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Zambelli entra em crise após Bolsonaro culpá-la por derrota em 2022: ‘É Muito Peso nas Minhas Costas’

    Ex-presidente afirmou durante entrevista em podcast que a deputada é a maior responsável por ele ter perdido a eleição presidencial para Lula devido à perseguição armada, que chocou bolsonaristas – SAIBA MAIS

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    A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi responsabilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela derrota sofrida nas urnas, em 2022, para o hoje novamente Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    A deputada Carla Zambelli em vídeo postado no Twitter (X), em 2021 | Imagem reprodução/Twitter

    Em entrevista ao podcast Inteligência LTDA, Bolsonaro declarou que o episódio em que Zambelli perseguiu um homem negro com uma arma em punho nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno, foi decisivo para afastar eleitores e “tirar o mandato” de suas mãos.

    A resposta da parlamentar, marcada por um tom de desabafo, reflete o peso do isolamento que ela enfrenta: “É trazer muito peso para as minhas costas”, disse, em uma tentativa de se defender da acusação que a transformou em bode expiatório do bolsonarismo.

    “Não acho justa. Eu sempre o defendi, estou com depressão, sendo julgada, e no pior momento ele falar dessa forma é trazer muito peso para as minhas costas”, desabafou a deputada ao blog de Andreia Sadi, nesta terça-feira (25/mar/2025).

    O incidente, ocorrido em 29 de outubro de 2022 no bairro nobre dos Jardins, foi amplamente registrado em vídeo e viralizou nas redes sociais, reacendendo o debate sobre a política armamentista defendida por Bolsonaro.

    A imagem da deputada, uma das mais fiéis aliadas do ex-presidente, correndo armada atrás de um apoiador de Lula teria, segundo Bolsonaro, chocado eleitores indecisos e reforçado a narrativa progressista de que o bolsonarismo representa uma ameaça à democracia e à segurança pública.

    Do ponto de vista progressista, a declaração de Zambelli reflete não apenas o colapso de sua relação com o núcleo bolsonarista, mas também a fragilidade de uma direita que, ao se apoiar em discursos de ódio e violência, acabou se autodestruindo.

    Antes vista como uma das principais vozes do movimento conservador, com quase um milhão de votos em 2022, Zambelli agora enfrenta um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.

    Seis ministros já votaram por sua condenação a mais de cinco anos de prisão e pela perda do mandato, enquanto o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a declarou inelegível por disseminar desinformação nas últimas eleições.

    A frase “É trazer muito peso para as minhas costas” soa como um lamento tardio de quem, durante anos, abraçou a radicalidade como estratégia política. Para lideranças progressistas, o caso é emblemático: Zambelli, que já foi símbolo de lealdade a Bolsonaro, agora carrega o ônus de um projeto político que priorizou o confronto em vez do diálogo.

    Enquanto o ex-presidente a culpa publicamente, aliados do PL tentam se distanciar da deputada, temendo que sua imagem tóxica contamine o partido. Até mesmo o silêncio de figuras como Eduardo Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente da sigla, evidencia o abandono de uma parlamentar que, outrora, era celebrada como “guerreira” da direita.

    O progressismo vê na crise de Zambelli uma oportunidade de reforçar a narrativa de que a política armamentista e a retórica beligerante do bolsonarismo são incompatíveis com os valores democráticos.

    A perseguição armada não foi apenas um erro, mas uma exposição crua do que a esquerda há tempos denuncia: a naturalização da violência como ferramenta política. Enquanto Zambelli tenta se justificar, a esquerda celebra o que considera uma justiça poética – a deputada, que já atacou o STF e defendeu pautas antidemocráticas, agora colhe as consequências de suas escolhas.

    Bolsonaro, por sua vez, parece usar Zambelli como um escudo para evitar assumir a própria responsabilidade pela derrota. Contudo, sua gestão desastrosa da pandemia, o atraso na compra de vacinas e a rejeição ao discurso extremista pesaram mais nas urnas do que o incidente isolado da deputada. Ainda assim, a insistência do ex-presidente em apontá-la como culpada revela fissuras no campo da direita, que se vê obrigada a lidar com o legado de um governo marcado por polêmicas e divisões internas.

    Para Zambelli, o futuro é incerto. Isolada pelos antigos aliados e alvo de críticas ferozes da esquerda, ela tenta manter relevância entre seus apoiadores mais radicais, mas o “peso nas costas” que descreve pode ser mais do que metafórico – é o fardo de uma carreira política que, ao apostar no extremismo, acabou se voltando contra si mesma.

    Enquanto o STF e o TSE avançam em seus julgamentos, a deputada enfrenta a possibilidade de perder não apenas o mandato, mas também a influência que um dia a consagrou como ícone bolsonarista.


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