Flávio Bolsonaro conversa ao celular no plenário do Senado | 14.4.2026 | A PF apura se uma emenda de seu gabinete abasteceu esquema criminoso ligado aos irmãos Brazão, condenados pela morte de Marielle Franco / Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado
| Brasília (DF)
20 de maio de 2026, 19h00
PT aciona TSE contra “Dark Horse” com base em R$ 61 mi do Banco Master (Daniel Vorcaro) intermediados por Flávio Bolsonaro. Ação pede suspensão até eleições, cita caixa 2, lavagem de dinheiro e precedente de 2022. Flávio admitiu ter mentido sobre relação com o banqueiro.
A Polícia Federal (PF) está investigando o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suspeitar que uma emenda parlamentar de R$ 199 mil.
Destinada a uma organização não-governamental (ONG) no Rio de Janeiro, a suspeita é que ela tenha abastecido um poderoso esquema de desvios de recursos públicos comandado pelos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, ambos condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A investigação, cujos detalhes foram revelados originalmente pelo O Globo nesta quarta-feira (20/mai), conecta diretamente o gabinete de uma das principais lideranças da direita brasileira a um esquema criminoso que pode ter desviado R$ 268 milhões entre 2020 e 2024.
O elo de ligação e os diálogos secretos
No centro da trama está Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”.
Ele é apontado pelos investigadores como o operador financeiro do grupo dos Brazão.
A PF detalha que cabia a “Peixe” articular a captação de emendas com deputados e senadores para direcionar verbas a ONGs de fachada.
De acordo com os autos, em 24 de outubro de 2023, um assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) procurou o gabinete de Flávio Bolsonaro.
Pouco mais de um mês depois, em 29 de novembro de 2023, o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) recebeu a emenda de R$ 199 mil.
Os investigadores apontam que a ONG, localizada na Taquara, Zona Oeste do Rio — área de influência política e territorial dos Brazão —, servia como um dos canais de captação de recursos para o grupo criminoso.
“Peixe” não é um desconhecido das autoridades.
Em 24 de fevereiro deste ano, ele se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi condenado a 9 anos de prisão por integrar a organização criminosa responsável pela morte de Marielle Franco.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) o descreve como o homem que “funcionou como intermediário das conexões entre os executores dos delitos e os respectivos mandantes”.
Troca de favores e pedidos explícitos
As mensagens obtidas pela PF sob sigilo telefônico de “Peixe” revelam uma relação que vai além do protocolo entre o seu esquema e o gabinete do senador.
Em fevereiro de 2024, uma assessora de Flávio Bolsonaro pede a “Peixe” quatro ingressos para assistir ao desfile das campeãs no Sambódromo do Rio de Janeiro.
A PF afirma que o pedido foi prontamente atendido.
A confiança era tamanha que, em 6 de novembro de 2024, “Peixe” voltou a procurar a mesma assessora com um pedido direto: que “o senador agracie o instituto para que o projeto não termine”, referindo-se ao Ifop.
Não há registros de um novo repasse, mas o pedido escancara a promiscuidade na relação entre o político e os operadores.
Flávio se defende e ONG nega vínculos
Procurado pelo O Globo, Flávio Bolsonaro afirmou, por meio de sua assessoria, que não cabe ao parlamentar auditar o uso das emendas por terceiros.
O senador sustentou que o objetivo do repasse era “apoiar um projeto voltado a crianças em situação de vulnerabilidade, garantindo acesso a atividades esportivas e inclusão social”.
Já o Ifop negou “qualquer relação formal ou informal” com “Peixe” ou os irmãos Brazão, alegando que prestou contas ao Ministério do Esporte e devolveu recursos excedentes.
No entanto, a própria prestação de contas levanta suspeitas.
A PF identificou pagamentos a uma empresa de consultoria registrada em um endereço onde hoje funciona um salão de beleza em Águas Claras (DF), além de repasses para outra ONG também sob investigação.
O caso expõe uma faceta grave do sistema de emendas parlamentares no Brasil, onde a falta de rastreamento eficiente permite que recursos públicos alimentem estruturas criminosas.
Enquanto Flávio Bolsonaro se lança como nome forte para a corrida presidencial de 2026, a Polícia Federal aprofunda as investigações para determinar se ele foi vítima de um esquema sofisticado ou se houve conivência com o desvio de verbas que, segundo a investigação, teriam financiado até mesmo a compra de 20 bicicletas para um evento político de Chiquinho Brazão.
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FAQ – Rápido
1. O que a Polícia Federal encontrou?
A PF descobriu que “Peixe”, operador dos irmãos Brazão (condenados por mandar matar Marielle Franco), intermediou uma emenda de Flávio Bolsonaro para a ONG Ifop e suspeita que o dinheiro foi desviado para abastecer o esquema criminoso do grupo.
2. Qual o valor da emenda investigada?
A emenda destinada pelo senador Flávio Bolsonaro à ONG Ifop foi de R$ 199 mil, repassados em novembro de 2023.
3. O que diz o senador Flávio Bolsonaro?
Flávio Bolsonaro alega que sua função é apenas destinar a verba e que a fiscalização da execução é responsabilidade do ministério e da ONG, negando qualquer irregularidade e afirmando que o projeto social foi um sucesso.
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