O ministro do STF, André Mendonça / Foto: Gustavo Moreno / STF | Daniel Vorcaro ao deixar prisão em novembro/2025 / Foto: Fábio Vieira / Estadão | O ex-presidente Jair Bolsonaro / Foto: Ton Molina / STF | O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto / Foto: Cristiano Mariz / O Globo | Painel
| Brasília (DF)
07 de maio de 2026
O ministro André Mendonça atua para derrubar a delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A proposta entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República inclui ataque ao bolsonarismo e menção a um presidenciável inelegível, afirma o jornalista Eduardo Guimarães. do Blog da Cidadania, nesta quinta-feira (7/mai).
Segundo ele, Mendonça, alinhado ao bolsonarismo, quer uma delação que poupe Jair Bolsonaro e ataque a esquerda.
A delação de Vorcaro não contempla apenas ataques à esquerda. Há indícios de que o banqueiro aponta omissão do Banco Central na gestão de Roberto Campos Neto.
O caso é indissociável do ex-presidente do BC. Vorcaro recebeu autorização para assumir o então Banco Máxima (que virou Master) em 2019, após rejeição na gestão anterior.
Documentos mostram que a diretoria colegiada aprovou a transferência por unanimidade. A defesa usa esses fatos para argumentar que o regulador permitiu o crescimento do esquema.
Guimarães lembra que Vorcaro menciona um presidenciável inelegível. Entre os inelegíveis estão Fernando Collor de Mello, Jair Bolsonaro e Pablo Marçal.
O jornalista avalia que Marçal tem importância desprezível nos grandes esquemas.
A menção, somada aos indícios contra Campos Neto, representa risco fortíssimo para o bolsonarismo em ano eleitoral.
Mendonça usa um delegado da PF para conduzir a delação e tenta anular a proposta atual.
A Folha de S.Paulo confirmou que Mendonça teve discussão dura com a defesa de Vorcaro.
O ministro está descontente com o material entregue na quarta-feira (6/mai) e acredita que as informações estão distantes do que a PF já apurou.
Vorcaro foi preso em 4 de março de 2026 em São Paulo, transferido para a Penitenciária Federal de Brasília e, desde 19 de março, está na superintendência da PF.
O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025. O Fundo Garantidor de Créditos deve cobrir impacto estimado em dezenas de bilhões.
A PF investiga crimes financeiros, corrupção de agentes públicos e perseguição a autoridades e jornalistas.
Guimarães destaca que o cerne da delação é a acusação contra Campos Neto.
Em depoimento vazado em janeiro de 2026, Vorcaro culpa “quem deveria vigiar e supervisionar”.
Ele afirma ter explorado brechas regulatórias sem impedimento do órgão.
A defesa reforça que o Banco Central recebeu alertas do mercado mas não mapeou adequadamente as fraudes em CDBs sem lastro.
O contexto reforça a tese. Em 2019, sob Campos Neto, o BC reverteu rejeição anterior e aprovou o negócio em poucos meses.
Vorcaro se reuniu várias vezes com o BC, inclusive com o próprio Campos Neto em 2024.
Críticos apontam omissão dolosa. O deputado Lindbergh Farias (PT) já acionou a PGR contra Campos Neto.
A doação de R$ 5 milhões feita por Fabiano Zettel – cunhado e operador de Vorcaro, pastor da Igreja Lagoinha – para Jair Bolsonaro em 2022 é outro ponto central.
Foi a única doação eleitoral de Zettel. Dividida com Tarcísio de Freitas, reforça suspeitas de influência política durante a autorização do BC.
Vorcaro fala de um ex-candidato à presidência inelegível. Muitos pensaram em Pablo Marçal, mas Guimarães argumenta que Bolsonaro tem relação direta com Campos Neto.
Marçal fez doações suspeitas a vários, mas não tem implicação nos grandes esquemas de Vorcaro.
A menção pode ser estratégia ou indício concreto contra quem colocou Campos Neto no BC.
A proposta de delação foi entregue com anexos. As autoridades estimam dois meses para análise.
Vorcaro cita políticos de direita, esquerda e principalmente de centro, mas não menciona Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e outros pré-candidatos.
Ele afirma que o contrato com o escritório de Viviane de Moraes (esposa de Alexandre de Moraes) visava proximidade com o ministro, sem troca de favores comprovada.
Guimarães critica que Mendonça está furioso porque a delação não ataca Alexandre de Moraes nem os ministros do STF e sugere problema no Banco Central da era Bolsonaro.
O ministro não decide sozinho, mas pode rejeitar a delação. Se não houver acusação contra o PT, Vorcaro pode ficar sem acordo e arcar com a pena integral.
Assim, segundo a avaliação do jornalista, a delação de Vorcaro pode avançar a investigação de fraudes bilionárias que custaram caro ao contribuinte via FGC, mas depende de homologação isenta.
A PF deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero e mira o senador Ciro Nogueira por supostas vantagens ligadas ao Banco Master.
FAQ Rápido
1. O que a delação de Vorcaro pode revelar sobre o Banco Central?
Indícios de omissão de Roberto Campos Neto na fiscalização do Master, autorizado em 2019 após rejeição anterior.
2. Por que André Mendonça discute com a defesa?
O relator do STF considera o material insuficiente e cobra devolução rápida de recursos, segundo a Folha de S.Paulo.
3. Bolsonaro aparece na delação?
Indiretamente, via doação de R$ 5 milhões de operador ligado a Vorcaro e menção a ex-candidato presidencial inelegível.
SIGA NAS REDES SOCIAIS

![]()
Compartilhe via botões abaixo:
