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    RESUMO
    URBS MAGNA


    New York (US)
    22 de setembro de 2026

    O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nesta terça-feira (22/set) que o Escudo das Américas imponha sanções conjuntas a 24 grupos, entre eles o PCC e o Comando Vermelho. A decisão amplia o isolamento do Brasil na política de segurança hemisférica.

    O pedido foi feito em Nova York, à margem da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, depois de o presidente americano comparar cartéis de drogas ao “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental”. Horas depois, 14 países da coalizão anunciaram a “primeira ação conjunta” contra o que chamaram de narcoterrorismo.

    A classificação americana do PCC e do Comando Vermelho como Foreign Terrorist Organizations vigora desde 5 de junho. O que ocorreu nesta terça foi o alinhamento de aliados regionais a sanções e restrições, não a criação inicial dessa lista pelos Estados Unidos.

    O QUE TRUMP DISSE NA ONU

    No discurso à Assembleia Geral, Trump afirmou que lançou o poder das Forças Armadas dos Estados Unidos contra gangues e cartéis e que esses grupos “devem ser mortos, exilados ou detidos”. A Reuters registrou a frase em que ele descreveu os cartéis como “o ISIS do Hemisfério Ocidental”.

    O presidente americano também disse que os Estados Unidos não permitirão que ameaças ganhem base no continente e que, se necessário, usarão “poderio militar inigualável”. A cobertura do The New York Times antecipou que autoridades do Departamento de Estado trabalhavam para que 14 governos da região reproduzissem a designação americana de grupos já listados em Washington.

    A REUNIÃO DO ESCUDO DAS AMÉRICAS

    O Escudo das Américas, lançado em março em Doral, na Flórida, é a coalizão anticartel criada pelo governo Trump. O braço operacional é a Americas Counter Cartel Coalition. A iniciativa prevê partilha de inteligência e coordenação de operações entre governos alinhados a Washington.

    Nesta terça, Trump reuniu líderes e ministros da coalizão na sede da ONU. Segundo a Reuters, ele cobrou que o grupo designe 24 organizações de narcotráfico como ameaças à estabilidade e aplique sanções. Os países, em seguida, emitiram declaração em que se comprometem a avançar nessas medidas.

    O comunicado foi apresentado pelo Departamento de Estado juntamente com Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Brasil e México não integram a coalizão.

    A declaração prevê, “conforme aplicável” e de acordo com as leis nacionais de cada signatário, congelamento de bens, restrições de imigração e visto a membros, associados e simpatizantes, e responsabilização penal de quem fornecer apoio material, inclusive logístico.

    QUAIS GRUPOS ENTRARAM NA LISTA CONJUNTA

    Além do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho, veículos que reproduziram o comunicado citaram, entre outros, Mara Salvatrucha (MS-13), Tren de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación, Clan del Golfo, ELN, Cartel de los Soles, Barrio 18, Los Choneros, Los Lobos, Chone Killers, Cartel de Juárez (La Línea), Gran Grif e Viv Ansanm.

    O número de organizações oscilou entre 24 e 25 nas contas de diferentes relatos. A matéria registra essa variação e não trata como fato um total único sem o texto integral publicado em página oficial localizada nesta apuração.

    O PCC e o CV já estavam na lista americana de Foreign Terrorist Organizations desde 5 de junho, por decisão do secretário de Estado Marco Rubio, publicada no Federal Register. O anúncio original do Departamento de Estado, em 28 de maio, descreveu as duas facções como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”, com redes que chegam aos Estados Unidos.

    ANTECEDENTES DA OFENSIVA AMERICANA

    A designação de maio e junho ocorreu dois dias depois de o senador Flávio Bolsonaro encontrar Trump na Casa Branca. Reportagens da AP e do El País registraram que o senador pediu a inclusão das facções na lista de organizações terroristas estrangeiras.

    Em 15 de setembro, a Casa Branca enviou ao Congresso a determinação presidencial sobre países de trânsito ou produção de drogas. No documento publicado pelo Departamento de Estado, o governo americano afirmou que o Brasil “falhou em confrontar” o PCC e o Comando Vermelho e que as duas organizações “transformaram o Brasil em um centro para os fluxos globais de cocaína”.

    O Brasil não entrou na lista de major drug transit countries. Ainda assim, o texto cobrou “medidas agressivas” do governo brasileiro. Em 16 de setembro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública rejeitou a crítica e disse que Washington ignora iniciativas brasileiras e a cooperação já existente.

    Em 1º de julho, o Tesouro americano sancionou uma rede ligada ao PCC por lavagem de dinheiro com ramificação na Flórida, segundo comunicado do próprio Departamento do Tesouro.

    O QUE A MEDIDA SIGNIFICA NA PRÁTICA

    A designação americana de Foreign Terrorist Organization e de Specially Designated Global Terrorist bloqueia ativos sob jurisdição dos Estados Unidos, proíbe transações de pessoas americanas com as entidades listadas e criminaliza o “apoio material”. Escritórios de advocacia americanos alertaram, após junho, que bancos, empresas e prestadores de serviço que operam no Brasil passaram a ter risco maior de exposição se tiverem vínculo, mesmo indireto, com estruturas controladas pelas facções.

    A declaração desta terça não cria, por si só, uma autorização automática para tropas americanas no Brasil. O texto dos signatários condiciona as medidas às leis de cada país. Analistas citados pelo The New York Times avaliaram, no entanto, que a adesão coletiva à linguagem de terrorismo prepara terreno político para operações militares americanas no hemisfério.

    A análise indica que o passo de hoje é político e diplomático: amplia o cerco financeiro e migratório às facções e isola governos que recusam a premissa americana de tratar crime organizado como terrorismo internacional.

    BRASIL FORA DA COALIZÃO

    O Brasil não foi convidado a integrar o Escudo das Américas. Tampouco o México. Lula discursou na abertura da Assembleia Geral antes de Trump e afirmou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”

    O presidente brasileiro falou em “recrudescimento de tentações hegemônicas”, condenou ingerência externa em processos eleitorais e disse que o país busca cooperação contra o crime organizado sem terceirizar a defesa das fronteiras. Lula e Trump não se cumprimentaram nos bastidores, segundo relatos de diplomatas publicados no mesmo dia.

    CONSEQUÊNCIAS E DESDOBRAMENTOS

    Para o governo americano, a declaração conjunta reforça a leitura de que o combate a cartéis e facções é defesa hemisférica, e não só polícia nacional. A coalizão invocou o Tratado do Rio de 1947, pacto de defesa mútua, segundo relatos do The New York Times e do site Responsible Statecraft.

    Para o Brasil, o efeito imediato é diplomático e financeiro. PCC e CV já estavam sob o regime americano de terrorismo desde junho. A adesão de 14 governos vizinhos aumenta o risco de sanções cruzadas, restrição de vistos e bloqueio de ativos de pessoas e empresas apontadas como facilitadoras.

    Não há, nas fontes americanas localizadas até o fechamento, anúncio de sanções nominais novas contra autoridades brasileiras nesta terça. Há, sim, a cobrança pública de que Brasília “enfrente e derrote” as duas facções.

    REPERCUSSÃO NA IMPRENSA DA AMÉRICA LATINA

    A repercussão na região dividiu-se entre cobertura factual da declaração e leitura crítica da ofensiva americana.

    No Brasil, g1, UOL, Folha e Metrópoles destacaram o pedido de Trump e a inclusão de PCC e CV na ação dos 14 países. A Folha já havia informado, nos dias anteriores, que Washington preparava novas sanções a pessoas e empresas no Brasil ligadas às facções.

    Veículos de linha progressista ou crítica à intervenção americana enfatizaram soberania e risco militar. No México, La Jornada repercutiu o trecho em que Trump chamou o México de “epicentro” da violência dos cartéis e cobrou que o país “retome o controle do seu solo”. A reportagem registrou a saída da delegação cubana da plenária após ataques de Trump a Havana.

    Na Colômbia, El Espectador questionou o alcance dos acordos firmados pelo governo de Abelardo de la Espriella para entrar no Escudo das Américas e informou que a sede operacional da iniciativa no país está prevista para Medellín. O jornal registrou a ressalva oficial de que a declaração de segurança de agosto não autorizou, por si só, operações de combate de tropas americanas em território colombiano.

    No Chile, a adesão formal anunciada nesta terça foi tratada pelo governo de José Antonio Kast como coordenação voluntária contra o crime organizado. A lista divulgada pela Cancelleria chilena inclui expressamente PCC e Comando Vermelho.

    FAQ Rápido

    O que Trump pediu nesta terça?
    Que os países do Escudo das Américas tratem grupos de narcotráfico como ameaça comum à estabilidade e apliquem sanções conjuntas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho.

    Por que o fato é relevante para o Brasil?
    Porque 14 governos da região aderiram à linguagem americana de narcoterrorismo contra duas facções brasileiras, enquanto o Brasil permanece fora da coalizão e rejeita a premissa de ingerência.

    O que pode acontecer agora?
    Os signatários anunciaram intenção de congelar bens, restringir vistos e punir apoio material, cada um segundo sua lei interna. Não há, nas fontes localizadas, anúncio de intervenção militar no Brasil.

     
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