“…ideia de estabelecer uma disputa entre Sul/Sudeste e Nordeste não fica em pé e vai fracassar porque é baseada numa dicotomia falsa“, escreve o advogado
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Por Luiz Carlos da Rocha
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A fala de Zema é a do apedeuta clássico do Sul, vomitada em qualquer boteco de esquina nos Jardins, no Batel ou na rua da praia.
A única novidade é que está saindo da boca de um mineiro.
Só vale a pena ler a entrevista para ter certeza disso.
O que ele fala não se sustenta em números.
A ideia de estabelecer uma disputa entre Sul/Sudeste e Nordeste não fica em pé e vai fracassar porque é baseada numa dicotomia falsa e há milhões de nordestinos no Sul e sulistas no Nordeste que não vão cair nessa.
Somos um Brasil só!
Zema é um daqueles idiotas que desconhecem a origem das nossas desigualdades regionais e que sua erradicação é um imperativo constitucional a partir de 1988.
Daqueles preconceituosos equivocados que acham que o Sudeste e Sul são prejudicados pelas políticas públicas para acabar com as desigualdades regionais, que apenas concretizam a Constituição, nada mais!
Que não sabem, porque não estudaram a história do Brasil, que São Paulo não seria o que é se não tivesse se apropriado do orçamento da União ao longo de décadas para se industrializar, concentrar conhecimento, universidades, pesquisa e, com isso, atrair o capital.
Um desenvolvimento que dava a São Paulo as indústrias, portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, e ao Nordeste apenas assistencialismo.
Esse processo resultou nas profundas desigualdades regionais a que se refere o artigo 3, da Constituição de 1988.
São Paulo não é o que é porque o paulista é mais inteligente ou trabalha mais.
Mas Zema parecer crer nesse paroquialismo e nessa bobagem simplória.
O Nordeste foi o que mais perdeu nesse processo de desenvolvimento particularmente concentrado em São Paulo.
Mas todos os outros estados também perderam e, pasmem, Minas inclusive!
Mas os estados do Sul também não seriam o que são sem os investimentos federais, especialmente as isenções fiscais e os financiamentos subsidiados da União para os seus processos industrialização e de desenvolvimento do agronegócio cooperativista.
A solução não é o fomento de disputa entre os estados, mas com um grande processo de solidariedade para erradicar as desigualdades regionais.
O consórcio dos estados do Sul deve agir para contribuir para o desenvolvimento do Norte e Nordeste e não o contrário.
Quando o Nordeste e o Norte forem como o São Paulo, em termos de produção científica, conhecimento, pujança industrial e agro, portos, rodovias, ferrovias e irrigação, seremos a grande potência mundial.
Mas Zema pensa pequeno.
Se quer fazer do consórcio do Sul um partido para combater o Nordeste, vai fracassar.
