Relatório enviado ao STF expõe rede que desviou verbas públicas para fraudes em licitações, compra de votos e controle de prefeituras cearenses, com indícios de pedidos disfarçados ligados a shows de Wesley Safadão
Brasília (DF) · 18 de março de 2026
A Polícia Federal indiciou o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) por integrar e liderar uma organização criminosa dedicada à venda de emendas parlamentares no Ceará.
O relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) revela que o esquema movimentou quase R$ 800 milhões em recursos públicos entre 2020 e 2025, com cobrança de propina tratada internamente como “imposto” de 10% a 15% sobre os valores destinados a prefeituras.
De acordo com o UOL, a investigação partiu de depoimento da ex-prefeita de Canindé, que relatou ofertas condicionadas à devolução de porcentagem.
O grupo, em sociedade com o ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (foragido), direcionava verbas via emendas de orçamento secreto e Pix para municípios aliados, em troca de contratos superfaturados em obras como asfalto e transporte escolar.
Empresas ligadas ao esquema, como a MK Serviços, receberam mais de R$ 455 milhões entre 2023 e 2025.
O mecanismo servia também para financiar campanhas eleitorais e compra de votos em cerca de 50 cidades cearenses.
Mensagens interceptadas mostram diálogos explícitos sobre “pedágio” e pressões sobre a Caixa Econômica Federal. Júnior Mano é apontado como o líder político, responsável pela articulação das emendas, enquanto Bebeto Queiroz operava as fraudes em licitações.
A defesa do parlamentar afirmou que “depois de um ano de uma ruidosa investigação, a Polícia Federal nada encontrou de relevante contra o deputado Júnior Mano” e classificou as conclusões como exageradas e genéricas, sem provas diretas de participação em ordenação de despesas.

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