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Ex-governador do Acre, Gladson Camelí (Progressistas), é condenado a mais de 25 anos de prisão por corrupção

 

Compra de imóvel R$ 6 milhões foi ponta do iceberg da Lavagem de Dinheiro, além dos crimes de Organização Criminosa; Corrupção Ativa e Passiva; Peculato e Fraude à Licitação e Dispensa Indevida de Licitação – SAIBA MAIS

Ex-governador do Acre, Gladson Cameli

O ex-governador do Acre, Gladson Cameli, terá que pagar uma multa de 600 dias-multa e indenizar o estado do Acre em mais de R$ 11,7 milhões, conforme determinação do STJ / Foto: Diego Gurgel/Secom

Brasília (DF) 06 de maio de 2026

Superior Tribunal de Justiça (STJ) desferiu um golpe contundente contra o modus operandi da velha política nesta quarta-feira (6), ao condenar o ex-governador do AcreGladson Cameli (PP), a 25 anos e nove meses de prisão em regime fechado.

A decisão unânime da Corte Especial atesta a existência de uma organização criminosa instalada no coração do Palácio Rio Branco, revelando um sistema de desvio de recursos que sangrou os cofres públicos do estado.

A sentença, que supera os pedidos iniciais da acusação, é um marco na jurisprudência brasileira contra a corrupção sistêmica. 

Cameli, que renunciou ao cargo em abril para tentar uma vaga no Senado, foi considerado culpado por um cardápio de crimes que inclui “organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação”.

A enormidade da pena reflete a gravidade com que o tribunal tratou a completa captura da máquina estatal pelo núcleo político do ex-governador.

A engrenagem da corrupção (O esquema Ptolomeu)

A condenação se debruçou sobre um esquema milionário envolvendo contratos fraudulentos da Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Acre (Seinfra) com a empresa Murano Construções.

As investigações, aprofundadas pelo Ministério Público Federal (MPF) , revelaram que a empresa foi usada como fachada. Apenas um dia após a assinatura do contrato, a Murano fechou sociedade com a Rio Negro, construtora pertencente ao irmão do governador, Gledson Cameli.

A relatora do caso, ministra Nancy Andrighi, venceu a divergência aberta pelo revisor Luiz Otávio de Noronha (que pedia 16 anos) ao provar que o prejuízo ao erário ultrapassou os R$ 11,7 milhões, com algumas estimativas apontando desvios totais de R$ 270 milhões em outros contratos.

A compra de um apartamento de R$ 6 milhões no bairro dos Jardins, em São Paulo, foi apontada como a ponta do iceberg da lavagem de dinheiro, sendo pago com recursos oriundos das propinas.

A reação da defesa e o impacto eleitoral imediato

Imediatamente após o julgamento, a defesa do ex-governador, capitaneada pelos advogados Pedro Ivo Velloso e Francisco Agosti, adotou uma postura de confronto processual.

Em nota oficial, os defensores afirmaram que o julgamento ocorreu “sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório”.

Gladson Cameli também se manifestou, declarando que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) e pedindo respeito ao voto: “Ninguém pode ganhar no tapetão”.

Entretanto, o efeito político mais imediato e devastador já está em vigor. Diferentemente da prisão, que aguarda o trânsito em julgado dos recursos, a inelegibilidade é automática a partir da condenação por um órgão colegiado.

Com o placar de 8 votos a 3 na Corte Especial (vencidos os ministros Raul AraújoSebastião Reis Júnior e o revisor), Gladson Cameli se enquadra na Lei da Ficha Limpa.

Isso significa que, independentemente de seu recurso ao STF, ele está proibido de concorrer a qualquer cargo público nas eleições deste ano, inviabilizando sua candidatura ao Senado.

Os votos que definiram o futuro político do Acre

A solidez da condenação foi demonstrada na votação. Além de Nancy Andrighi, votaram pela pena máxima os ministros Maria Thereza de AssisLuis Felipe SalomãoIsabel GalottiAntônio Carlos FerreiraRicardo Villas Boas CuevaSérgio Kukina e Francisco Falcão.

Apenas o trio vencido defendeu uma redução da pena, mas sem jamais questionar a materialidade do crime.

Cameli ainda terá que pagar uma multa de 600 dias-multa e indenizar o estado do Acre em mais de R$ 11,7 milhões, conforme determinação do tribunal.

O ex-governador, que já havia deixado o cargo sob a sombra das investigações da Operação Ptolomeu, vê agora seu nome inscrito na lista dos políticos de alto escalão condenados pela justiça brasileira na pós-Lava Jato, demonstrando que a corrupção na federação continua sendo implacavelmente perseguida pelas instâncias superiores.



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1 comentário em “Ex-governador do Acre, Gladson Camelí (Progressistas), é condenado a mais de 25 anos de prisão por corrupção”

  1. Temistocles Lopes Rafael

    Isso é pouco , temos que pegar todos. Reabrir as ” rachadinhas” do Flávinho Bozó.

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