Prestes a virar réu, Bolsonaro coloca culpa pela derrota em 2022 em Zambelli, prestes a ser presa (vídeo)
Segundo o influenciador digital Sérgio A J Barreto, “o golpista inelegível (…) finge não saber a tragédia que causou ao país ou os crimes que cometeu; é o desespero porque vai virar réu e será preso” – ASSISTA E SAIBA MAIS
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível até 2030 e denunciado pela PGR, prestes a virar réu no STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de estado, afirmou, ao lado de seu aliado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante uma entrevista ao podcast Inteligência LTDA, que seu fracasso eleitoral foi culpa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que está prestes a ser presa por conta de um julgamento na mesma Corte.
Jair Bolsonaro, ainda em sua gestão presidencial, e Carla Zambelli | Foto: Marcos Corrêa
A fala ocorreu durante participação no podcast Inteligência Ltda., transmitido na noite de segunda-feira (24/mar). “A Carla Zambelli tirou o mandato da gente. Ela tirou o mandato da gente”, afirmou Bolsonaro.
O trecho da fala foi compartilhado na plataforma social de microblog X, pelo influenciador digital Sérgio A J Barreto, que afirmou: “E aí o golpista inelegível não só admite, ao lado do seu comparsa Tarcísio, que perdeu a eleição, mas ainda joga a culpa da derrota na Carla Zambelli. Ele finge não saber a tragédia que causou ao país ou os crimes que cometeu. É o desespero porque vai virar réu e será preso”.
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E Aí O GOLPISTA INELEGÍVEL Não Só ADMITE, Ao Lado Do Seu COMPARSA Tarcísio, QUE PERDEU A ELEIÇÃO Mas Ainda Joga A Culpa Da DERROTA Na Carla Zambelli. Ele FINGE Não Saber A TRAGÉDIA Que Causou Ao País Ou OS CRIMES QUE COMETEU. É O DESESPERO PORQUE VAI VIRAR RÉU E SERÁ PRESO pic.twitter.com/MneYQj83na
Bolsonaro relembrou o episódio em que a deputada, na véspera do segundo turno, em 29 de outubro de 2022, sacou uma arma e perseguiu um homem negro pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo. O incidente, amplamente registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais, gerou forte repercussão negativa.
Segundo o ex-presidente, a atitude de Zambelli foi associada por eleitores à sua política de defesa da ampliação do porte de armas, o que teria levado muitos a anularem o voto ou rejeitarem sua candidatura.
“Aquela imagem, da forma com que foi usada, a Carla Zambelli perseguindo o cara. Aquilo teve gente falando: ‘Olha, o Bolsonaro defende o armamento’. Mesmo quem não votou no Lula, anulou o voto. A gente perdeu”, declarou.
A afirmação foi destacada por diversos veículos de imprensa, como UOL (24/03/2025), CartaCapital (24/03/2025) e Diário Carioca (24/03/2025), que relataram a surpresa causada pela mudança de narrativa.
Até então, Bolsonaro sustentava que sua derrota era fruto de fraudes eleitorais, uma tese que nunca apresentou provas concretas e que foi refutada por órgãos como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério da Defesa.
O contexto da fala de Bolsonaro coincide com o julgamento de Zambelli no Supremo Tribunal Federal (STF). A deputada é ré por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma devido ao episódio de 2022.
Até o momento, cinco ministros — Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin — votaram pela condenação, propondo uma pena de cinco anos e três meses de prisão em regime semiaberto, além da perda do mandato.
O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, conforme noticiado por Folha de S.Paulo (31/01/2025) e Gazeta do Povo (31/01/2025) em matérias relacionadas à cassação da deputada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que também a tornou inelegível por oito anos.
A reação nas redes sociais foi imediata. Usuários do X, como @MrFiNMM, destacaram a força da acusação: “Caramba… foi forte hein…. A Carla Zambelli tirou o mandato da gente… Bolsonaro culpou Zambelli por sua ‘derrota’… que antes eram por conta das cayenneurnas”. Já @nathalia_qga escreveu: “Ainda mais depois da confissão de hoje, em que Bolsonaro culpa a Zambelli pela derrota pro Lula, admitindo que não houve fraude nas urnas”.
Outros, como @feitosa34, ironizaram: “Antes a culpa era das urnas, agora é da Zambelli…”. A fala também reacendeu críticas de adversários, que acusam Bolsonaro de ter instigado apoiadores a contestar o resultado eleitoral enquanto agora busca um bode expiatório.
O episódio de 2022 não é novidade no histórico de tensões entre Bolsonaro e Zambelli. Logo após a eleição, aliados do ex-presidente, segundo o Metrópoles (29/10/2022) e o Blog da Cidadania (16/11/2022), já apontavam a deputada como um fator prejudicial à campanha, com o PL cobrando medidas para conter seus “rompantes”. Em 2023, Bolsonaro chegou a dizer à CNN Brasil que não leria nem comentaria uma entrevista de Zambelli à Folha (23/02/2023), na qual ela criticou sua inação pós-derrota, evidenciando fissuras na relação. O Valor Econômico (24/02/2023) relatou que o ex-presidente a acusou de traição, suspeitando de um acordo com o STF para recuperar suas redes sociais.
Zambelli, por sua vez, já havia dado sua versão sobre a derrota de Bolsonaro. Em uma live em junho de 2024, reportada pelo Metrópoles (25/06/2024), ela atribuiu o fracasso à desunião da direita, evitando citar-se como fator. “Sabe por que a gente não conseguiu reeleger Bolsonaro? Porque a direita se degladia em público”, disse. A deputada, que foi uma das principais vozes do bolsonarismo no Congresso, agora enfrenta um futuro incerto, com a possibilidade de prisão e perda de mandato pairando sobre ela.
A declaração de Bolsonaro no podcast não apenas expõe divisões no campo da direita, mas também levanta questões sobre sua estratégia política daqui para frente. Condenado à inelegibilidade até 2030 pelo TSE, o ex-presidente parece buscar um novo discurso para manter relevância entre seus apoiadores, enquanto Zambelli, outrora aliada fiel, torna-se o foco de sua narrativa de derrota. O desfecho judicial e político dessa trama promete novos capítulos em um Brasil ainda marcado pelas tensões de 2022.
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