📷 Daniel Vorcaro / Foto: Victor Moriyama / Bloomberg | Ao fundo, barricadas em frente à sede do Banco Master, em São Paulo, após a prisão do ex-banqueiro em novembro de 2025 / Bloomberg
| Brasília (DF)
10 de junho de 2026
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, mas aliados afirmam que ele encara suas operações no Banco Master como legítimas e nega ter cometido crimes.
Isso complica o acordo, pois PF e PGR julgam as informações insuficientes para homologação.
O impasse, revelado nesta quarta-feira (10/jun), afeta a recuperação de recursos desviados que superam R$ 60 bilhões e coloca em xeque a efetividade da colaboração premiada em casos de grande corrupção financeira.
A nova versão da delação, apresentada no início de junho, detalha relações com políticos como o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o financiamento de R$ 61 milhões ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro solicitada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
No entanto, Daniel Vorcaro não trata esses repasses como propina, mas como práticas comuns nas relações entre setor privado e público.
Segundo interlocutores próximos ao ex-controlador do Banco Master, “a ficha dele está caindo muito lentamente”, o que torna difícil a admissão de irregularidades exigida para o acordo.
A Polícia Federal já recusou a primeira proposta em maio e, agora, avalia a segunda como carente de elementos inéditos e provas corroboradas.
A PGR estuda posição semelhante e deve se manifestar em breve, possivelmente de forma conjunta com a PF.
Investigadores destacam que os relatos se limitam a fatos já apurados em operações como a Compliance Zero, sem avanços significativos.
Aliados do banqueiro reclamam de “má vontade” das autoridades, mas fontes da investigação rebatem que Daniel Vorcaro não oferece o que justifica redução de pena, segundo o g1.
A postura de Daniel Vorcaro ilustra um desafio recorrente no combate à corrupção: a dificuldade de elites econômicas em reconhecer condutas que, mesmo enquadradas em brechas legais, geraram prejuízos bilionários ao contribuinte.
O caso Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025 com rombo superior a R$ 57 bilhões, expõe como relações entre bancos e poder público podem mascarar favorecimentos indevidos.
A recusa de delações frágeis reforça a democracia ao impedir acordos que protejam impunidade em detrimento da transparência e da reparação ao erário.
O impasse ganha contornos ainda mais relevantes quando se observa o histórico: a primeira delação foi rejeitada por falta de ineditismo, e a atual mantém o mesmo padrão.
Daniel Vorcaro chegou a aceitar elevar o ressarcimento de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões, mas mantém a narrativa de que atuou “nos limites das relações entre o setor público e privado”.
Essa visão, segundo aliados, complica a negociação porque delação premiada exige confissão e cooperação efetiva.
A Folha de S.Paulo reportou que a PGR analisa a necessidade de confirmar provas antes de qualquer decisão, enquanto a PF prepara pedido de transferência de Daniel Vorcaro de cela especial para a Papuda caso o acordo seja definitivamente rejeitado.
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FAQ Rápido
1. Por que a delação de Daniel Vorcaro está complicada?
Aliados afirmam que ele vê suas ações como legítimas e nega crimes, o que impede a confissão exigida para o acordo.
2. O que a PF e a PGR exigem da proposta?
Elementos inéditos, provas corroboradas e ressarcimento rápido de R$ 60 bilhões. Até agora, os relatos repetem fatos já conhecidos.
3. Qual o impacto para o contribuinte?
Sem delação homologada, a recuperação de bilhões desviados no Banco Master fica mais difícil, enfraquecendo o combate à corrupção financeira.
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