O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em foto para o site do Ministério da Saúde, com o quadro do presidente Jair Bolsonaro, na parede. Ao lado, o jornalista Leonardo Sakamoto | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
O jornalista diz que ao negar vacina às crianças o presidente do Brasil e o ministro da Saúde promovem um “massacre de inocentes” que é comparado ao cometido pelo rei da Judeia, na época do nascimento de Jesus
“O massacre de inocentes que o ministro da Saúde Marcelo Queiroga e o presidente Jair Bolsonaro promovem ao negar a vacina a crianças foi comparado pelas redes sociais àquele que é atribuído a Herodes, rei da Judeia, na época do nascimento de Jesus Cristo. Uma triste ironia brasileira de Natal”, escreve o jornalista Leonardo Sakamoto no UOL.
Queiroga passou a sexta-feira sendo chamado de “assassino” nas redes sociais, por “protelar” a vacinação de crianças brasileiras e repetir a ameaça que havia sido feita por Bolsonaro, de apresentar nomes de funcionários da Anvisa.
O ministro disse que a vacinação de pessoas entre 5 e 11 anos só vai ser realizada com um médico justificando a necessidade caso a caso e que “óbitos de crianças estão dentro de patamar que não implica em decisões emergenciais“.
Sakamoto considera que o fato de a maioria não possuir um médico, “o acesso dos imunizantes principalmente aos mais pobres” é mais difícil. Para o jornalista, na avaliação de Queiroga não é necessário pressa para começar a imunização de crianças.
“Queiroga e Bolsonaro se comportam “como quem vê a vida dos mais jovens como um instrumento para seus interesses políticos, tal como a bíblia cristã descreve Herodes“, escreve o colunista do UOL, que em sua comparação da dupla com Herodes lembrou que no Evangelho de Mateus, em seu capítulo 2, o rei “ficou preocupado após a visita dos reis magos que buscavam o menino recém-nascido que seria o rei dos judeus para adorá-lo, pois temia perder o poder. E que, por via das dúvidas, teria mandou passar as crianças na espada“.
“Queiroga e Bolsonaro não ordenaram a morte de crianças, mas são cúmplices dos óbitos ao negar acesso ao produto que poderia salvar sua vida e saberem disso. Desde o início da pandemia, mais de 300 famílias perderam seus filhos entre 5 e 11 para a covid-19“, diz Sakamoto.
Na avaliação do jornalista, a atitude tanto do ministro quanto do presidente tenta agradar “o naco terraplanista de seu eleitorado mais fiel” e “o grupo que defende a liberdade plena para contaminar e ser contaminado“.
“Esse pessoal prefere ver o capeta do que criança vacinada. Criando uma falsa guerra pela “liberdade”, o governo posterga o quanto possível o início da imunização“, escreve Sakamoto.
“No desespero de conquistar o apoio de comunidades religiosas cristãs para a sua reeleição, Bolsonaro acabou se transformando em um personagem bíblico. O problema é que escolheu um conhecido por ceifar vidas“, conclui o jornalista.
