“Sou o chefe supremo das FA”: Bolsonaro desagrada militares ao querer usá-los contra o isolamento

24/04/2021 0 Por Redação Urbs Magna
O presidente, durante entrevista nesta sexta (23) | Crédito: TV A Crítica/Reprodução

“Se eu decretar isso vai ser cumprido”, continuou o presidente durante a entrevista a Sikêra Jr, nesta sexta-feira, causando a reação de generais da ativa, para quem o presidente “confunde conceitos” ao usar posição política contra governadores.

Durante entrevista ao apresentador Sikêra Jr, no programa Alerta Especial, da TV A Crítica – afiliada da Rede TV! no Amazonas, nesta sexta-feira (23), Bolsonaro disse possuir um plano com as Forças Armadas contra o isolamento social que governadores e prefeitos decretam como medida para impedir o avanço da covid-19. Nesta manhã de sábado, a cúpula de militares da ativa reagiu negativamente às declarações do presidente.


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Ao se referir aos militares, Bolsonaro destacou o pronome possessivo ‘meu’ e exaltou-se diante do poder constitucional: “Se tivermos problemas, nós temos um plano de como entrar em campo. Eu tenho falado, eu falo ‘o meu’, o pessoal fala ‘não’… Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar iremos para a rua não para manter o povo dentro de casa, mas para reestabelecer todo o artigo 5º da Constituição. E se eu decretar isso vai ser cumprido”, afirmou.

Eu tô junto com os meus 23 ministros, da Damares ao Braga Netto, praticamente conversados sobre isso aí se o caos generalizado se implantar no Brasil pela fome, pela maneira covarde como alguns querem impor certas medidas restritivas para o povo ficar dentro de casa“, disse o presidente abraçado a uma pessoa mascarada com cabeça de burro.

Se chegar a uma situação mais crítica, a gente vai tomar a providência que vai ser tomada. O que nós queremos é cumprir a Constituição“, adicionou.

Bolsonaro disse que medidas de isolamento são uma “palhaçada” e que o “caos” com a fome “só não chegou no ano passado por conta do auxílio emergencial“.

Neste sábado (24), o jornalista Igor Gielow, da Folha de S. Paulo, afirmou que a utilização das F.A. neste sentido é “vista como esdrúxula no Supremo” e que “políticos apontam repetição de padrão do presidente“. Segundo sua matéria, “membros da cúpula militar ouvidos” repetiram ao jornal que “Bolsonaro confunde conceitos e usa sua posição de comandante-em-chefe da Forças Armadas de forma política, para pressionar adversários como os governadores João Doria (PSDB-SP) e Rui Costa (PT-BA)“. A tensão com os generais é uma repetição do mesmo assunto ocorrido há pouco mais de uma semana. E hoje, “o presidente, que já causara contrariedade anteriormente entre oficiais-generais ao insinuar que “o meu Exército” iria combater as restrições, desta vez foi mais detalhista ao desenhar o que pretende fazer.

Jair Bolsonaro também disse que a culpa pelo atraso no orçamento de 2021, aprovado nos prazo limite da última quinta-feira (22), é do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Era pra ter sido decidido no ano passado, só que o Rodrigo Maia, na Câmara, dificultava muito a vida da gente“, disse.

Para o presidente, a reforma tributária é a pauta mais importante para votação este ano.

Eu tenho conversado com o ministro Paulo Guedes que não é fácil ser feita, que quando chega na hora do voto cada um puxa para o seu lado, os interesses de governadores, prefeitos, presidente, o que é normal. Então tem que ser a reforma que passe pelo Parlamento. Não é a que eu quero ou a que ele quer ou a que o Parlamento quer“, disse.

Eu passei 28 anos dentro da Câmara e essa reforma tributária nunca foi pra frente“, afirmou.

Na mesma entrevista, Bolsonaro fez piadas homofóbicas e xenofóbicas. 

“Esse queima ou não queima?”, disse sobre um assistente de produção do programa. “Sikêra, não sei não, heim. Aquele rabinho ali.. olha o rabinho dele”, disse Bolsonaro sobre seu cabelo.

A outro homem com traje de samurai, disse: “É o xing-ling”. Depois perguntou: “Diz aí. Tá tudo pequenininho aí?”.

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