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“Rachadinha lembra certa família”, diz Noblat, enquanto PF faz operação contra assessores fantasmas em Angra dos Reis

    Polícia Federal cumpre buscas em esquema suspeito de desvio de recursos públicos na Câmara Municipal fluminense, com indícios de nomeações sem exercício real de função e troca por apoio político

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    Câmara Municipal
    Câmara Municipal de Angra dos Reis – Imagem divulgação Câmara Municipal de Angra dos Reis
    RESUMO
    URBS MAGNA - Progressistas por um BRASIL SOBERANO


    Brasília (DF) · 24 de março de 2026

    A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (24/mar) a Operação Caça Fantasmas, que investiga suspeitas de “rachadinha” e contratação de assessores parlamentares fantasmas na Câmara Municipal de Angra dos Reis, no litoral fluminense.

    As diligências, autorizadas pela Justiça Eleitoral, cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em endereços de Angra dos Reis, na capital Rio de Janeiro e em Juiz de Fora (MG), segundo o g1.

    As apurações apontam indícios de que cargos comissionados teriam sido utilizados como moeda de troca para obter apoio político e financeiro, com possível desvio de recursos eleitorais e omissão de despesas.

    Entre os alvos está o vereador Greguy Soares Duarte, cujo gabinete concentra as principais suspeitas de nomeações sem exercício efetivo das funções.

    Um caso concreto chamou atenção dos investigadores: uma assessora lotada no gabinete cursava medicina de forma presencial e em tempo integral em Juiz de Fora, além de atuar como cirurgiã-dentista na mesma cidade mineira.

    A incompatibilidade de horários e localidades sugere que ela não exercia as atividades parlamentares em Angra dos Reis, configurando possível funcionária fantasma.

    Os investigados podem responder por crimes de falsidade ideológica eleitoral, peculato-desvio, além de abuso de poder político e econômico.

    A Polícia Federal destaca que as contratações irregulares teriam servido para sustentar campanhas políticas fora dos registros oficiais.

    O jornalista Ricardo Noblat comentou o caso em seu perfil no Threads: “Rachadinha? Isso me lembra uma certa família”.

    Ver no Threads

    O comentário é uma alusão irônica e direta ao histórico de acusações semelhantes que recaem sobre a família Bolsonaro há anos. 

    Noblat, jornalista com longa carreira e posição crítica ao bolsonarismo, usou a expressão para destacar o que considera um padrão recorrente de práticas suspeitas envolvendo verbas parlamentares e nomeações irregulares, noticiados por jornais com renome nacional, especialmente durante os anos da gestão presidencial Bolsonaro, mas algumas matérias voltaram à tona neste mês de março de 2026.

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo do mais robusto conjunto de acusações. Em novembro de 2020, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) o denunciou por peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e apropriação indébita, em um esquema que teria desviado mais de R$ 6 milhões quando ele era deputado estadual na Alerj.

    O operador apontado pelo MP é o ex-policial militar Fabrício Queiroz, que teria coordenado a devolução de parte dos salários de assessores – alguns deles apontados como “funcionários fantasmas”.

    A investigação ganhou corpo a partir de um relatório do Coaf que identificou movimentações financeiras atípicas. Em depoimento, uma ex-assessora de Flávio confessou a prática da rachadinha e a entrega de valores diretamente a Queiroz, segundo reportagem do O Globo.

    O caso, que tramita com idas e vindas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi analisado em 2026 pela Folha de S.Paulo, que destacou que o episódio foi encerrado com perguntas ainda não respondidas. Já o El País ressaltou como o STJ freou tentativas de blindagem do senador, dando sobrevida ao caso.

    O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), um dos mais próximos ao ex-presidente, também responde a investigações por suspeita de rachadinha em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em 2021, o MP-RJ apontou que ao menos oito funcionários de seu gabinete mantinham outros empregos incompatíveis com a jornada de trabalho, o que reforçava a suspeita de que não exerciam funções reais. A informação foi divulgada pelo UOL.

    Em fevereiro de 2026, a Justiça reabriu a investigação contra Carlos, segundo reportagem do UOL, mantendo-o na mira das apurações sobre desvios que teriam somado cerca de R$ 1,7 milhão.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro também foi mencionado em investigações sobre o mesmo tipo de prática. Conforme a BBC, áudios e depoimentos, incluindo o de sua ex-cunhada Andrea Siqueira Valle, apontaram que ele teria tolerado ou participado de um esquema de rachadinha em seu gabinete na Câmara dos Deputados, com uma assessora apontada como fantasma devolvendo parte do salário.

    A consistência do modus operandi entre os membros da família foi destacada pela VEJA, que publicou o depoimento do ex-assessor Waldir Ferraz, confirmando a existência do esquema de rachadinha nos gabinetes de JairFlávio e Carlos Bolsonaro.

    O que une todos esses casos é a repetição de um mesmo roteiro: a nomeação de servidores que não exerciam funções efetivas – os chamados “fantasmas” –, a devolução de parte dos salários aos parlamentares ou intermediários, e o uso da máquina pública para benefício privado.

    Operação Caça Fantasmas, que inspirou o comentário de Noblat, escancara exatamente essa prática em Angra dos Reis. Para o jornalista, a semelhança com o que foi amplamente noticiado sobre os gabinetes da família Bolsonaro no Rio de Janeiro é direta: “lembra” o mesmo padrão investigado há anos.




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