Brasília (DF)
17 de outubro de 2026
Na sexta-feira (16/out), o ator Wagner Moura estreou o episódio Pátria Submissa, da série jornalística Revelando, em que afirma que o Brasil será um país muito rico nas próximas décadas e questiona diretamente quem será o dono dessa riqueza.
O conteúdo, publicado no canal oficial da série no YouTube e amplamente compartilhado nas redes, foca nas reservas brasileiras de terras raras — minerais estratégicos para tecnologias avançadas, veículos elétricos, energia renovável e aplicações militares. Segundo o episódio, o país ocupa a segunda posição mundial nessas reservas, atrás apenas da China.
Moura descreve o que chama de complô para saquear recursos brasileiros, envolvendo “traidores da pátria, gente submissa e voluntários que estão entregando o país de bandeja pros americanos”. A narrativa conecta declarações de Flávio Bolsonaro (PL), candidato no segundo turno das eleições 2026, a interesses do governo de Donald Trump nos Estados Unidos.
No episódio, o ator relata que, quando uma lista de 21 exigências dos americanos chegou em outubro de 2025 — incluindo maior acesso a minerais críticos —, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva a encaminhou ao “arquivo morto”. Em seguida, sancionou a Lei nº 15.506/2026, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), com foco em agregação de valor no território nacional.
“Quando aquela lista de 21 exigências dos americanos chegou, Lula mandou para o arquivo morto. E quando o minério entrou na pauta, ele assinou uma lei dizendo que quem manda aqui é o Brasil. O Brasil vai ser um país muito rico nas próximas décadas. Quem vai ser o dono dessa riqueza? A gente, ou um bando de americano que gosta de tomar o que é dos outros?”, afirma Moura no vídeo.
COMO O EPISÓDIO CONTEXTUALIZA A DISPUTA?
O sexto capítulo da série, produzida com apoio de veículos como ICL Notícias, Mídia Ninja e The Intercept Brasil, inclui entrevista exclusiva com o general Santos Cruz, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro. A reportagem examina a rivalidade entre Estados Unidos e China pelo controle de minerais estratégicos e exemplos de pressões econômicas e políticas em outros países da região.
Moura destaca que sete de cada dez quilos de terras raras importados pelos EUA vêm da China e descreve um método de pressão: tarifas, ameaças ou condicionantes, seguidos por acordos que transferem o controle dos recursos. No caso brasileiro, ele aponta declarações de Flávio Bolsonaro em evento da CPAC nos Estados Unidos, em que o senador apresentou o Brasil como “solução” para reduzir a dependência americana da China.
IMPORTANTE: A Lei nº 15.506/2026, sancionada em 16 de setembro de 2026, cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) e prevê mecanismos como fundo garantidor e incentivos à transformação industrial no país. O texto não impede parcerias internacionais, mas estabelece diretrizes para priorizar agregação de valor, pesquisa e soberania nacional sobre esses recursos. Fontes oficiais do governo e da Câmara dos Deputados confirmam esses objetivos.
O QUE O GOVERNO ATUAL FEZ E O QUE ESTÁ EM JOGO?
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e da Agência Nacional de Mineração (ANM) situam o Brasil entre os maiores detentores de reservas de terras raras do planeta, embora a produção atual ainda seja pequena em relação ao potencial. A nova política busca alterar esse quadro, estimulando beneficiamento e industrialização doméstica em vez de exportação exclusiva de minério bruto.
O episódio de Moura chega em plena campanha do segundo turno, em que Flávio Bolsonaro enfrenta Lula. Declarações recentes do presidente apontam risco de retrocesso: em fala de 7 de outubro, Lula afirmou que eventual derrota significaria a destruição de conquistas do governo “em uma semana”.
A análise aponta que a proteção de recursos estratégicos se soma a um debate histórico sobre continuidade de políticas de soberania quando há alternância de poder.
O QUE ACONTECE AGORA?
O vídeo completo está disponível no YouTube (canal Revelando e parceiros). A repercussão nas redes sociais superou dezenas de milhares de interações nas primeiras horas.
A pergunta de Moura — quem será o dono da riqueza — permanece aberta e depende das escolhas eleitorais e das regras de exploração que serão efetivamente aplicadas nos próximos anos.
FAQ Rápido
O que são terras raras e por que importam para o Brasil?
São um grupo de 17 elementos químicos usados em tecnologias de alto valor. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial conhecida, o que confere posição estratégica na disputa entre Estados Unidos e China.
O governo Lula rejeitou exigências dos EUA sobre minerais?
Segundo o episódio e reportagens, em outubro de 2025 o governo recebeu uma lista de 21 exigências para reduzir tarifas e a encaminhou ao arquivo morto. Posteriormente sancionou a Lei 15.506/2026 para priorizar controle e agregação de valor nacional.
O episódio acusa Flávio Bolsonaro de algo específico?
Sim. Moura relaciona declarações do senador em eventos nos Estados Unidos e a aproximação política com o governo Trump a riscos de entrega de controle sobre recursos estratégicos brasileiros.
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Não é apenas o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, a escala 5×2 e demais direitos dos trabalhadores, e sim a soberania brasileira e as riquezas do subsolo brasileiro. Se a direita vencer, o Brasil certamente ficará com o prejuízo nacional.