Brasília (DF)
11 de setembro de 2026
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, pediu a André Mendonça a remessa, em HD, dos autos ligados à Pet 15.556, o inquérito-mãe do Banco Master, e o levantamento de sigilo, com ressalva para diligências ainda em curso. O relator atendeu em parte. O comentarista Reinaldo Azevedo chamou o recorte de suspensão seletiva de sigilo.
O que Fachin determinou?
Na leitura apresentada por Reinaldo Azevedo, o despacho da Presidência parte da inclusão da Pet 16.662 — procedimento em que Mendonça tornou públicos elementos da apuração que alcança Alexandre de Moraes — em calendário de sessão extraordinária. Como essa petição se formou a partir da Pet 15.556, Fachin solicitou ao relator o envio, “em HD próprio”, à Presidência e aos gabinetes, “de todos os procedimentos contidos ou relacionados” à investigação do Master.
A ordem, confirmada por Folha de S.Paulo, JOTA e g1, traz a cláusula que Reinaldo isolou: o sigilo cai, “ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”.
A decisão de Fachin não equivale a tornar público, de uma só vez, todo o universo investigativo do Master. A ressalva de diligências em andamento permanece sob controle do relator. O envio em HD aos gabinetes também não se confunde com divulgação irrestrita: ministros passam a ter cópia integral, inclusive do que continuar sob segredo de Justiça.
O que Mendonça tornou público — e o que ficou de fora
Mendonça levantou o sigilo da Pet 15.556 e de dezenas de procedimentos derivados. Relatos da Veja e do UOL listam, entre o material liberado, o inquérito que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, frentes de busca e apreensão, apurações sobre grupo acusado de pressionar adversários e cooptar influenciadores, e linhas sobre corrupção de servidores ligados ao BRB.
O que não veio à tona, segundo o g1, o JOTA e a Veja, inclui o financiamento do filme Dark Horse — cinebiografia de Jair Bolsonaro em que o senador Flávio Bolsonaro aparece nas tratativas com Vorcaro — e apuração sobre o senador Jaques Wagner e o ex-sócio Augusto Ferreira Lima.
Reinaldo Azevedo formulou o ponto sem rodeio: “Do Dark Horse, evidentemente, o Mendonça não quebrou.” E concluiu: “O Mendonça tornou público aquilo que é do seu interesse. Se está havendo vazamento seletivo, agora nós estamos tendo a suspensão seletiva de sigilo.”
O contraste não é retórico. Desde 1º de setembro, o próprio relator havia retirado o sigilo do braço da investigação que expôs mensagens de Vorcaro a Moraes. A publicidade daquela fatia antecipou a crise entre gabinetes. A fatia que alcança o pré-candidato do PL à Presidência permaneceu fechada.
Quando o plenário julga — e o prazo do dia 21
Reinaldo associou a Pet 16.662 a uma sessão extraordinária em 5 de setembro de 2026. O calendário confirmado pela Presidência, registrado por BBC News Brasil, Gazeta do Povo e Jornal Nacional, marca a sessão extraordinária para terça-feira (15/set), às 10h. Nela deve entrar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens de Vorcaro e o pedido da PGR de nulidade do procedimento.
Há um segundo trilho. Alexandre de Moraes enviou a Fachin, em 3 de setembro, pedido para investigar Mendonça por abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade na condução do Master e de frentes do INSS. Agência Brasil e g1 registraram a retirada desse pedido do inquérito das fake news. O Estadão detalhou os prazos: a PGR se manifesta até 14 de setembro; Mendonça, até 21 de setembro.
Reinaldo perguntou o óbvio institucional: se o plenário vota primeiro a peça contra Alexandre, pode-se abrir investigação contra um ministro e só depois examinar as acusações recíprocas, “quando elas estão intimamente ligadas”. A saída que ele defendeu foi um pedido de vista, para que os dois conjuntos caminhem juntos.
Com quem Fachin falou
O comentarista listou interlocutores da Presidência: Moraes, Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e o procurador-geral Paulo Gonet. A agenda da quinta-feira (10/set) confirma o giro. Segundo o Jornal Nacional, Fachin recebeu individualmente Cármen Lúcia, Toffoli, Fux, Moraes, Nunes Marques, Mendonça, Zanin e Gonet. Não houve encontro presencial, naquele dia, com Gilmar Mendes e Flávio Dino.
O que Dino moveu em São Paulo
Reinaldo fechou o comentário com outro vetor da mesma semana: o ministro Flávio Dino requisitou investigação que tramitava na polícia e na Justiça de São Paulo e autorizou operação contra Karina Ferreira da Gama e o deputado Mário Frias (o comentarista pronunciou “Frietas”).
A Presidência do STF e o g1 confirmaram a Operação Make Up, na quinta-feira (10/set): 49 mandados, unificação da apuração paulista na Polícia Federal e suspeita de desvio de emendas de Frias a entidades presididas por Karina Gama, também sócia da produtora do Dark Horse. Dino proibiu o deputado de deixar o país.
Para Reinaldo, o recorte de Mendonça não explica esse flanco. “Afinal, nada ali está explicado e não será o Mendonça que abriu o sigilo, não é mesmo?”
A análise registra o efeito político, sem transformar hipótese em prova: a linha de Dino sobre emendas e a linha de Mendonça sobre Vorcaro e o filme caminham em gabinetes distintos. Só uma delas deixou de ser pública na noite de quinta-feira (10/set).
O que acontece agora?
O plenário de terça-feira (15/set) deve dizer se a Pet 16.662 segue, se o relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro tem valor para abrir investigação e se o pedido de nulidade da PGR vinga. Em paralelo, corre o prazo de 21 de setembro para Mendonça responder às acusações de Moraes. O Dark Horse e a apuração sobre Wagner continuam, por ora, sob segredo de Justiça — com cópia reservada aos gabinetes.
A questão que Reinaldo Azevedo deixou aberta é de método: se o tribunal trata como um só o emaranhado do Master, o sigilo não pode ser instrumento de seleção.
FAQ rápido
O que a decisão de Fachin obrigou Mendonça a fazer?
Enviar, em HD, à Presidência e aos gabinetes todos os procedimentos ligados à Pet 15.556 e levantar o sigilo, salvo diligências cujo segredo ainda seja necessário à apuração.
O filme Dark Horse entrou na abertura de sigilo?
Não. Relatos de g1 e JOTA indicam que essa frente permaneceu secreta.
Qual é a data do plenário sobre a Pet 16.662?
Terça-feira (15/set), às 10h, conforme convocação da Presidência do STF.
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