Brasília (DF)
01 de outubro de 2026
Aministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deferiu nesta quinta-feira (1º/out) liminar pedida pelo PT e determinou que a TV Globo não aplique, no debate presidencial desta noite, a regra que previa exibir de forma destacada a cadeira vazia identificada de Luiz Inácio Lula da Silva e dirigir perguntas ao candidato ausente. A decisão vale para o encontro das 21h30, a três dias do primeiro turno, e altera o que o telespectador verá no horário nobre.
Segundo a coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, a ministra suspendeu a eficácia do item 7 da Ata Debate Presidencial 2026 e determinou à Globo Comunicação e Participações S.A. que se abstenha de aplicar o dispositivo no debate de 1º de outubro de 2026. A ordem inclui “a exibição destacada da cadeira vazia identificada” e “a dinâmica de formulação de perguntas dirigidas ao candidato ausente”, sob pena de multa a ser fixada em caso de descumprimento.
A Folha de S.Paulo confirmou o veto à exibição do púlpito vazio reservado a Lula. O texto integral da Folha estava sob restrição de acesso no momento da apuração; o teor da liminar usado aqui é o reproduzido pelo Metrópoles, primeira publicação identificada, às 18h15, com atualização às 18h36.
A decisão é liminar. Suspende, neste debate, a aplicação do item 7 da ata quanto à cadeira vazia identificada e às perguntas dirigidas ao ausente. Não cancela o debate, não impede a participação dos demais candidatos e não apaga o fato, já público, de que Lula informou que não comparecerá. O número do processo não constava da publicação do Metrópoles consultada.
Quem está no estúdio e quem não está
Lula comunicou à Globo, na quarta-feira (30/set), que não participaria do debate, segundo o g1. No mesmo horário, o presidente concede entrevista ao Flow Podcast, com início previsto para 20h45, de acordo com o UOL.
Confirmados no estúdio dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação de César Tralli: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo). Zema entrou depois de liminar do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, na terça-feira (29/set), que mandou considerar a bancada atual do Novo, e não apenas o resultado de 2022. O pedido do partido Missão para incluir Renan Santos foi negado pelo mesmo ministro, conforme o g1 e o UOL.
Antes da liminar de Aranha, a regra descrita pela BBC News Brasil e por O Globo previa cadeira reservada, placa com o nome e lembrete do mediador na vez de perguntar do ausente. A BBC registrou que a regra, na formulação anterior, valia para qualquer candidato que faltasse, não só para Lula.
Por que a ausência já era o centro do debate
O Globo informou que aliados atribuíam a recusa a um cálculo de campanha: Lula passaria quase meia hora sem falar, enquanto os demais perguntariam e responderiam, e temia uma tabela de adversários alinhados à direita a três dias do voto. A BBC também relacionou a ausência ao formato, que o exporia a uma sequência de ataques com pouco tempo de resposta. Não há, nas fontes consultadas, declaração pública direta de Lula com essas palavras; o registro é de veículos que ouviram a campanha e aliados.
O presidente não participou de debates com outros candidatos no primeiro turno, segundo a BBC. Com a falta ao encontro da Globo, o primeiro turno de domingo (4/out) chega sem confronto televisionado entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois nomes centrais da disputa, como destacou O Globo.
O que a decisão muda na prática
A liminar atinge a emissora organizadora e o item da ata, não o noticiário em geral. A Globo fica proibida de aplicar o dispositivo suspenso, inclusive a exibição destacada da cadeira e a dinâmica de perguntas ao ausente. A multa, se houver descumprimento, será fixada depois. Não há, nas fontes usadas, nota pública da Globo sobre como o cenário será ajustado até as 21h30.
Estela Aranha tomou posse no TSE em 5 de agosto de 2025, após indicação de Lula, com mandato até agosto de 2027, conforme registros biográficos públicos. A indicação é fato institucional. A análise de imparcialidade da liminar cabe ao plenário, se houver recurso, e não se resolve pelo nome de quem indicou a relatora.
A análise do Urbs Magna aponta que o púlpito vazio, em eleição apertada, deixa de ser só informação de ausência e vira peça visual repetida. O eleitor já sabe que Lula não vai ao debate. O que a Justiça Eleitoral examinou, a pedido do próprio PT, foi se a regra da ata transformava essa ausência em destaque contínuo dentro da transmissão. Equilíbrio de debate e liberdade de formato da emissora seguem em tensão: a liminar é provisória, e o voto de domingo (4/out) não espera o trânsito em julgado.
O que acontece agora
O debate permanece marcado para as 21h30, depois do Jornal Nacional, no horário que antes era da novela, como descreveu a BBC. Quatro candidatos sobem ao estúdio. A cadeira identificada de Lula não deve ser exibida de forma destacada, nem receber perguntas, se a Globo cumprir a liminar. Recurso ao plenário do TSE, se apresentado, não tinha confirmação nas fontes até o fechamento desta edição.
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Muito bem não vá, audiência para a GLOBO 0