Brasília (DF)
10 de outubro de 2026
O O usuário do X Julio Freiress recebeu notificação da plataforma informando que sua conta é alvo de ordem de remoção de conteúdo e fornecimento de dados em representação eleitoral ajuizada por Flávio Nantes Bolsonaro no Tribunal Superior Eleitoral. A medida, associada ao ministro André Mendonça, visa posts que tratam do chamado “tesouraço” de até R$ 250 bilhões discutido por interlocutores da campanha do candidato do PL. O episódio reacende o debate sobre os limites entre combate à desinformação e restrição ao debate público em pleno segundo turno.
O QUE ACONTECEU?
Na manhã de domingo (11/out), Julio Freiress (@JFreiress_) publicou no X a reprodução de uma mensagem oficial da plataforma. O texto da notificação afirma, em cumprimento à Lei 12.965/2014, que a conta é objeto de “ordem de remoção de conteúdo e fornecimento de dados” no âmbito da representação eleitoral nº 0602781-29.2026.6.00.0000, ajuizada por Flávio Nantes Bolsonaro e em trâmite no TSE.
No mesmo post, Freiress escreveu: “A pedido de Flávio Bolsonaro, o ministro André Mendonça quer a quebra dos dados da minha conta e exige que eu remova posts falando sobre o ‘tesouraço’ de 250 bilhões do Flávio sendo que ele mesmo fala de tesouraço o tempo todo. Vamos dar o nome correto a isso: CENSURA.”
A representação se insere em uma sequência de pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro ao TSE. Nos dias anteriores, o ministro André Mendonça, vice-presidente da Corte, determinou a retirada de publicações da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e de aliados como André Janones e Lindbergh Farias. As decisões se fundamentaram na ausência de “substrato fático mínimo” para atribuir ao adversário cortes específicos em programas sociais como Minha Casa Minha Vida, Farmácia Popular, Pé-de-Meia e Auxílio Gás, conforme reportagens de veículos como o R7 e a Folha.
O termo “tesouraço” foi adotado publicamente por Flávio Bolsonaro ao longo de 2026 para designar cortes de gastos públicos, redução de ministérios e enxugamento da máquina. Reportagens de outubro, baseadas em conversas de interlocutores da equipe econômica com o mercado, apontaram discussões sobre um ajuste de até R$ 250 bilhões (cerca de 2% do PIB), com possíveis alterações na correção de benefícios do INSS e do BPC e nos pisos constitucionais de saúde e educação. A campanha afirmou, em notas, que tais conversas não constituem posição oficial.
IMPORTANTE: A notificação da plataforma confirma a existência de ordem judicial de remoção de conteúdo e fornecimento de dados vinculada à representação ajuizada por Flávio Bolsonaro. Não há, até o momento, publicação de veículos de grande circulação confirmando de forma independente o conteúdo completo da decisão ou a identidade civil do usuário. A medida se limita, segundo o padrão das decisões recentes de Mendonça no TSE, à remoção de conteúdos específicos considerados sem respaldo objetivo suficiente, sem necessariamente implicar bloqueio da conta.
QUEM É JULIO FREIRESS?
Julio Freiress, identificado na plataforma como @JFreiress_, é usuário brasileiro do X desde março de 2020. Conta com cerca de 49 mil seguidores e se apresenta como torcedor do São Paulo e fã de Guns N’ Roses, além de comentar temas políticos. Nos últimos dias, publicou críticas ao “tesouraço”, questionando de onde sairiam os recursos e associando possíveis cortes aos mais pobres, em linha com falas de Lula em atos no Rio Grande do Norte. Também se posicionou a favor da reeleição de Lula no segundo turno.
Não se trata de um veículo jornalístico formal nem de figura pública de grande projeção institucional. Sua relevância no caso decorre do alcance da postagem e da notificação judicial recebida.
CONTEXTO DAS DECISÕES DO TSE
As ordens de remoção emitidas por André Mendonça no segundo turno seguem o entendimento de que propaganda eleitoral não pode atribuir a candidatos propostas específicas ou consequências inevitáveis sem elementos objetivos verificáveis no plano de governo registrado ou em declarações oficiais. Em decisões anteriores, o ministro ressaltou que a liberdade de expressão deve prevalecer em caso de dúvida razoável e que a medida deve se restringir ao conteúdo impugnado, sem bloqueio automático de perfis.
Ao mesmo tempo, a campanha de Flávio Bolsonaro tem recorrido com frequência ao TSE contra conteúdos que considera desinformativos. O próprio candidato usou o termo “tesouraço” em eventos e redes, enquanto a equipe econômica aparece em reportagens discutindo medidas de ajuste fiscal de grande porte. A tensão entre o direito de criticar propostas em discussão e a exigência de precisão factual concentra o debate atual.
A análise aponta que episódios como este testam a capacidade do sistema eleitoral de distinguir crítica política baseada em reportagens públicas de imputações categóricas sem lastro. Quando a ordem judicial alcança usuários individuais que reproduzem o debate midiático, o risco de efeito inibidor sobre a discussão pública de políticas fiscais e sociais aumenta, especialmente em período de segundo turno.
O QUE ACONTECE AGORA?
A representação segue em tramitação no TSE. O usuário poderá apresentar defesa e contestar a ordem. As plataformas são obrigadas a cumprir determinações de remoção e preservação de dados sob pena de multa. O plenário da Corte poderá referendar ou reformar a medida liminar em momento posterior.
Enquanto isso, o debate sobre a origem dos recursos de um eventual ajuste de R$ 250 bilhões permanece aberto: a campanha de Flávio Bolsonaro nega cortes em programas sociais prioritários e afirma pretender manter o Bolsa Família e o Farmácia Popular; a campanha de Lula e usuários como Freiress exigem esclarecimento sobre os impactos nas vinculações constitucionais e nos reajustes reais de benefícios.
FAQ Rápido
O que a notificação do X realmente determina?
Informa que a conta é objeto de ordem de remoção de conteúdo e fornecimento de dados no âmbito de representação ajuizada por Flávio Bolsonaro no TSE.
André Mendonça já determinou remoções semelhantes?
Sim. Nos dias anteriores, o ministro ordenou a retirada de posts da campanha de Lula e de aliados que associavam Flávio a cortes específicos em programas sociais por falta de substrato fático mínimo.
O “tesouraço” de R$ 250 bilhões: essa proposta oficial de Flávio Bolsonaro?
O candidato usou publicamente o termo para cortes de gastos. Discussões de interlocutores sobre ajustes de até R$ 250 bilhões foram reportadas pela imprensa, mas a campanha afirma que não representam posição oficial. ![]()
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