ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

    Voto secreto foi viciado? Ação no STF quer refazer sabatina de Messias

    Associação alega que votação secreta violou a Constituição e pede nova deliberação nominal; ministro Luiz Fux é o relator do caso que expõe fragilidade democrática no rito de sabatina

    Parlamentares e Jorge Messias

    Parlamentares comemoram rejeição de Messias ao STF / Foto: Ton Molina / Agência Senado | O advogado-geral da União, Jorge Messias, chora após resultado / Imagem reprodução YouTube

    Brasília (DF) 05 de maio de 2026

    Associação Civitas para Cidadania e Cultura ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido que expõe uma ferida na tradição democrática do país: a anulação da votação do plenário do Senado Federal que, em 29 de abril, rejeitou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira na corte.

    O ministro Luiz Fux foi sorteado como relator do caso, que promete reacender o debate sobre transparência e o rito de sabatina no Legislativo.

    A ação não contesta o mérito da rejeição — ou seja, o direito político do Senado de dizer não a um indicado.

    O cerne da questão é outro, e mais delicado: a validade do processo em si.

    A entidade sustenta que o voto dos senadores, por ser secreto, viola os “parâmetros constitucionais de transparência, verificabilidade e integridade procedimental”.

    O vício no coração do rito

    Para a associação autora da ação, houve um “vício de vontade, desvio de finalidade e violação ao devido processo constitucional”.

    Um dos argumentos mais contundentes é o de que o resultado da votação foi “vazado” antes da apuração oficial, o que macula a lisura do ato.

    O pedido final é claro: que o Senado Federal proceda a uma nova deliberação, desta vez de forma ostensiva, ou seja, com voto nominal e aberto.

    O que se impugna é a própria validade constitucional do ato, diante da ruptura dos pressupostos mínimos que legitimam qualquer processo decisório no Estado Democrático de Direito”, destacam os autores na ação obtida pelo Metrópoles.

    Esse é o ponto central: a ação questiona se a falta de transparência em um processo dessa magnitude não fere, por si só, a democracia e a Constituição.

    Uma derrota histórica e a sombra do Centrão

    A rejeição a Jorge Messias, em números, foi dura: 42 votos contrários contra 34 favoráveis.

    O placar representou uma derrota inédita para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) , sendo a primeira desaprovação de um indicado ao STF em 132 anos.

    O caso mais próximo foi o de Cândido Barata Ribeiro, em 1894.

    Nos bastidores do Palácio do Planalto, a derrota foi atribuída a uma engenharia política que uniu, em uma frente inusitada, a oposição raiz, liderada pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , e a resistência do próprio presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) — um nome do chamado Centrão.

    Essa aliança circunstancial enterrou a possibilidade de Jorge Messias se tornar o primeiro ministro da corte indicado por Lula.

    O que está em jogo agora no STF

    Com a ação sob a relatoria de Luiz Fux, o STF agora tem em mãos uma questão processual de alta voltagem política.

    Se o tribunal acolher o pedido da Associação Civitas, o Senado será obrigado a refazer toda a sabatina, com votação aberta.

    Isso exporia nominalmente cada senador e poderia alterar o resultado final, já que o voto ostensivo, em teses polêmicas como essa, tende a ser mais constrangedor e, por vezes, muda a dinâmica de aprovação.

    Especialistas apontam que o caso é um teste para a autonomia do Legislativo frente ao Judiciário e, principalmente, um termômetro da força política do governo Lula.

    A decisão de Fux, e posteriormente do plenário, poderá definir se o rito de escolha de ministros do STF ganhará mais transparência ou se a tradição do voto secreto — um dos últimos redutos de impunidade e negociação nos bastidores — será mantida.



    SIGA NAS REDES SOCIAIS




    Compartilhe via botões abaixo:

    3 comentários em “Voto secreto foi viciado? Ação no STF quer refazer sabatina de Messias”

    1. Vai cair já na admissibilidade. Não é qualquer associação que pode iniciar processo no STF.

    Os comentários estão fechados.

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading