Análise de levantamento revela mudança no cenário eleitoral brasileiro, com ênfase em novos nomes conservadores
Brasília, 18 de setembro de 2025
Uma nova pesquisa realizada pelo Instituto Quaest, em parceria com a Genial Investimentos, divulgada nesta quinta-feira (18/set), expõe uma rejeição crescente à possível candidatura do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado e inelegível até 2060, Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2026.
De acordo com o levantamento, 76% dos brasileiros acreditam que o preso provisoriamente em regime domiciliar deve desistir de qualquer tentativa de disputar o cargo e apoiar outro nome no campo da direita.
Esse percentual representa um aumento de 11 pontos em relação à pesquisa de agosto, quando era de 65%, e reflete o impacto da recente condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O estudo, conduzido entre os dias 12 e 15 de setembro com 2.004 eleitores acima de 16 anos em 131 municípios brasileiros, destaca uma queda acentuada no apoio ao ex-presidente entre seus próprios eleitores.
Enquanto em julho 30% dos entrevistados defendiam Bolsonaro como o nome ideal da direita, agora esse índice despencou para 19%.
A condenação pelo STF parece ter acelerado essa erosão, especialmente após o julgamento no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que em 30 de junho de 2023 o tornou inelegível até 2030.
Entre os autodeclarados bolsonaristas, 46% agora apoiam que ele apoie um sucessor, contra 31% em agosto – um sinal de fadiga mesmo no núcleo duro de apoiadores.
Paralelamente, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), emerge como a principal alternativa no espectro conservador, apesar de sua afirmação de que não será candidato à presidência do Brasil em 2026, mas à reeleição.
Citado por 15% dos entrevistados como o nome que deveria representar a direita caso Bolsonaro não concorra – um avanço de 5 pontos em relação a agosto –, Tarcísio ganha tração especialmente entre eleitores de direita não bolsonaristas (34%) e até mesmo entre os bolsonaristas (23%).
Em declarações recentes, o governador paulista tem sinalizado interesse em uma candidatura nacional, embora publicamente priorize a reeleição em São Paulo.
Sua ascensão contrasta com a queda de outros nomes, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que caiu de 9% para 5% nas menções.
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Segundo o Valor Econômico, “Tarcísio é, com folga, o nome mais apoiado pelos eleitores bolsonaristas (23%) e pela chamada direita não bolsonarista (34%)”, destacando seu potencial de unificação.
O InfoMoney complementa que o avanço de Tarcísio ocorre em um contexto de “avanço de 11 pontos percentuais na percepção de que o ex-presidente não deve disputar”, com o governador paulista se consolidando como preferido para substituição.
Já o O Globo observa que, entre os nomes testados, 28% dos eleitores optam por “nenhum desses”, indicando um descontentamento amplo com as opções atuais da direita, mas com Tarcísio despontando como exceção positiva.
O cenário também beneficia indiretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera todos os simulações de segundo turno contra potenciais adversários da oposição, incluindo Tarcísio (40% contra 32%).
A pesquisa Quaest sinaliza um cansaço com a polarização tradicional, abrindo espaço para novos rostos no debate eleitoral de 2026.
Analistas apontam que, para Bolsonaro, o foco agora deve ser em endossar um sucessor viável, sob risco de fragmentar ainda mais o voto conservador.







