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Netanyahu autorizou ataques mortais de pagers no Líbano, diz porta-voz do premiê à Agence France-Presse

    Sinal verde para explodir bips e walkie-talkies contra o Hezbollah, em setembro, atingiu a população, matou 40 pessoas e feriu 3 mil, dos quais 500 ficaram cegos e 170 foram internados em estado grave

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    Omer Dostri, porta-voz do primeiro-ministro de Israel, disse à AFP (Agence France-Presse) que “Benjamin Netanyahu confirmou neste domingo [10/11] que deu sinal verde para a operação de pager no Líbano“, em ataque ao grupo militante libanês Hezbollah em setembro, quando morreram quase 40 pessoas e quase 3.000 ficaram feridas.

    Na ocasião, o Ministério da Saúde libanês informou que ao menos 500 perderam a visão. Entre os feridos, 170 estavam internados em estado grave, sobrecarregando o sistema, que mobilizou uma campanha de doação de sangue.

    Esta foi a primeira admissão pública de Netanyahu após Beirute se queixar de Tel Aviv nas Nações Unidas sobre o crime de guerra. Explosões disparadas remotamente atingiram pagers e walkie-talkies de vários membros do Hezbollah, mas a maioria da população, especialmente da área da Saúde, também usavam os conhecidos e antiquados “bips“, como ficaram conhecidos no Brasil, mas décadas de 1980 e 1990.

    Apesar da admissão de Netanyahu informada pela AFP, Israel não confirmou ou negou seu envolvimento. 

    De acordo com uma matéria da AP (Associated Press), o ministro do Trabalho libanês, Moustafa Bayram, e outras autoridades, foram a Genebra e apresentaram formalmente a queixa contra Israel na terça-feira (5/11), na OIT (Organização Internacional do Trabalho) – agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que reúne governos, empresas e trabalhadores.

    Este método de guerra e conflitos pode abrir caminho para que muitos que estão fugindo do direito internacional humanitário o adotem”, disse o ministro. “É um precedente muito perigoso, se não for condenado”, disse Moustafa Bayram. “Estamos em uma situação em que objetos comuns se tornam perigosos e letais”.

    Analistas disseram à AFP que explosivos provavelmente foram plantados nos pagers antes de serem entregues ao Hezbollah. As descobertas preliminares de uma investigação libanesa descobriram que os pagers tinham armadilhas, disse um oficial de segurança.

    O New York Times relatou que os pagers que explodiram foram produzidos pela BAC Consulting, sediada na Hungria, em nome do fabricante taiwanês Gold Apollo. Ele citou oficiais de inteligência dizendo que a BAC fazia parte de uma frente israelense.

    O Hezbollah iniciou ataques de baixa intensidade contra Israel em apoio ao Hamas após o início do conflito, em 7 de outubro de 2023, que fez desencadear a guerra de Gaza.

    Os ataques se intensificaram desde que a guerra eclodiu no Líbano no final de setembro, quando Israel insurgiu por via aérea contra o Hezbollah e depois enviou tropas terrestres para o sul do Líbano.

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