| São Paulo (SP)
01 de setembro de 2026
Uma mulher de 49 anos foi morta pela polícia na Times Square, em Nova Iorque, na segunda-feira (31/ago), depois de esfaquear duas pessoas em ataque descrito como aleatório e avançar com duas facas contra agentes.
A executiva Erin Piacenti, 32, morreu.
O caso reabre o debate sobre crise psiquiátrica e segurança em área de grande circulação.
O que aconteceu na Times Square?
Por volta das 16h24, segundo a comissária da NYPD Jessica Tisch, ligações ao 911 relataram uma mulher armada com duas facas na Sétima Avenida, entre as ruas West 41st e West 43rd, no coração de Manhattan, conorme reportou a CBS News.
A suspeita foi identificada como Pamela Cisneros, 49 anos, moradora de Queens. De acordo com a comissária, uma testemunha viu Cisneros retirar duas facas de cozinha de uma sacola vermelha da Target e ferir no abdômen um homem de 68 anos que havia saído do metrô e esperava para atravessar a rua com a mulher.
Cerca de 20 segundos depois, ainda segundo a polícia, ela seguiu pela mesma avenida e esfaqueou no abdômen Erin Piacenti, 32, de Chester, em Nova Jersey.
As duas agressões ocorreram em intervalo curto, sem provocação aparente, afirmou Tisch em coletiva na própria segunda-feira (31/ago).
As vítimas e a suspeita foram levadas ao Bellevue Hospital. Piacenti e Cisneros morreram. O homem de 68 anos permanecia em estado estável na terça-feira (01/set).
Quem era Erin Piacenti?
Nesta terça-feira (01/set), veículos americanos identificaram a mulher morta como vice-presidente de Business Selection and Conflicts do Bank of America, unidade ligada ao banco corporativo e de investimentos. A sede do banco em One Bryant Park fica a um quarteirão da área do ataque, segundo a Reuters.
O porta-voz John Yiannacopoulos disse à CBS New York : “We are shocked and deeply saddened by the tragic loss of our colleague. She was a valued teammate who will be greatly missed. Our hearts go out to her family and all of her loved ones.”
O New York Post informou que Piacenti havia comemorado o segundo aniversário de casamento em 10 de agosto, formou-se na University of Pennsylvania em 2016 e concluiu o curso de Direito na Fordham Law School em 2021.
O New York Daily News acrescentou que ela cantava no grupo a capella Penn Dischord na universidade.
Fontes policiais citadas pela CBS disseram que o homem de 68 anos visitava o filho no Brooklyn com a mulher e não tinha relação prévia com Cisneros. Relato da Bloomberg Law o descreveu como turista de Rhode Island.
Como a polícia matou Pamela Cisneros?
Depois das facadas, Cisneros foi interceptada perto de um posto da NYPD na West 43rd Street. Tisch disse que o diálogo durou cerca de quatro minutos. Os agentes ordenaram que ela largasse as armas. Ela recusou.
Segundo a comissária, a mulher afirmou: “Não vou largar nada. Prefiro matar vocês dois.” Em seguida repetiu: “Vou matar vocês.”
Vários oficiais dispararam tasers. Os disparos elétricos não a detiveram. Dois policiais atiraram com armas de fogo. O confronto foi gravado por câmeras corporais. O prefeito Zohran Mamdani disse que as imagens seriam divulgadas depois.
IMPORTANTE
O cargo de Erin Piacenti era o de vice-presidente de uma área interna do Bank of America, não o de vice-presidente da instituição como um todo. A morte de Pamela Cisneros está sob apuração da Force Investigation Division da NYPD. Histórico de saúde mental registrado em 2018 e 2019 não equivale, pelas fontes oficiais, a antecedentes criminais: a polícia afirmou que ela não tinha prisões anteriores.
Por que o caso importa para a segurança pública?
Tisch classificou o episódio como “uma situação extraordinariamente perigosa se desenrola no coração da Times Square, a encruzilhada do mundo” e disse que os agentes “fizeram aquilo para o qual os treinamos”. Mamdani agradeceu a intervenção e afirmou, conforme a USA Today : “Sabemos que a vida dessas famílias foi devastada pelo que aconteceu hoje”.
A polícia descartou terrorismo e descreveu as facadas como random and unprovoked. Cisneros tinha “documented mental illness history” com a própria NYPD em 2018 e 2019, sem prontuário criminal citado na coletiva.
O fato policial encontra um problema institucional já documentado em Nova Iorque: a cidade acumula dezenas de milhares de chamados anuais de crise psiquiátrica, e o atendimento ainda recai, na maior parte dos casos, sobre policiais armados.
Em março de 2026, Mamdani criou um escritório de segurança comunitária com a promessa de ampliar respostas civis a emergências de saúde mental, segundo a Associated Press.
O ataque na Times Square não prova, por si, o fracasso ou o êxito dessa política. Mostra, porém, o custo humano de uma crise que chegou à rua antes de chegar ao cuidado clínico.
Para leitores no Brasil, o paralelo pertinente não é o de copiar o modelo nova-iorquino, e sim o de reconhecer um dilema comum às grandes metrópoles: como proteger pedestres em áreas de massa sem transformar toda crise psiquiátrica em desfecho armado.
O que acontece agora?
A Force Investigation Division da NYPD conduz o inquérito sobre o uso da força. As facas foram recolhidas no local. A Sétima Avenida chegou a ser parcialmente fechada na noite de segunda-feira (31/ago) e depois reaberta.
Vídeos de testemunhas, entre elas o trabalhador da construção Jorge Disla, circulam nas redes. A polícia prometeu soltar as imagens das câmeras corporais. Até a manhã de terça-feira (01/set), os nomes dos dois agentes que atiraram não haviam sido divulgados nas matérias conferidas.
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