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    Ex-presidente do BRB preso pela PF financiou mansão de Flávio Bolsonaro em operação agora sob investigação

    Prisão de Paulo Henrique Costa na Operação Compliance Zero recoloca em evidência o empréstimo de R$ 3,1 milhões concedido pelo banco público para imóvel de R$ 5,97 milhões no Lago Sul, enquanto o senador se lança como pré-candidato à Presidência

    Senador Flávio Bolsonaro

    Mansão comprada por senador Flávio Bolsonaro tem valor três vezes maior do que o patrimônio declarado por ele em eleição de 2018, segundo O Globo / Foto: REUTERS/SERGIO MORAES

    RESUMO
    URBS MAGNA

    Brasília (DF) · 16 de abril de 2026

    A prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), pela Polícia Federal nesta quinta-feira (16/abr) recoloca sob os holofotes uma operação de crédito concedida durante sua gestão: o financiamento de R$ 3,1 milhões para a aquisição de uma mansão avaliada em R$ 5,97 milhões por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à Presidência da República, conforme mostra o Metrópoles.

    O imóvel, localizado no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul — uma das regiões mais valorizadas de Brasília —, foi comprado em 2021 com entrada de aproximadamente R$ 2,87 milhões e parcelamento do restante em 360 meses pelo BRB.

    O contrato previa juros entre 3,65% e 3,71% ao ano, mais correção pelo IPCA. O senador quitou antecipadamente o débito em cerca de três anos, em 2024.

    Paulo Henrique Costa presidiu o BRB de 2019 a novembro de 2025, quando foi demitido. Apadrinhado politicamente, ele ocupava o cargo quando o banco aprovou o financiamento ao senador, operação que, segundo o próprio BRB na época, seguiu “padrões de mercado”.

    A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça do STF, investiga supostas irregularidades em negócios entre o BRB e o Banco Master, incluindo suspeitas de descumprimento de práticas de governança e facilitação de operações sem lastro adequado.

    A PF cumpre ainda mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.

    A investigação apura esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com indícios de que Paulo Henrique Costa teria recebido propina da ordem de R$ 140 milhões para viabilizar negociações.

    Fontes próximas às investigações indicam que tanto Costa quanto Vorcaro buscam acordos de delação premiada.

    De acordo com a Revista Fórum, o aval para o financiamento da mansão de Flávio Bolsonaro ocorreu exatamente no contexto em que o BRB, sob comando de Paulo Henrique Costa, avançava em operações sensíveis com o Banco Master.

    A Hora do Povo destaca que o ex-executivo “deixa um rastro de prejuízos ao erário” ligado ao chamado Caso Master.

    O caso ganha relevância no momento em que Flávio Bolsonaro se apresenta como pré-candidato à Presidência, posicionando-se como continuador de um projeto político.

    A Polícia Federal não relaciona diretamente o financiamento da mansão ao esquema sob apuração na Operação Compliance Zero, mas a coincidência temporal e a posição de Paulo Henrique Costa como autoridade máxima do banco público à época reacendem o debate sobre transparência e accountability em instituições que gerenciam recursos de interesse coletivo.

    A PF deve detalhar mais elementos nos próximos dias.




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