📷 O presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto é investigado pela Polícia Federal sobre desvio de emendas usando nomes de deputados / imagem reprodução PL YouTube | | Arte Urbs Magna
| Brasília (DF)
11 de julho de 2026
A Polícia Federal investiga se deputados do PL sabiam que seus nomes estavam sendo usados pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em um suposto esquema de desvio de R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares, mesmo ele não exercendo mandato eletivo no Congresso Nacional.
O caso ganhou contornos judiciais na sexta-feira (10/jul), quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou pública a decisão — assinada em 6 de julho — que determinou a indisponibilidade de R$ 119.216.703,15 em bens de Costa Neto e suspendeu os pagamentos de 21 emendas sob suspeita.
Como a investigação chegou até aqui
O caso é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada pela PF em dezembro de 2025 para apurar irregularidades na destinação de recursos por emendas parlamentares, segundo o Correio Braziliense.
A quebra do caso veio da análise do celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL).
Planilhas e mensagens trocadas entre ela e outros dois assessores da liderança do PL, Garigham Amarante Pinto e Nara Brum, indicariam que o trio funcionava como “longa manus” de Valdemar.
Em uma das conversas obtidas pela PF, um assessor pergunta: “Fechou o valor do Pres Valdemar?”.
Segundo a investigação, o esquema teria funcionado entre junho de 2024 e março de 2026: servidores da Câmara organizavam e encaminhavam indicações de verbas atribuídas a Valdemar, enquanto deputados em exercício eram formalmente registrados como autores das emendas — mecanismo que, na avaliação da PF, conferia aparência de legalidade a decisões tomadas por quem não tinha mandato para propor emendas ao Orçamento.
Os deputados envolvidos
Ao menos três parlamentares do PL tiveram seus nomes vinculados a emendas atribuídas a Valdemar: o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (RJ), aparece como solicitante de R$ 94 milhões distribuídos entre municípios do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Bahia — incluindo uma emenda de R$ 25 milhões para Porto Seguro; Luiz Carlos Motta (SP) figura em R$ 22,8 milhões destinados a Suzano e Ubatuba; e Capitão Alden (BA) aparece em uma emenda de R$ 2,4 milhões para Itaguaçu da Bahia.
Motta afirmou que seu nome consta nos registros porque atuou como relator do Orçamento Geral da União em 2024, e que as indicações seguiram os trâmites regimentais. Sóstenes e Alden não se manifestaram até a publicação das reportagens consultadas.
É justamente esse ponto que a PF agora tenta esclarecer: se os parlamentares autorizaram o uso de suas cotas, se aderiram conscientemente ao procedimento ou se tiveram seus nomes utilizados sem participação direta.
A decisão do STF e a reação de Valdemar
Na decisão que autorizou o bloqueio patrimonial, Flávio Dino classificou a situação como grave, avaliando que “é grave a suspeita de que uma pessoa fora do Parlamento tivesse ingerência” sobre recursos públicos.
O magistrado também determinou que a Câmara dos Deputados entregue, em até dez dias, a documentação completa sobre a tramitação interna das emendas investigadas, além de notificar a Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União para fins de fiscalização.
A defesa de Valdemar Costa Neto reagiu classificando a decisão como uma “indevida criminalização da atividade político-partidária”, argumentando que não há prova de vantagem pessoal ao dirigente partidário e que recorrerá da medida.
Vale lembrar que Valdemar já responde por antecedentes na Justiça: foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do Mensalão.
A Procuradoria-Geral da República se manifestou contrária à concessão das medidas cautelares neste momento da investigação, embora tenha reconhecido a necessidade de aprofundar as apurações — um detalhe que qualifica a robustez ainda provisória do caso, apontado pelo próprio Correio Braziliense.
A análise do Urbs Magna aponta que o episódio expõe uma fragilidade estrutural do sistema orçamentário brasileiro: emendas de comissão, criadas para descentralizar recursos e reduzir a dependência do Executivo, tornaram-se, segundo a hipótese da PF, instrumento de controle informal por parte de dirigentes partidários sem qualquer mandato — um desenho que praticamente convida à opacidade.
Sob a ótica deste portal, a linha investigativa sobre a “participação, ciência, adesão ou inconsciência” dos deputados é o núcleo mais sensível do caso, porque dela depende separar parlamentares que se omitiram deliberadamente daqueles que, de fato, tiveram seus nomes emprestados sem controle sobre o processo.
Em reação pública ao caso, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, publicou nas redes sociais que a PF age de forma seletiva contra adversários do atual governo, avaliando como natural que o presidente de um partido dialogue politicamente com sua bancada.
A Câmara dos Deputados tem prazo de dez dias, a partir de 6 de julho, para entregar à Justiça a documentação sobre a tramitação das 21 emendas investigadas.
FAQ rápido
O que a PF investiga sobre Valdemar Costa Neto?
Se ele, mesmo sem mandato parlamentar, comandava a destinação de R$ 119,2 milhões em emendas registradas em nome de deputados do PL.
Quais deputados tiveram os nomes citados?
Sóstenes Cavalcante, Luiz Carlos Motta e Capitão Alden, todos do PL, aparecem como solicitantes formais das emendas sob suspeita.
Valdemar Costa Neto já foi condenado neste processo?
Não. A decisão do STF apenas bloqueia bens e suspende pagamentos; não há denúncia formal nem condenação até o momento.
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