Levy de cobre de Trump sacode mercados e promete impactos econômicos nos EUA e no mundo
RESUMO <<O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre importações de cobre, elevando os preços do metal a níveis recordes, com futuros na CME Group ultrapassando US$ 5,50 por libra. A medida, que pode entrar em vigor em agosto, intensifica a guerra comercial global e beneficia mineradoras como a Freeport-McMoRan, mas levanta preocupações sobre custos para a indústria americana e vantagens para a China, segundo analistas e associações do setor>>
Nesta terça-feira (8/jul), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, jogou uma bomba no mercado global ao anunciar, durante uma reunião de gabinete, uma tarifa de 50% sobre as importações de cobre.
A notícia fez os preços do metal dispararem, com os futuros na CME Group subindo mais de 11%, atingindo o recorde de US$ 5,58 por libra.
A medida, que deve entrar em vigor até 1º de agosto, conforme confirmado pelo secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em entrevista à CNBC, intensifica a guerra comercial iniciada por Trump e promete impactos profundos na economia americana e global.
O cobre, essencial para eletrônicos, equipamentos industriais e construção, é importado principalmente de países como Chile, Canadá e México, segundo o US Geological Survey.
A decisão de Trump já reverberou no mercado: as ações da mineradora americana Freeport-McMoRan, sediada no Arizona, saltaram mais de 5,6% após o anúncio, conforme noticiado pelo The Wall Street Journal.
No entanto, nem todos veem a tarifa como uma vitória. Pierre Gratton, presidente da Mining Association of Canada, alertou, em matéria do The Globe and Mail, que a medida pode prejudicar a indústria manufatureira dos EUA, que depende de produtos intermediários como tubos de cobre vindos do Canadá.
Ele ainda sugeriu que a China, grande competidora no setor, pode sair ganhando ao suprir a demanda por produtos acabados.
Analistas, como Helen Amos, do BMO, preveem que os preços do cobre nos EUA podem continuar subindo, já que a tarifa implica um prêmio de 50% sobre os valores globais negociados na London Metal Exchange.
Isso, no entanto, pode encarecer produtos para consumidores americanos e pressionar setores que dependem do metal.
A Bloomberg destacou que a tarifa faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump, que também anunciou um imposto de 200% sobre importações de medicamentos e tarifas “recíprocas” contra 14 parceiros comerciais, incluindo Japão e Coreia do Sul, a partir de 1º de agosto.
Enquanto o mercado financeiro reage com volatilidade – o S&P 500 caiu 0,1% e o Nasdaq Composite ficou estável –, a incerteza sobre a política tarifária de Trump preocupa.
A Yale Budget Lab projetou que a taxa efetiva de tarifas nos EUA pode chegar a 16,5% se as políticas atuais forem mantidas, aumentando os preços para os consumidores em 1,7%, o equivalente a uma perda anual de US$ 2.300 por família americana.
Scott Bessent, secretário do Tesouro, afirmou que as tarifas podem gerar mais de US$ 300 bilhões em receita até o fim do ano, mas críticos questionam se os custos para a economia doméstica valerão o preço.
A decisão de Trump também levanta questões geopolíticas. O presidente acusou os países do BRICS de tentarem “destruir o dólar” e anunciou uma tarifa extra de 10% para o grupo.
Enquanto isso, a União Europeia espera receber, nos próximos dias, uma carta detalhando os planos tarifários de Washington, o que pode escalar ainda mais as tensões comerciais globais.
E agora, o que esperar?
A tarifa sobre o cobre é um movimento ousado, mas arriscado. Por um lado, pode impulsionar a produção doméstica e beneficiar empresas como a Freeport-McMoRan. Por outro, o aumento dos custos pode pressionar indústrias americanas e fortalecer concorrentes como a China.
Para os consumidores, o impacto pode vir na forma de preços mais altos para produtos do dia a dia, de fiações a eletrodomésticos.
Enquanto Trump dobra a aposta em sua guerra comercial, o mundo assiste, dividido entre a expectativa de ganhos econômicos e o medo de uma recessão global.
Resta saber se o magnata conseguirá equilibrar suas ambições protecionistas com as necessidades de um mercado interconectado.








