Investigação da PF aponta fraudes em licitações de assistência social após tragédia climática de 2024 no Vale do Taquari; Caumo migrou para o União Brasil e vai tentar a Câmara dos Deputados em 2026
Brasília (DF) · 26 de fevereiro de 2026
Na manhã desta quinta-feira (26/fev), a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Lamaçal e cumpriu prisão temporária contra Marcelo Caumo (Progressistas [PP]), ex-prefeito de Lajeado (RS).
A investigação apura suposto desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados ao município para recuperação dos estragos causados pelas enchentes devastadoras de maio de 2024 no Rio Grande do Sul.
A ação, que reuniu 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária em cidades como Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre, também resultou na detenção de uma empresária ligada ao grupo econômico beneficiado e no afastamento cautelar de uma vereadora – nomes não revelados pela PF.
Veículos foram sequestrados e ativos, bloqueados. Conforme a Polícia Federal, a análise de material apreendido na primeira fase (novembro de 2025) reforça indícios de direcionamento de licitações.
Três contratos para prestação de serviços de assistência social – psicólogos, assistentes sociais, educadores, auxiliares administrativos e motoristas – teriam sido firmados com dispensa de licitação justificada pelo estado de calamidade, mas sem observância da proposta mais vantajosa e com valores acima do mercado.
O montante total dos contratos chega a aproximadamente R$ 120 milhões, com desvios estimados em ao menos R$ 5 milhões, segundo a CNN Brasil.
Marcelo Caumo governou Lajeado de 2017 até o final de 2024. Em 2025, assumiu a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano no governo Eduardo Leite, cargo do qual se afastou dias após a primeira fase da operação.
A Prefeitura de Lajeado, em nota oficial, destacou que a investigação envolve contratos de gestões anteriores e que a atual administração colabora plenamente com as autoridades: “Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, conforme publicado pelo g1.
O advogado Jair Alves Pereira, que defende Caumo, informou que ainda não teve acesso à decisão judicial e desconhece os fundamentos da prisão.
A ordem foi expedida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) com prazo inicial de cinco dias, prorrogável por igual período, para evitar combinação de versões ou destruição de provas.
Caumo deve ser ouvido pela PF nos próximos dias no Presídio Estadual de Lajeado. Os investigados podem responder por desvio ou aplicação indevida de verba pública, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A PF enfatiza que a apuração não atinge a gestão atual do município.
O ex-prefeito Marcelo Caumo trocou de partido para tentar chegar à Câmara dos Deputados, aproveitando alianças e estratégias eleitorais para 2026.

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