Míriam Leitão apoia LULA, no Globo, em artigo sob o título “Única Via Possível é a Democracia”

Texto contra a ditadura deixa clara a preferência eleitoral contra possíveis intervenções golpistas de Bolsonaro

Não há dois extremistas na disputa [presidencial de outubro]”, diz Míriam Leitão em texto que passa a expor apoio a LULA, em artigo sob o título “Única Via Possível é a Democracia”. Há “apenas um, Jair Bolsonaro”, prossegue a jornalista, no jornal O Globo.

Semana passada, novamente, Bolsonaro provou que ele é um perigo para a democracia. Atacou ministros do STF com palavrões, defendeu a ditadura, colocou em dúvida as urnas eletrônicas, elogiou um parlamentar delinquente”, prossegue em seu texto.

“Na questão institucional”, a jornalista diz que LULA e Bolsonaro “não” se parecem. “Basta se perguntar quantas vezes os comandantes das três forças, nos governos do PT e do PSDB, se sentiram estimulados a soltar uma nota tão desavergonhada quanto essa do dia 31 de março“.

Lembrando que um dos trechos do texto endossado por Braga Netto e pelos três comandantes diz: “Nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização, de segurança, de crescimento econômico e de amadurecimento político, que resultou no restabelecimento da paz no País, no fortalecimento da democracia, na ascensão do Brasil no concerto das nações e na aprovação da anistia ampla, geral e irrestrita pelo Congresso Nacional”.

Leitão prossegue dizendo que “os militares sempre se recusaram a olhar de forma adulta o que houve no país quando eles governaram. Mas Bolsonaro liberou o autoritarismo. Aquela nota não é apenas um acinte. É uma ameaça. Se eles acham que respeitaram a Constituição quando a rasgaram, se acham que “nos anos seguintes ao dia 31 de março de 1964, a sociedade brasileira conduziu um período de estabilização” e de “amadurecimento político”, que no fim trouxe a “paz no país”, podem repetir a mesma sequência pavorosa de eventos“.

Os governos democráticos“, …”como no caso da presidente Dilma Rousseff” …”não aceitaram a tutela que as Forças Armadas sempre quiseram impor ao país“, lembra Leitão. Mas “Bolsonaro estimulou os piores quadros a mostrarem todo o seu golpismo. Nesta questão crucial da democracia brasileira, LULA se parece com outros presidentes civis, mas se distancia diametralmente de Bolsonaro” defende a jornalista.

Na palestra que fez na FUP dias atrás, tão bem comentada neste jornal pela colunista Malu Gaspar, LULA me criticou. De novo“, lembra Míriam, transcrevendo a fala do ex-presidente sobre ela, conforme a seguir:

“Quantas vezes a Miriam Leitão disse que era impossível explorar o pré-sal?

Leitão diz que ela “nunca disse que era impossível. Disse que era difícil, e a tecnologia teria que ser aprimorada. Eu e muita gente. Na época, LULA dizia que o pré-sal era o “passaporte para o futuro”.

Mas a jornalista prossegue dizendo, erroneamente, que a estatal “nunca foi” esse passaporte para o futuro, o que não é verdade. Incomodada com o comentário de LULA, Míriam levanta o nariz e diz: “Só cito aqui essa referência a mim para dizer ao leitor que, na condição de jornalista criticada pelos dois lados, repito que os dois candidatos não são iguais. Se ambos não gostam de mim, não é algo que me tire o sono“.

O relevante é que, desde o primeiro dia de mandato, Bolsonaro tem implantado a “cupinização” da democracia, na expressão usada pela ministra Cármen Lúcia, ao julgar o conjunto de ações que mostram a destruição de todo o aparato institucional de proteção da Amazônia“, escreve Leitão.

Nesse julgamento ficou claro, mais uma vez, o mal que Bolsonaro tem feito à República. Das quatro preliminares contra a ADPF 760, a que acusa o governo de ter sabotado o plano contra o desmatamento (PPCDam), apresentadas pelo Advogado-Geral da União (CGU), três estavam também na sustentação oral do Procurador-Geral da República. O Brasil não tem Procurador-Geral da República. Bolsonaro tem dois advogados“, diz Míriam.

Como LULA escolheu o PGR? Como os indicados agiram?“, questiona a jornalista deixando implícito que com LULA não ocorreu o ‘aparelhamento’, por Bolsonaro, que se demonstra em seu governo. “As respostas mostram bem a diferença. Não há paralelo. Esse ponto inicial tem que estar em qualquer candidatura democrática“, diz exaltando o nome de LULA contra Bolsonaro.

Há vários caminhos na economia e nas políticas sociais, mas na questão institucional há uma única via: a democracia“, pontua a jornalista deixando clara a sua opção na polarização eleitoral LULA/Bolsonaro.

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