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    Zanatta sugere prisão a quem trabalhou por obrigatoriedade da vacina; Gleisi aciona PGR

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    Gleisi Hoffmann e Julia Zanatta

    📷 A deputada federal Gleisi Hoffmann protocolou notícia de fato na PGR contra a homóloga do PL-SC Julia Zanatta por declarações contrárias à obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 em crianças / Imagens reprodução redes sociais |•| Arte URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Brasília (DF)
    14 de agosto de 2026

    A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) protocolou nesta sexta-feira (14/ago) notícia de fato na Procuradoria-Geral da República contra a colega Julia Zanatta (PL-SC) por declarações sobre a vacinação infantil contra a Covid-19.

    Reabre-se, assim, o debate sobre os limites da liberdade de expressão parlamentar e a proteção da política de imunização no Brasil.

    Em vídeo divulgado há duas semanas, em 31 de julho, Julia Zanatta afirmou que “todos envolvidos em obrigar bebês e crianças a tomarem a vacina da Covid deveriam ser julgados e alguns até presos”

    A parlamentar criticou multas, perseguições e sofrimento impostos a famílias em Santa Catarina, envolvendo conselheiros tutelares, o Ministério Público e a Justiça.

    Ela também declarou que “tudo que te contaram sobre a pandemia era mentira, praticamente”.

    A representação de Gleisi Hoffmann chegou à coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

    A deputada pede que a PGR investigue o alcance das publicações, eventual financiamento de campanhas, informações junto ao Ministério da Saúde sobre o regime de vacinação infantil e possível incitação a crime e violação de medidas sanitárias, com base nos artigos 286 e 268 do Código Penal.

    Solicita ainda a abertura de inquérito civil para avaliar o impacto na política nacional de imunização.

    A controvérsia se insere em um histórico mais amplo. Julia Zanatta é autora do PDL 486/2023, que busca sustar a nota técnica que incluiu a vacina contra a Covid-19 no Programa Nacional de Imunizações para crianças de 6 meses a 5 anos.

    Em diversas ocasiões, a deputada defendeu que o Brasil seria o único país a manter a obrigatoriedade nessa faixa etária e apresentou projetos que desobrigam a vacinação mediante atestado médico ou proíbem a vacinação compulsória.

    Gleisi Hoffmann reforça a necessidade de enfrentar a desinformação em temas de saúde pública, especialmente quando declarações de parlamentares podem influenciar a adesão ao calendário vacinal.

    A defesa da democracia passa também pela preservação de políticas baseadas em evidências científicas, sem abrir espaço para narrativas que fragilizem a cobertura imunizadora conquistada ao longo de décadas.

    Em nota, Julia Zanatta afirmou que Gleisi Hoffmann “sempre teve uma obsessão” contra ela e reiterou que o Estado “deve ofertar e convencer, mas jamais perseguir”.

    A parlamentar catarinense mantém a linha de que o Brasil obriga, persegue e multa famílias que recusam a vacina.

    O episódio se conecta a episódios anteriores de embates entre as duas parlamentares e a ações de grupos jurídicos contra discursos considerados de desinformação sanitária.

    A política de vacinação infantil permanece um ponto de tensão no Congresso, com projetos de Julia Zanatta em tramitação e manifestações de autoridades de saúde em defesa da inclusão no calendário.

    A justiça e a Câmara dos Deputados terão de equilibrar o exercício do mandato com a responsabilidade sobre informações que afetam a saúde coletiva.

    O desdobramento na PGR pode definir parâmetros para futuras manifestações parlamentares sobre políticas públicas de imunização.



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