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Pagers explodem no Líbano deixando mortos, cegos e amputados entre 2,7 mil feridos: Netanyahu é acusado

    Dispositivo eletrônico obsoleto, usado para envio e recepção de mensagens, ficou conhecido no Brasil como bipeHezbollah expandiu uso por serem mais seguros, mas são muito utilizados no país em áreas como a da Saúde

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    Uma série de explosões quase simultâneas de pagers – dispositivo eletrônico usado para envio e recepção de mensagens que no Brasil ficou conhecido como bipe nas décadas de 1980 e 1990, deixou nove mortos e 2,75 mil feridos no Líbano, na terça-feira (17/9), entre eles centenas de integrantes do grupo xiita libanês Hezbollah, que junto com o governo do país acusaram Israel, onde fontes do governo confirmam que a ordem veio do premier, Benjamin Netanyahu.

    A detonação rápida não permitiu que os portadores dos pagers os soltassem a tempo. Analistas creem em infiltração na linha de montagem ou que um malware tenha superaquecido as baterias dos dispositivos.

    Membros da organização político-militar expandiram, desde o início da guerra em Gaza, o uso dos pagers a pedido do líder Hassan Nasrallah, por serem considerados mais seguros e difícil de rastrear, mas os dispositivos também são muito utilizados por profissionais da Saúde e de serviços de emergência.

    O Ministério da Saúde libanês informou que ao menos 500 perderam a visão. Entre os feridos, 170 estão internados em estado grave, mas todos estão sobrecarregando o sistema, que mobilizou uma campanha de doação de sangue.

    Em entrevista à imprensa local, o membro de uma equipe de um hospital que está acolhendo vítimas destacou também os altos níveis de amputação: “Muitos dos feridos perderam os dedos, em alguns casos, todos eles. É muito delicado e algumas cenas são horríveis“.

    Segundo o Ministro da Saúde libanês, Firass Abiad, a maioria dos ferimentos atingiram o abdômen, as mãos e o rosto das vítimas, sejam por estarem utilizando os pagers no momento ou guardando-os perto do corpo.

    O médico Abdulrahman al Bizri, que visitou hospitais que estão recebendo feridos em Sídon – cidade da costa do Mar Mediterrâneo, disse que há uma escassez de cirurgiões oftalmológicos para dar conta do número de pessoas com ferimentos nos olhos.

    O grupo xiita confirmou que Hassan Nasrallah não se feriu, mas o embaixador do Irã no país, Mojtaba Amani, sofreu ferimentos leves. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos também relatou explosões na Síria, onde o Hezbollah opera abertamente, com 14 feridos.

    Mohammad Mahdi Ammar, filho do parlamentar do Hezbollah, Ali Ammar, também foi morto, além dois de seus combatentes, disse o Al Jazeera.

    Um vídeo do momento da tragédia mostra um homem em uma moto, aparentemente levando um pager na cintura, no momento em que o dispositivo explode.

    Um morador de Haret Hreik, um subúrbio ao sul de Beirute, disse ao jornal L’Orient Le Jour que as explosões dos pagers pareciam tiros. Em outro relato, feito por um açougueiro da cidade ao jornal The New York Times, um homem de 20 anos caiu de uma motocicleta sangrando.

    No subúrbio, onde o Hezbollah está muito presente, ocorreram várias explosões e moradores relataram ter visto fumaça saindo dos bolsos das pessoas. Uma moradora disse ao NYT que seu filho “ficou louco e começou a gritar quando viu a mão de um homem voando para longe“.

    A onda de explosões deixou muitas pessoas em Beirute em um estado de confusão e choque, sem saber o que estava acontecendo, e alguns libaneses passaram a ficar com medo de atender ligações, disse o NYT.

    Israel e Hezbollah estão estão em conflito na fronteira desde 8 de outubro, um dia após os ataques liderados pelo Hamas. Recentemente, políticos e a mídia israelense têm falado cada vez mais sobre ações militares contra o Líbano para expulsar o grupo político-militar e permitir o retorno de cerca de 60 mil israelenses evacuados logo após o início dos ataques, disse o Al Jazeera.

    Especula-se que a rede de rádio dos pagers pode ter sido hackeada, fazendo com que o sistema emitisse um sinal que desencadeou uma resposta nos dispositivos previamente adulterados, informou o jornal, que foi informado por um especialista que Israel não precisaria saber os nomes de quem recebeu o sinal corrompido, mas poderia reunir informações valiosas após as detonações.

    Se eles tivessem os satélites ligados, … eles saberiam os nomes e localizações de todos os agentes que foram atacados … imediatamente quando [eles pedissem] ajuda. Eles revelariam [suas] localizações”, disse.

    Um ex-oficial do exército britânico e especialista em armas químicas, Hamish de Bretton-Gordon, disse à mídia que os pagers do Hezbollah podem ter sido adulterados ao longo da cadeia de suprimentos e “programados para explodir sob comando“.

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