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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    06 de novembro de 2026

    O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a renúncia em quinta-feira (5/nov) em meio à crise provocada pela intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) no Ueno Bank, que deixou cerca de três milhões de clientes sem acesso às contas. O caso importa porque expõe conflitos de interesse, concentra recursos públicos (incluindo do Instituto de Previsión Social – IPS) e gera risco de perda de confiança no sistema financeiro de um país que atrai investimentos regionais.

    A crise começou quando o BCP detectou que o índice de solvência do Ueno Bank havia caído abaixo de 50% do mínimo exigido, em razão de créditos a empresas vinculadas ao grupo controlador (Grupo Vázquez). A entidade, que operava como banco digital desde o final de 2023, concentrava depósitos públicos elevados e clientes equivalentes a uma parcela significativa da população adulta.

    O QUE ACONTECEU COM O UENO BANK?

    Segundo cobertura do ABC Color, o BCP iniciou o procedimento de resolução na terça-feira anterior, paralisando aplicativos, cartões e transferências. O banco chegou a ter cerca de 2,9 a 3 milhões de clientes e administrou centenas de milhões de dólares em fundos públicos e previdenciários. Oito dirigentes foram detidos e 27 pessoas foram imputadas por lesão de confiança e tentativa de estelionato, de acordo com a apuração fiscal.

    Santiago Peña foi acionista da Ueno Holding (participação de cerca de 1,58%) até março ou abril de 2025, conforme declarações e registros citados por veículos paraguaios. O libelo acusatório apresentado na Câmara dos Deputados lista cinco causais: conflito de interesses e cooptação do Estado; manipulação regulatória e desvio de fundos do IPS; sobrepasso de limites creditícios e encobrimento; benefício patrimonial indevido; e afetação da confiança no sistema financeiro. A Câmara aprovou por unanimidade a abertura do processo contra Peña, mas rejeitou o pedido contra o vice Pedro Alliana, conforme a Última Hora.

    SANTIAGO PEÑA FUGIU DO PARAGUAI?

    Não há confirmação de fuga. Durante a sessão bicameral, a deputada Johanna Ortega questionou se o Congresso havia recebido comunicação oficial de saída do país, citando informações de que Peña já estaria em solo argentino. O senador Antonio Rubén Velázquez também mencionou relatos de possível asilo.

    O porta-voz da Presidência, Guillermo Grance, afirmou de forma reiterada, a partir da residência oficial Mburuvicha Róga, em Assunção: “Ele está no país, quero reiterar isto até o cansaço”. O governo argentino, segundo a Última Hora, informou não ter registro de entrada de Peña. O ex-senador Juan Carlos Galaverna declarou ter conversado com Peña, que garantiu permanecer no país. A renúncia formal foi entregue pelo ministro do Interior Enrique Riera, mas o quórum para aceitação não se formou em sessão conjunta, de modo que Peña permanece formalmente no cargo enquanto o processo de impeachment avança no Senado, conforme o ABC Color.

    IMPORTANTE: A renúncia anunciada não implica automaticamente perda do cargo ou dos foros. Se aceita, Peña pode manter condição de senador vitalício; se destituído por julgamento político, perde essa proteção. Não há comprovação pública de saída do território paraguaio.

    O QUE SE SABE SOBRE O VICE PEDRO ALLIANA?

    O vice-presidente Pedro Alliana, da mesma chapa de direita do Partido Colorado, confirmou possuir um Certificado de Depósito de Ahorro (CDA) de G. 4.000 milhões no Ueno Bank, usado como garantia de um empréstimo de G. 4.500 milhões para aquisição de imóvel. Em declarações à Última Hora, Alliana afirmou desconhecer os problemas de liquidez antes do anúncio do BCP e que seus pais também tinham poupança na entidade. O pedido de impeachment contra ele foi rejeitado pela Câmara (48 a 30), abrindo caminho para eventual assunção caso a renúncia de Peña seja formalizada.

    A Fiscalía abriu investigação que inclui Peña, Alliana e outras autoridades, segundo a Última Hora.

    ANTECEDENTES E DESDOBRAMENTOS

    Peña assumiu em agosto de 2023. A partir daí, depósitos públicos no Ueno cresceram de forma expressiva. O caso lembra escândalos de concentração de recursos públicos em instituições com vínculos políticos, com impacto em poupadores, aposentados (mais de 30 mil do IPS) e no comércio, que dependia de pagamentos eletrônicos. O paralelo com o caso Master no Brasil é recorrente na imprensa regional, embora as investigações paraguaias foquem em créditos vinculados, solvência e possível conflito de interesses.

    A análise aponta que a proteção de depósitos (fundo de garantia cobre cerca de 97% dos depositantes em número) e a responsabilização dos gestores são decisivas para evitar contágio sistêmico e preservar a estabilidade institucional. A questão que permanece aberta é o desfecho do julgamento político e a recuperação efetiva dos recursos públicos e de clientes com valores acima do limite garantido.

    FAQ Rápido

    Santiago Peña saiu do Paraguai?
    Não há confirmação. O governo e o porta-voz afirmam que ele permanece no país e se defenderá no processo. O governo argentino negou registro de entrada.

    Pedro Alliana “roubou” clientes do banco?
    Não há acusação formal nesse sentido nas fontes paraguaias consultadas. Alliana admite depósito próprio (CDA) na entidade e nega conhecimento prévio da crise. O impeachment contra ele foi rejeitado.

    Quantos clientes foram afetados?
    Cerca de 2,9 a 3 milhões de contas ficaram sem acesso após a intervenção do BCP.


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