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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    25 de outubro de 2026

    Segundo o New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos 80 anos, conquistou a reeleição no Brasil no domingo com 51,8% dos votos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, freando o avanço da direita que havia vencido as últimas sete corridas presidenciais na América Latina e marcando a primeira vez que um presidente brasileiro obtém um quarto mandato.

    O QUE ACONTECEU

    O jornal americano descreve a vitória como um retorno espetacular de Lula, que havia ficado atrás no primeiro turno deste mês e entrou no segundo como azarão. A margem foi aproximadamente o dobro daquela com que ele derrotou o pai de Flávio, Jair Bolsonaro, quatro anos antes. Para o New York Times, nenhum político marcou mais o Brasil do que Lula ao longo de três mandatos anteriores, ao ajudar a tirar milhões da pobreza e defender direitos dos trabalhadores, tornando-se, por um tempo, o rosto de uma maré esquerdista na região.

    A análise do veículo aponta que a vitória improvável representou uma “reprovação contundente ao avanço da direita”, reanimando um movimento de esquerda que parecia à beira da extinção na América Latina.

    COMO LULA FREOU A ONDA DE DIREITA?

    Lula ofereceu um raro exemplo de resistência à estratégia de Washington de projetar poder militar e econômico na região, contrapondo-se a tarifas e sanções do presidente Trump. Em contraste, Flávio Bolsonaro, aliado de Trump, prometia aderir a uma aliança regional de segurança liderada pelos Estados Unidos e oferecer os vastos depósitos de minerais críticos do Brasil como forma de reduzir a dependência americana da China.

    O New York Times relata que, na reta final, Lula e seus aliados mobilizaram milhões de brasileiros nas redes e nas ruas. Ele desafiou o rival a abrir demonstrações financeiras e registros telefônicos, prometendo fazer o mesmo. Flávio condicionou a abertura à revisão dos registros de Lula, que o esquerdista apresentou às autoridades eleitorais na semana anterior.

    UM BRASIL PROFUNDAMENTE DIVIDIDO

    Os resultados, segundo o jornal, também revelaram um país profundamente dividido. As propostas ousadas de Flávio Bolsonaro para combater o crime organizado, a alta dos preços dos alimentos e uma economia lenta ressoaram com milhões de brasileiros da classe trabalhadora que no passado podem ter votado em Lula.

    “É realmente sobre esse profundo senso de fadiga”, disse a cientista política Camila Rocha, que estuda a ascensão da direita brasileira, referindo-se a Lula. “Junto a um profundo desejo de renovação.”

    No palanque, Lula apontou suas conquistas econômicas dos últimos quatro anos e alertou que restaurar a família Bolsonaro ao poder representava risco à democracia brasileira. O pai de Flávio, Jair Bolsonaro, cumpre sentença de 27 anos por tentativa de golpe após perder a eleição anterior para Lula.

    Lula defendeu ainda seu legado político, construído sobre décadas de programas sociais que aliviaram a fome generalizada, ampliaram oportunidades de educação e reduziram a profunda desigualdade no último país das Américas a abolir a escravidão.

    “Desigualdade e subdesenvolvimento são resultado de escolhas de política”, afirmou Lula à Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. “É possível incluir os pobres no orçamento e fazer os ricos pagarem sua parte justa.”

    ANTECEDENTES E CONTEXTO DA VIRADA

    Mesmo com crescimento modesto da economia e desemprego nos menores níveis registrados nos últimos quatro anos, o aumento da dívida das famílias e a crise de acessibilidade deixaram muitos brasileiros se sentindo pior. Algumas ideias libertárias de Flávio, como Estado com menos intervenção, impostos mais baixos e menos burocracia para autônomos, atraíram parte da classe trabalhadora que migra para a economia de bicos.

    “Há um novo tipo de classe trabalhadora no Brasil”, disse Rosana Pinheiro-Machado, professora da University College Dublin que estuda movimentos populistas brasileiros. “E ela tem uma nova forma de ver a prosperidade.”

    Apesar disso, Lula conseguiu conquistar parte dos milhões que ficaram em casa no primeiro turno, votaram em outros candidatos ou anularam o voto. Para elevar a aprovação, aumentou o valor do principal programa de assistência social, concedeu subsídios temporários de combustível para aliviar os preços elevados pela guerra no Irã, expandiu programa de alívio a endividados e, dias antes do primeiro turno, proibiu apostas online que aceleravam a crise de dívida pessoal.

    Não é a primeira virada de Lula. Menos de uma década atrás, cumpria pena de 12 anos por escândalo de corrupção. As condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021 diante de evidências de conluio entre juiz, promotores e polícia. Isso o liberou para disputar contra o pai de Flávio em 2022, vitória que o New York Times classifica como enorme retorno político.

    Lula emergiu nos anos 1970 como líder sindical nos arredores de São Paulo. Como presidente entre 2003 e 2010, o ex-metalúrgico com educação até a quinta série criou programas sociais que ajudaram cerca de 20 milhões de brasileiros a sair da pobreza. No cenário internacional, elevou o Brasil em temas como pobreza, fome e mudança climática, em parte pelos esforços de proteção da floresta amazônica.

    Quando deixou o cargo em 2010, sua aprovação superava 80%. O escândalo que o levou à prisão manchou a reputação junto a parcela da população que ainda o associa, e a seu partido, à corrupção. Agora, um novo escândalo envolvendo parte da elite política e judicial, inclusive Flávio Bolsonaro, acrescenta à fadiga, e o fato de ocorrer sob o governo de Lula reduz o entusiasmo.

    Os brasileiros, segundo o New York Times, parecem ter atendido ao alerta de Lula sobre o retorno dos Bolsonaros, entregando-lhe mais um mandato. Ainda assim, ele enfrentará a tarefa de governar uma nação amargamente dividida e um Legislativo que se moveu fortemente à direita e tentará desafiá-lo a cada passo.

    “Ainda marca, em certo sentido, o declínio de um certo tipo de esquerdismo”, afirmou Camila Rocha.

    IMPORTANTE: A cobertura do New York Times baseia-se nos resultados eleitorais oficiais do segundo turno e no contexto político regional. O artigo não afirma que a vitória de Lula elimina a direita no Brasil ou na América Latina; destaca a divisão profunda do eleitorado e os desafios de governabilidade à frente.

    FAQ Rápido

    Qual foi o resultado exato da eleição segundo o New York Times?
    Lula obteve 51,8% dos votos contra 48,2% de Flávio Bolsonaro.

    Por que o jornal chama Lula de estadista mais influente da América Latina?
    Pelo impacto de três mandatos anteriores na redução da pobreza, defesa de direitos trabalhistas e projeção internacional do Brasil, além da resistência a estratégias de Washington na região.

    O que o New York Times destaca sobre o futuro do governo?
    Um Congresso mais à direita e um país dividido dificultarão a governabilidade, mesmo com a reeleição.


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