Brasília (DF)
03 de novembro de 2026
O ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato ao governo do estado pelo PSD, Eduardo Paes, publicou nesta terça-feira (3/nov) um vídeo nas redes sociais com a mensagem “O povo do Rio tem o direito de votar!” e a hashtag #2turnonorio. Foi a primeira manifestação pública de Paes sobre o tema desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que anulou os votos de Anthony Garotinho e permitiu a proclamação de Douglas Ruas (PL) como governador eleito no primeiro turno.
No vídeo, Paes explicou o silêncio anterior: “Chegou a hora de falar sobre o 2° turno no Rio de Janeiro. Faz pouco mais de uma semana que o Brasil escolheu seu presidente e muita gente me perguntou porque eu fiquei em silêncio sobre a eleição aqui do Rio desde a decisão do Tribunal Superior Eleitoral. A resposta é simples: entendi que o país precisava votar com tranquilidade e foi isso que aconteceu.”
POR QUE ISSO IMPORTA?
A mobilização reabre o debate sobre a interpretação da regra da maioria absoluta prevista na Constituição Federal. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, nenhum candidato alcançou 50% dos votos válidos quando os votos de Garotinho ainda estavam computados. Após a anulação, o percentual de Ruas ultrapassou o limiar e a eleição foi encerrada sem segundo turno. O caso está no Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1362, protocolada pelo PSD em 14 de outubro e sob relatoria do ministro Cristiano Zanin, segundo o Estadão.
O QUE PAES DISSE NO VÍDEO?
Paes reforçou o argumento central do partido: “Desde o início da campanha a gente denunciou que o candidato Anthony Garotinho estava com seus direitos políticos cassados e não podia votar e muito menos ser candidato. A decisão da população no 1° turno não foi para eleger qualquer candidato, foi para ter 2° turno. É isso que o PSD pediu ao Supremo Tribunal Federal.”
Em outro trecho, ele afirmou: “Por causa deles, ninguém alcançou a maioria absoluta, ou seja, ninguém teve mais do que 50% dos votos. A decisão do eleitor do Rio no primeiro turno não foi por eleger qualquer candidato, foi por ter segundo turno. E a Constituição, gente, é muito clara: sem maioria absoluta, tem segundo turno.”
Ele também declarou que respeitará qualquer decisão do STF e agradeceu manifestações de apoio de setores da sociedade fluminense. Paes mencionou a possibilidade de eleições suplementares em 6 de dezembro, data já prevista pela Justiça Eleitoral para casos em que uma nova votação se faça necessária.
O povo do Rio tem o direito de votar! #2turnonorio https://t.co/iSvxW7Vr6b
— Eduardo Paes (@eduardopaes) November 3, 2026
COMO A ELEIÇÃO CHEGOU A ESSE PONTO?
No primeiro turno de 4 de outubro, Douglas Ruas obteve 4.271.199 votos (49,27% dos válidos), Eduardo Paes recebeu 3.706.984 votos (42,76%) e Anthony Garotinho ficou com 274.411 votos (3,17%). Como ninguém atingiu a maioria absoluta, o cenário apontava para segundo turno marcado para 25 de outubro.
Em 8 de outubro, o TSE decidiu, por cinco votos a dois, indeferir definitivamente o registro de Garotinho e anular seus votos. Com a retotalização, Ruas passou a cerca de 50,88% dos votos válidos e foi proclamado eleito pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O PSD sustenta que votos destinados a candidato que participou regularmente do processo, mesmo sub judice, não podem ser excluídos da base de cálculo da maioria absoluta após as urnas. O partido pede ao STF a suspensão dos efeitos da decisão do TSE e o restabelecimento do segundo turno, conforme o Conjur.
IMPORTANTE: A ação no STF não questiona apenas o resultado numérico. Ela discute se a exclusão posterior de votos de um candidato que esteve nas urnas altera a vontade expressa pelos eleitores no dia da votação e se essa interpretação está alinhada ao artigo 77, parágrafo 2º, da Constituição, que exige maioria absoluta para eleição em primeiro turno de governador.
O QUE ACONTECE AGORA?
O processo permanece sob relatoria de Cristiano Zanin. Em despacho anterior, o ministro pediu informações ao TSE e determinou manifestações da Advocacia-Geral da União e da Procuradoria-Geral da República. Ainda não há decisão sobre a liminar ou sobre o mérito. Enquanto isso, Paes anunciou a retomada da mobilização pública, afirmando que “o bom direito está do nosso lado” e que “o Rio escolheu ter segundo turno”.
A análise aponta que o caso coloca em evidência a tensão entre a segurança jurídica de decisões da Justiça Eleitoral e o princípio da soberania popular. A eventual realização de um segundo turno dependerá exclusivamente da interpretação que o STF der ao alcance da maioria absoluta quando votos são anulados após a votação.
FAQ Rápido
Por que o segundo turno no Rio não aconteceu?
Porque o TSE anulou os 274.411 votos de Anthony Garotinho. Com a exclusão, Douglas Ruas ultrapassou 50% dos votos válidos e foi eleito no primeiro turno.
O que o PSD pede ao STF?
Na ADPF 1362, o partido pede que os votos de Garotinho sejam considerados para o cálculo da maioria absoluta, de modo a restabelecer o segundo turno entre Paes e Ruas.
Paes disse que vai respeitar a decisão do STF?
Sim. No vídeo, ele afirmou que respeitará qualquer decisão da Corte, seja ela qual for.
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