Nova Delhi (IN)
10 de outubro de 2026
Acampanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou neste sábado (10/out) a Meta, dona do Instagram e do Facebook, de tentar interferir no segundo turno das eleições de 2026 em favor de Flávio Bolsonaro (PL). A equipe anunciou o acionamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Em publicação nas redes, a ministra Gleisi Hoffmann classificou como vitória jurídica medida do TSE que questiona restrições a conteúdos da campanha, determina a preservação de logs de moderação e exige informações sobre o que foi feito contra uma rede de 255 perfis automatizados no Instagram.
Segundo a Folha de S.Paulo, a nota da campanha lista episódios de prejuízo à visibilidade desde dezembro de 2025. Entre eles, a retirada da conta de anúncios no primeiro turno, interrupções no registro de visualizações e o impedimento de impulsionar conteúdos no feed do Instagram entre a tarde de sexta-feira (9/out) e a manhã deste sábado.
Um relatório interno da Secretaria Nacional de Comunicação do PT apontou que a página de Flávio Bolsonaro registrou, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo com 17,2% a menos de seguidores. A Meta negou as alegações e atribuiu os problemas a falhas técnicas que teriam afetado outras contas e países, conforme registrado pelo G1 e pela CNN Brasil.
O QUE O TSE DETERMINOU, SEGUNDO GLEISI HOFFMANN?
Em post publicado neste sábado, Gleisi Hoffmann afirmou que o TSE questiona a Meta sobre restrições a conteúdos da campanha de Lula, manda preservar logs de moderação e informar o que foi feito contra a rede de 255 perfis automatizados no Instagram. Ela acrescentou que o ministro Marco Aurélio Bellizze também exige que a plataforma justifique a desabilitação da conta de anúncios da campanha e comprove se aplica as mesmas regras de recomendação às duas candidaturas do segundo turno.
Marco Aurélio Bellizze, ministro do STJ e substituto no TSE, foi designado em 7 de outubro pelo presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, para atuar como juiz auxiliar da propaganda eleitoral no segundo turno, ao lado da ministra Estela Aranha e do ministro André Mendonça, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral. A função inclui análise de representações sobre regularidade de anúncios e retirada de conteúdos.
A menção aos 255 perfis automatizados remete a levantamento do Instituto Democracia em Xeque e do Aos Fatos, que identificou uma rede de “fazendas de IA” no Instagram. As contas produziram mais de 1.200 publicações coordenadas, com cerca de 58 milhões de visualizações, muitas em formato collab, e conteúdos alinhados a pautas da extrema direita.
IMPORTANTE: A medida relatada por Gleisi Hoffmann trata de questionamentos e determinações cautelares de preservação de provas e informações. Não configura, por si só, julgamento de mérito sobre irregularidade da Meta ou de qualquer candidatura. Decisões liminares de juízes auxiliares de propaganda são encaminhadas ao plenário do TSE.
ANTECEDENTES E ACUSAÇÕES CRUZADAS
A disputa digital no segundo turno ocorre em contexto de investigações recíprocas. Em setembro, a coligação de Lula acionou o TSE contra suposto uso coordenado de collabs no Instagram por rede de perfis ligada a conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou preservação de dados pela Meta. No outro sentido, a campanha de Flávio protocolou, em 8 de outubro, ação contra rede de cerca de 1.525 perfis no Instagram que, segundo o PL, disseminaria desinformação em benefício de Lula.
Há ainda histórico de restrições à conta de anúncios da campanha de Lula a dez dias do primeiro turno (23 de setembro), com recurso administrativo à própria plataforma. A Meta afirmou cumprir as resoluções do TSE e o Plano de Conformidade apresentado à Corte, conforme o Valor Econômico.
Em post relacionado, Vinicios Betiol relatou queda de alcance e defendeu ações em massa no TSE por transparência nos algoritmos. A análise aponta que a falta de transparência nos sistemas de recomendação e moderação das big techs permanece ponto de tensão institucional, especialmente quando medidas de uma plataforma alteram a paridade de armas no período eleitoral.
O QUE ACONTECE AGORA?
A representação ou os pedidos da campanha de Lula tramitam no âmbito da propaganda eleitoral, com distribuição entre os juízes auxiliares. A Meta deverá prestar as informações determinadas. Paralelamente, a denúncia à ANPD aborda aspectos de proteção de dados. O segundo turno ocorre em 25 de outubro.
A análise destaca que decisões sobre preservação de logs e igualdade de regras de recomendação reforçam a capacidade de fiscalização da Justiça Eleitoral sobre o ambiente digital, sem antecipar o resultado do mérito. O equilíbrio entre liberdade de expressão, transparência algorítmica e lisura do pleito permanece o eixo central da disputa.
FAQ Rápido
O que a campanha de Lula acusa a Meta de fazer?
De restringir impulsionamentos e alcance de conteúdos no Instagram e Facebook de forma que beneficiaria Flávio Bolsonaro, com problemas técnicos repetidos e sem justificativa transparente.
Quem é o ministro Marco Aurélio Bellizze e qual o papel dele?
Ministro do STJ e substituto no TSE, designado juiz auxiliar da propaganda eleitoral no segundo turno. Segundo Gleisi Hoffmann, ele exige justificativas da Meta sobre a conta de anúncios e igualdade nas regras de recomendação.
O que são os 255 perfis automatizados mencionados?
Referência a rede identificada em setembro pelo Aos Fatos e Instituto Democracia em Xeque: contas no Instagram que produziram conteúdos coordenados, muitas com IA, alinhadas a pautas da extrema direita.
Atualização: novas informações poderão ser acrescentadas à medida que fontes confiáveis confirmarem novos desdobramentos, especialmente a publicação oficial da decisão no Diário da Justiça Eletrônico do TSE. ![]()
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