Brasília (DF)
07 de outubro de 2026
O jurista Miguel Reale Júnior, coautor do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, publicou nesta quarta-feira (7/out) um texto em que critica o desgaste do PT e de Lula, mas afirma que governos petistas não instalam apologia ou tentativa de golpe militar.
Miguel Reale Jr.trata o voto em Flávio Bolsonaro como admissão de anistia aos atos de 8 de janeiro, submissão a interesses dos Estados Unidos e abertura para uma repressão sem devido processo penal. O jurista afirma que, em quinze dias, resolve-se o destino do Brasil e pede que o país não viva sob o signo da violência.
O QUE REALE JR. ESCREVEU SOBRE FLÁVIO?
No texto, Reale Jr. descreve o clima de marasmo e descrença na política e diz que surgiu na eleição presidencial deste ano “a figura secundária, inexpressiva, de Flávio Bolsonaro, que nem ele nem nenhum de nós algum dia pensou como presidente da República”. Em seguida, afirma: “Deste filhote apenas se constata ser pessoa bem penteada, amigona de milicianos, defensor da cloroquina e do tratamento precoce na pandemia, fazendo coro com a figura de papai.”
O autor pergunta “quem é Flávio que recebeu mais de 56 milhões de votos?” e responde que pouco se sabe sobre ele e sobre suas propostas de governo. O que considera certo é a intenção de anistiar “os golpistas de 8 de janeiro, a começar por seu chefe, o pai”, e de submeter-se aos interesses dos Estados Unidos.
O QUE O VOTO EM FLÁVIO SIGNIFICARIA, SEGUNDO O TEXTO?
Reale Jr. escreve que cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que, ao escolhê-lo, “está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2022”. A conclusão do trecho é direta: “Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia.”
O segundo propósito apontado é admitir a interferência norte-americana no Brasil, “contra o Brasil, como já se viu no caso das tarifas”. O texto menciona o risco de prevalecer a justificativa de atuação militar estadunidense contra grupos do crime organizado, “já qualificados como terroristas, com anuência de Flávio”.
IMPORTANTE: O texto de Reale Jr. não apresenta decisão judicial, projeto aprovado ou ato oficial de governo. Trata-se de avaliação política do autor sobre intenções que ele atribui a Flávio Bolsonaro, com base no que afirma conhecer da trajetória e das posições públicas do senador. O alcance das críticas é o de um artigo de opinião, não o de um fato consumado.
POR QUE REALE JR. REJEITA CHAMAR CV E PCC DE TERRORISTAS?
O jurista distingue o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital de grupo terrorista. Segundo o texto, organização terrorista age motivada não por objetivo econômico, mas por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, e pretende provocar terror social. “Não sendo a atuação do CV e do PCC terrorismo”, pergunta por que Flávio, após entrevista com Trump em 26 de maio deste ano na Casa Branca, defendeu que fossem classificadas como terroristas. A resposta que oferece: “Para atender ao Tio Sam abrindo brecha para intervenção norte-americana.”
Ele conclui que, sendo Flávio submisso a Trump, o eleitor que nele votar no dia 25 estará fragilizando a soberania.
O QUE O TEXTO DIZ SOBRE EL SALVADOR?
Reale Jr. aponta o que chama de “mais gritante violação de direitos da pessoa humana” em El Salvador, “sob o mando do ditador Bukele”, com longo aprisionamento em massa preventivo. Relata que Flávio reuniu-se em São Paulo, no final de agosto, com Gustavo Villatoro, ministro de Justiça e Segurança Pública de El Salvador, e elogiou o sistema prisional salvadorenho, que diz pretender instalar.
A instalação, no Brasil, de política baseada em prender o suspeito e mantê-lo em presídio de segurança máxima até que prove o contrário seria, escreve, “desigual e discriminatório, um desastre humanitário”. Cada eleitor que pretender sufragar Flávio, acrescenta, “deve estar ciente de que começa com o seu voto a construção de uma repressão indiscriminada, sem o devido processo penal”.
COMO O CONGRESSO ENTRA NESSE ALERTA?
O quadro fica “ainda mais temerário”, segundo o texto, diante do resultado da eleição para o Congresso Nacional. Reale Jr. cita parlamentares da direita radical, eleitos com milhões de votos, que em palanques virtuais com Flávio pregaram contra direitos das minorias, contra cotas, contra o feminismo, em prol da redução da maioridade penal ou associando povos indígenas a canibalismo. Com a Câmara e assembleias marcadas por candidatos “digitais” e propostas reacionárias, afirma que um presidente adepto ou suscetível a apoiar essa facção seria uma temeridade.
O QUE O TEXTO DIZ SOBRE O PT E LULA?
Reale Jr. reconhece desgaste: “Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco.”
O fecho retoma o título do post: “Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de quinze dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência.”
A análise, restrita a este texto, aponta que o apoio a Lula não é declarado em frase nominal de endosso. Ele aparece pelo contraste: o autor rejeita o voto em Flávio como legitimação de golpe, anistia e estado policial e afirma que governos petistas não instalaram apologia ou tentativa de golpe militar. A peça funciona, portanto, como alerta eleitoral de um jurista que participou do impeachment de 2016.
“CUIDADO COM O PRECIPÍCIO
Miguel Reale Jr
Em clima de marasmo e descrença na política, surgiu na eleição presidencial deste ano a figura secundária, inexpressiva, de Flávio Bolsonaro, que nem ele nem nenhum de nós algum dia pensou como presidente da República. Deste filhote apenas se constata ser pessoa bem penteada, amigona de milicianos, defensor da cloroquina e do tratamento precoce na pandemia, fazendo coro com a figura de papai. Mas quem é Flávio que recebeu mais de 56 milhões de votos?
Pouco se sabe sobre ele e acerca de suas propostas de governo. O certo é que pretende anistiar os golpistas de 8 de janeiro, a começar por seu chefe, o pai, e submeter-se aos interesses dos Estados Unidos, que pretende ter os países da América como sesmarias. Examinando sua produção legislativa em oito anos de Senado verifica-se que o endurecimento amplo da repressão penal foi o assunto preferencial inspirador de projetos de lei, que, no entanto, não foram aprovados.
Assim, cada eleitor de Flávio deve ficar ciente de que ao escolhe-o está a admitir a anistia, ou seja, referendando a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anulação pela força da eleição fidedigna de 2.022. Votar em Flávio é, portanto, legitimar o golpe, dando sinal de aprovação à tentativa de assunção ao poder pela força e de desamor à democracia.
O segundo propósito consiste em admitir a interferência norte-americana no Brasil, contra o Brasil, como já se viu no caso das tarifas. Corre-se o risco de prevalecer a justificativa de atuação militar estadunidense contra grupos do crime organizado, já qualificados como terroristas, com anuência de Flávio.
O Comando Vermelho (CV) ou o Primeiro Comando da Capital (PCC) em nada se assemelham a grupo terrorista, que age motivado não por objetivo econômico, mas por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, e pretendendo provocar terror social.
Dessa maneira, constitui terrorismo atentar contra a vida de líder político, religioso, social ou membro de uma determinada comunidade, se em ação motivada por preconceito ou discriminação de raça, cor, etnia, religião ou pelo xenofobismo, visa a levar ao terror social.
Não sendo a atuação do CV e do PCC terrorismo, por qual razão Flávio, após entrevista com Trump em 26 de maio deste ano na Casa Branca, defendeu que fossem classificadas tais organizações como terroristas? Para atender ao Tio Sam abrindo brecha para intervenção norte-americana. Sendo Flávio submisso a Trump, cumpre estar o eleitor consciente de que ao nele votar dia 25 estará fragilizando nossa soberania.
A mais gritante violação de direitos da pessoa humana se pratica em El Salvador, sob o mando do ditador Bukele, com longo aprisionamento em massa preventivo de milhares de indagados, criando-se um estado policial opressor pavoroso. Flávio reuniu-se em São Paulo, em final de agosto último, com Gustavo Villatoro, Ministro de Justiça e Segurança Pública de El Salvador, elogiando o sistema prisional salvadorenho, que diz pretender instalar.
A instalação de uma política de segurança pública baseada na autorização para a polícia prender e enfurnar o suspeito em presídio de segurança máxima até que prove o contrário, como sucede em El Salvador, será no nosso país, desigual e discriminatório, um desastre humanitário.
Cada eleitor que pretender sufragar o nome de Flávio deve estar ciente de que começa com o seu voto a construção de uma repressão indiscriminada, sem o devido processo penal.
Mas o quadro torna-se ainda mais temerário diante do resultado da eleição para o Congresso Nacional. O risco de quebra da normalidade democrática e de aceitação de violação de direitos se densifica diante das posições de parlamentares da direita radical, eleitos com milhões de votos que, em palanques virtuais com Flávio, pregaram contra direitos das minorias, contra cotas, contra o feminismo, em prol da redução da maioridade penal ou associando povos indígenas a canibalismo.
Na eleição para Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa prevaleceram os candidatos “digitais”, que divulgam pelas redes sociais propostas simples e repletas de fortes sentimentos altamente reacionários, alguns carregados de ódio a grupos identitários, a mostrar o avanço da direita radical.
Assim, com um Congresso Nacional pontilhado de direitistas extremados, aderentes a teses radicais, será uma temeridade um presidente adepto ou suscetível a dar seu apoio a proposições desta facção política.
Se é certo que o PT e o próprio Lula revelam o desgaste do tempo e permeia a sociedade um cansaço com o discurso petista, todavia, uma coisa é segura: com os governos petistas não se instala a apologia ou a tentativa do golpe militar, se preserva nossa independência e não se promove um estado policialesco.
Nada justifica que, ao se pretender mudar o rumo, tome-se o caminho do precipício. Dentro de quinze dias resolve-se o destino do Brasil e desejo ardentemente que não vivamos sob o signo da violência.”
Fonte: @miguelrealejunioradvogados/Instagram
FAQ Rápido
Miguel Reale Jr. declarou voto nominal em Lula?
O texto não usa a fórmula “voto em Lula”. Contrasta os governos petistas com o risco que atribui a Flávio e pede que o país não tome o caminho do precipício.
O que o texto afirma sobre anistia?
Que votar em Flávio é admitir a anistia aos atos de 8 de janeiro, a começar pelo pai, e referendar a invasão das sedes dos três Poderes e a tentativa de anular pela força a eleição de 2022.
Quando seria a votação mencionada?
O texto fala em votar “dia 25” e em decisão “dentro de quinze dias”. Não traz calendário oficial além dessas referências.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:




