelação das mensagens reabre, em plena campanha, o debate sobre emendas parlamentares, controle de entidades privadas e a fronteira entre gabinete e grupos investigados no Rio. A análise indica que o episódio não prova, por si, autoria no homicídio de 2018. Indica, isso sim, um canal documentado entre o gabinete do senador e um operador depois condenado no processo da vereadora.

    O tema também recai sobre o desenho das emendas. O parlamentar indica o destino. A execução e a prestação de contas cabem à entidade e aos órgãos de controle. Essa divisão legal é o argumento da defesa de Flávio. É também o ponto em que a família de Marielle e parte da oposição pedem transparência adicional, porque o interlocutor do pedido foi identificado pela PF como operador do grupo Brazão.

     
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