Brasília (DF)
02 de outubro de 2026
A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 1,85 milhão em espécie, além de euros e dólares, na quinta-feira (1º/out), em Macapá, durante investigação sobre indícios de compra de votos. O caso importa porque o benefício assistencial de famílias vulneráveis entrou na apuração a três dias do primeiro turno, com reflexo possível até o segundo turno.
As buscas foram pedidas pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral no Amapá, e cumpridas com apoio da Polícia Federal. A nota oficial, publicada na quinta-feira (1º/out), informa sete investigados, entre eles uma autoridade com foro. Ninguém foi preso.
O QUE A POLÍCIA FEDERAL APREENDEU EM MACAPÁ?
O g1 registrou o valor exato de R$ 1.857.959, além de euros, dólares, eletrônicos, documentos e dados em nuvem. O título do veículo também informa a apreensão de cestas básicas. A nota do Ministério Público Federal fala em aproximadamente R$ 1,85 milhão, euros e dólares, e descreve a distribuição de cestas como um dos pontos sob análise.
Os mandados alcançaram a casa e o gabinete na Assembleia Legislativa do Amapá de uma das investigadas, além dos endereços dos outros seis. A Justiça Eleitoral afastou, até o fim do segundo turno, uma servidora do Super Fácil e outra da Assembleia. A medida busca impedir o uso dos cargos na reta final da campanha.
QUEM É INVESTIGADO E QUAL O PAPEL DO PDT E DO UNIÃO BRASIL?
A Folha de S.Paulo identificou entre os sete investigados a deputada estadual Aldilene Souza (PDT), candidata à reeleição. Ela é aliada do governador Clécio Luís (União Brasil), também candidato à reeleição. A reportagem afirma que ele não é alvo da operação.
O PlatôBR acrescenta que parte do dinheiro foi encontrada na residência da deputada. O veículo também registra que Aldilene já havia sido alvo de ação de impugnação de candidatura do Ministério Público Eleitoral, por condenação ligada às eleições de 2018. A Folha informou que a assessoria da parlamentar e o governador foram procurados e não se manifestaram até a publicação.
A mesma reportagem situa Aldilene no mesmo partido do ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, ex-governador do Amapá por quatro mandatos. Góes e o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), não são citados como alvos. Clécio aparece em segundo nas pesquisas desde o início da campanha. O ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, lidera a disputa e é descrito como o principal rival do grupo político de Alcolumbre. O partido de Furlan não foi informado nessas matérias.
IMPORTANTE: A investigação apura indícios de compra de votos, coação eleitoral e uso da máquina pública. Não há condenação, não houve prisão e o governador do União Brasil não figura entre os alvos. A nota do MPF afirma que o aumento de beneficiários, isoladamente, não demonstra ilícito. O PlatôBR registra que a apreensão do dinheiro, sozinha, não comprova compra de votos.
O QUE O MINISTÉRIO PÚBLICO ELEITORAL APONTA SOBRE O RENDA PARA VIVER MELHOR?
Segundo o MPF, há indícios de que o programa estadual Renda para Viver Melhor e a distribuição de cestas básicas estariam sendo manipulados em troca de apoio político. A nota diz que a inclusão e a permanência de famílias vulneráveis dependeriam da promessa de voto em candidatos apoiados pelo grupo, “havendo inclusive relatos de ameaças de cancelamento do benefício caso o apoio não fosse confirmado nas urnas”.
O número de beneficiários, antes estabilizado em cerca de 10 mil, teria chegado a 13.305 em junho de 2026. O MPF trata o salto como elemento adicional, ao lado de comunicações e documentos já obtidos, e não como prova isolada. As análises contaram com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF.
O QUE O GOVERNO DO AMAPÁ RESPONDEU?
A Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) afirmou ao g1 que as investigações não têm relação com a gestão institucional nem com os procedimentos do programa. A pasta repudiou “qualquer tentativa de utilização de programas assistenciais para fins políticos ou eleitorais” e disse que as concessões seguem critérios técnicos e legais, com transparência e impessoalidade. A secretaria informou que se coloca à disposição da Justiça Eleitoral e do Ministério Público Federal.
O QUE ESSA APURAÇÃO MUDA NA DISPUTA DO AMAPÁ?
O primeiro turno está marcado para domingo (4/out). O afastamento das duas servidoras vale até o fim do segundo turno, o que mantém a restrição caso a eleição para o governo não se resolva no domingo. A origem e o destino do dinheiro ainda dependem da análise dos documentos, dos celulares e dos dados em nuvem.
Há outra apuração eleitoral no estado, distinta desta. Na segunda-feira (28/set), a Polícia Federal cumpriu três mandados em investigação sobre saques em espécie, organização criminosa, lavagem e corrupção eleitoral, sem divulgar nomes nem o valor depois associado aos R$ 1,85 milhão. Os fatos não devem ser lidos como uma única operação.
A análise aponta que o núcleo da apuração não é a aliança entre PDT e União Brasil, e sim a suspeita de que um benefício destinado a famílias pobres tenha sido usado como condição de voto. Se confirmado, o método atinge quem tem menos margem para recusar ajuda e desequilibra a igualdade do sufrágio. A aliança política, por si, não transforma o governador em investigado.
O QUE ACONTECE AGORA?
A Polícia Federal descreveu as medidas como cautelares, destinadas a reunir elementos. Caberá à Justiça Eleitoral decidir se os indícios se sustentam depois da perícia no dinheiro, nos aparelhos e nas listas do programa. Até lá, a deputada segue candidata, as duas servidoras permanecem afastadas e o governador continua fora do rol de alvos.
FAQ Rápido
A Polícia Federal prendeu alguém na operação de Macapá?
Não. As fontes consultadas registram buscas, apreensão de valores e afastamento de duas servidoras. Não houve prisão nessa diligência de quinta-feira (1º/out).
O governador Clécio Luís, do União Brasil, é investigado?
Não, segundo a Folha de S.Paulo. Ele é aliado da deputada Aldilene Souza (PDT), que figura entre os sete investigados, mas não é alvo da operação.
O aumento do Renda para Viver Melhor prova compra de votos?
Não. O MPF informa que o salto de cerca de 10 mil para 13.305 beneficiários em junho de 2026 não demonstra ilícito sozinho. O dado entra na apuração junto com comunicações e documentos.
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