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    RESUMO
    URBS MAGNA


    Brasília (DF)
    29 de outubro de 2026

    Um modelo estatístico desenvolvido pelo pesquisador Rodrigo Mahlmeister e utilizado pelo Estadão antecipou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 com apenas 2,42% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A projeção, que também previu as duas viradas na contagem dos votos, reforça o papel de ferramentas baseadas em dados históricos para interpretar resultados eleitorais em tempo real e reduz a dependência de placares parciais que podem gerar interpretações equivocadas.

    O QUE ACONTECEU NA APURAÇÃO?

    Na noite de domingo (25/out), com menos de 3% das seções totalizadas, o modelo já indicava Lula com cerca de 51,6% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro (PL) com 48,4%. O resultado oficial confirmou 51,79% para o petista (64,2 milhões de votos) e 48,21% para o senador (59,8 milhões), uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos, conforme a Folha de S.Paulo. O TSE atestou a regularidade do pleito, que elegeu Lula para um quarto mandato.

    O modelo identificou duas viradas ao longo da marcha da apuração: uma com Flávio Bolsonaro assumindo a liderança por volta de 20% das urnas e outra com a recuperação de Lula próximo de 60%. Essa precisão contrasta com pesquisas de opinião que, na véspera, apontavam favoritismo do candidato do PL, segundo a Época Negócios.

    QUEM É RODRIGO MAHLMEISTER E COMO O MODELO FUNCIONA?

    Rodrigo Mahlmeister, paulistano de 31 anos, é bacharel em Economia e mestre em Ciência Política pela USP. Atualmente cursa doutorado em Ciência Política na Duke University, nos Estados Unidos, onde pesquisa a interseção entre política comparada e economia política da desigualdade na América Latina. O modelo, ainda sem nome formal, surgiu de iniciativa pessoal e não integra sua tese, conforme o Jornal Opção.

    A metodologia compara padrões de votação das mesmas localidades em eleições anteriores — especificamente o segundo turno de 2022 e o primeiro turno de 2026 — com as primeiras urnas apuradas. Utiliza regressões lineares e variáveis como porte do município, perfil socioeconômico e histórico eleitoral para projetar o comportamento das seções ainda não contabilizadas. Ao contrário da apuração oficial do TSE, que começa com vieses regionais, o sistema considera o universo completo das urnas desde o início e ajusta as estimativas conforme novos dados chegam.

    Segundo Mahlmeister, em entrevista ao Estadão: “Temos praticamente o PT contra Bolsonaro desde 2018, então é um comportamento eleitoral do brasileiro que de fato muda de uma eleição para a outra, mas muda de uma forma sistemática.” O pesquisador também acertou o primeiro turno, projetando 47,03% para Flávio Bolsonaro com margem mínima de erro.

    POR QUE ISSO IMPORTA PARA O ACOMPANHAMENTO ELEITORAL?

    A análise aponta que ferramentas como essa podem reduzir a circulação de interpretações precipitadas durante a apuração, especialmente em contextos de polarização. Ao antecipar o resultado final com base em padrões verificáveis, o modelo oferece transparência e diminui o espaço para alegações sem base empírica sobre “viradas milagrosas” ou manipulações.

    IMPORTANTE: O modelo não prevê votos futuros nem substitui a apuração oficial do TSE. Ele estima, com base em dados históricos e nas primeiras seções contadas, o resultado das urnas pendentes. Sua precisão depende da consistência dos padrões eleitorais e não constitui prova de irregularidades ou legitimidade adicional além da já atestada pela Justiça Eleitoral.

    Na quarta-feira (28/out), Mahlmeister detalhou o método no vodcast Triturando Dados, do Estadão/TecMundo, em entrevista ao vivo conduzida por Franklin Weise (Frankito, o Curioso), com participação do jornalista João Abel. A transmissão ocorreu no YouTube do Estadão e reforçou o caráter científico da projeção, conforme o Estadão.

    E… ?

    Com a vitória de Lula confirmada e a oposição reorganizando-se, o uso de modelos preditivos deve se consolidar como referência em futuras eleições. Mahlmeister afirmou que pretende focar no doutorado após a exposição repentina, que gerou doações e propostas de trabalho. A experiência brasileira de 2026 demonstra como dados abertos e análise estatística podem fortalecer o debate público sobre resultados eleitorais.

    FAQ Rápido

    O modelo do Estadão previu a vitória de Lula antes da apuração oficial?
    Sim. Com 2,42% das urnas apuradas, projetou o resultado final com margem inferior a 0,2 ponto percentual e antecipou as duas viradas na contagem.

    Quem desenvolveu o modelo?
    Rodrigo Mahlmeister, doutorando em Ciência Política na Duke University e mestre pela USP.

    O modelo substitui a apuração do TSE?
    Não. Ele estima o resultado das urnas ainda não contadas com base em padrões históricos e não altera nem questiona a contagem oficial.


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